De acordo com um novo estudo, a ativação do receptor canabinoide tipo 2 (CB2) reduziu significativamente os danos ao fígado, a inflamação e o acúmulo de ferro em ratos com sobrecarga de ferro.
A pesquisa, publicada na revista Molecular Biomedicine por pesquisadores da Universidade de Qingdao (China), examinou se o direcionamento do receptor CB2 poderia proteger o fígado de danos causados pelo acúmulo excessivo de ferro. A sobrecarga de ferro pode ocorrer em condições como hemocromatose hereditária, siderose transfusional e doença hepática crônica, podendo causar danos hepáticos progressivos.
Pesquisadores induziram sobrecarga de ferro em camundongos machos de oito semanas de idade, administrando 100 mg/kg de ferro-dextrano diariamente durante 14 dias. Alguns camundongos receberam JWH133, um agonista seletivo de CB2, enquanto outros receberam o antagonista de CB2 AM630. Experimentos separados compararam camundongos normais com camundongos geneticamente deficientes em CB2 e examinaram animais nos quais a expressão de CB2 estava aumentada no fígado.
O tratamento com JWH133, que visa imitar os efeitos naturais dos canabinoides, reduziu significativamente os sinais de lesão hepática e inflamação. O composto reduziu o acúmulo de ferro no fígado em 49% em comparação com camundongos que receberam apenas ferro-dextrano e diminuiu a ferritina sérica em 20%. Também reduziu o estresse oxidativo e a atividade inflamatória, ao mesmo tempo que melhorou as defesas antioxidantes. O bloqueio do receptor CB2 com AM630 reverteu em grande parte os efeitos protetores.
Os experimentos genéticos produziram resultados semelhantes. Camundongos sem o gene CB2 apresentaram danos hepáticos mais graves, inflamação, fibrose e acúmulo de ferro, com níveis de ferro no fígado 44% maiores do que em camundongos normais tratados com ferro. Por outro lado, o aumento experimental da expressão de CB2 no fígado reduziu os níveis de ferro hepático em aproximadamente 30%.
Os pesquisadores também examinaram células hepáticas primárias para determinar como o CB2 produzia os efeitos. Nos hepatócitos, a ativação do CB2 suprimiu a via STAT3/hepcidina, permitindo maior expressão da ferroportina 1 (FPN1), uma proteína responsável pela exportação de ferro das células. Nas células de Kupffer, os macrófagos residentes do fígado, a ativação do CB2 aumentou a sinalização Nrf2/FPN1, promovendo de forma semelhante a remoção de ferro e reduzindo o estresse oxidativo e as citocinas inflamatórias.
Os pesquisadores afirmaram que as descobertas identificam dois mecanismos complementares pelos quais o CB2 parece regular os níveis de ferro no fígado e proteger contra a toxicidade do ferro. Eles alertam que o modelo de camundongo com ferro-dextrano não replica completamente condições humanas como hemocromatose hereditária ou siderose transfusional, e que outras vias envolvidas nos efeitos ainda precisam ser investigadas.
Os pesquisadores concluíram que o CB2 pode atuar como um fator protetor contra danos hepáticos induzidos por ferro e afirmaram que o direcionamento desse receptor poderia fornecer uma nova estratégia terapêutica potencial para doenças que envolvem sobrecarga de ferro.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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