Redução de Danos: quanto tempo dura o efeito da maconha?

Redução de Danos: quanto tempo dura o efeito da maconha?

A duração dos efeitos psicoativos da maconha varia bastante dependendo da via de administração, da dosagem, da tolerância e de outros fatores individuais. Compreender essas diferenças pode fazer toda a diferença entre uma experiência agradável e uma experiência indesejada.

Fumar ou vaporizar maconha é a forma mais rápida de sentir seus efeitos. Nesses casos, o THC chega ao cérebro em segundos, e o efeito máximo ocorre em poucos minutos. Essa fase principal geralmente dura entre uma e três horas, embora em pessoas com alta tolerância possa ser mais curta e menos intensa, mesmo com a mesma quantidade de THC.

Em contraste, os comestíveis e bebidas com infusão de maconha passam por um processo digestivo mais lento, porém mais prolongado. Após a ingestão, o THC é convertido em 11-hidroxi-THC, uma molécula mais potente que atravessa facilmente a barreira hematoencefálica. Os efeitos geralmente começam de 30 a 90 minutos depois e duram de quatro a oito horas. Em doses elevadas ou em usuários inexperientes, os efeitos podem persistir por até 24 horas, com sensações persistentes como sonolência.

As tinturas sublinguais representam uma opção intermediária. Por serem parcialmente absorvidas pela mucosa oral, permitem um início de ação mais rápido (15 a 30 minutos) e uma duração de duas a quatro horas. A dosagem precisa e a ausência de combustão tornam-nas particularmente atraentes para uso terapêutico.

Outras formas de administração, como supositórios ou preparações tópicas, têm suas próprias particularidades. Embora os produtos cutâneos raramente produzam efeitos psicoativos, os supositórios podem induzir uma sensação generalizada de euforia com início rápido e duração moderada. No entanto, as evidências científicas sobre essas vias de administração ainda são limitadas.

Além do método de consumo, a dosagem e a tolerância individual determinam a intensidade e a duração da experiência. Altas doses de THC ou o uso de concentrados potentes não apenas prolongam o efeito, como também aumentam o risco de experiências desagradáveis, como ansiedade, paranoia ou taquicardia. Portanto, é sempre melhor começar com uma pequena quantidade e esperar, principalmente no caso de comestíveis.

Embora o efeito estimulante possa desaparecer em poucas horas, os metabólitos do THC podem permanecer no organismo por dias ou semanas, o que é relevante em contextos como abordagens policiais ou entrevistas de emprego. Essa discrepância entre o efeito subjetivo e a detecção objetiva continua a gerar tensão em ambientes jurídicos e trabalhistas.

Em situações em que o efeito da droga se torna avassalador, estratégias simples como se hidratar, comer algo leve, encontrar um ambiente tranquilo ou pedir a companhia de alguém podem ajudar. Alguns usuários recomendam inalar pimenta-do-reino como medida calmante. E se os sintomas forem graves, a conduta mais sensata é procurar atendimento médico.

É importante entender que a duração dos efeitos da maconha não é medida apenas em minutos, mas também em contexto. Compreender os diferentes métodos de consumo, respeitar os ritmos naturais do corpo e usá-la de forma consciente e com informação completa ajuda a reduzir os riscos e aprimorar a experiência.

Referência de texto: Cáñamo

A microdosagem de LSD mostra resultados promissores contra a depressão, diz estudo

A microdosagem de LSD mostra resultados promissores contra a depressão, diz estudo

Um estudo clínico aberto da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, observou que um regime de microdoses de LSD, administrado duas vezes por semana durante oito semanas, está associado a uma redução de quase 60% nos sintomas em pessoas com depressão maior moderada, bem como a melhorias na ansiedade e na qualidade de vida.

O ensaio clínico, publicado na revista Neuropharmacology, incluiu 19 adultos diagnosticados com transtorno depressivo maior; a maioria era do sexo masculino e quase todos estavam tomando um antidepressivo no início do estudo. Durante oito semanas, eles receberam 16 doses sublinguais de LSD, começando com 8 microgramas na clínica e continuando em casa com doses entre 6 e 20 microgramas duas vezes por semana. A equipe avaliou a tolerabilidade, a frequência às consultas e os parâmetros de segurança, incluindo exames de sangue, eletrocardiogramas e ecocardiogramas.

Segundo os autores, os sintomas depressivos, medidos pela Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Åsberg (MADRS), diminuíram em aproximadamente 60% ao final do tratamento, e essa melhora foi mantida por até seis meses após o término do estudo. Também foram observadas reduções na ansiedade, no estresse e na ruminação, juntamente com aumentos nos indicadores de qualidade de vida. Não foram registrados eventos adversos graves ou alterações clinicamente relevantes nos exames cardíacos, e apenas um participante abandonou o estudo devido à ansiedade durante a administração da dose.

O desenho do estudo, sem um grupo placebo e com todos os participantes cientes de que estavam recebendo LSD, limita o alcance das conclusões, pois dificulta a separação dos efeitos da própria droga daqueles relacionados às expectativas e ao suporte estruturado fornecido por um aplicativo móvel que registrava as doses e sugeria atividades de autocuidado. Além disso, o tamanho da amostra é pequeno e pouco diversificado, portanto os resultados não podem ser generalizados para toda a população com depressão.

O estudo neozelandês não afirma que a microdosagem de LSD  seja uma “cura” para a depressão, mas reforça a ideia de que ensaios clínicos regulamentados são a maneira mais sensata de explorar seu potencial terapêutico. Portanto, em vez de proibir substâncias, a questão fundamental é quais estruturas permitem que as pessoas acessem opções seguras, com suporte e baseadas em evidências.

Referência de texto: Cáñamo

85 anos de Bruce Lee e sua ligação com a maconha

85 anos de Bruce Lee e sua ligação com a maconha

Há 85 anos nascia Bruce Lee, e, apesar de seus filmes mostrarem que ele não era exatamente um atleta “chapado”, o que poucos sabem é que o grande mestre de artes marciais gostava muito de haxixe.

Quem viu os filmes do atleta, que nasceu em 1940 na Califórnia (EUA), no ano e na hora do lendário dragão chinês, ficou surpreso, sobretudo, com sua velocidade na aplicação de golpes. O também ator, cineasta, filósofo e escritor estadunidense de origem chinesa não parecia ter o estereotipo do maconheiro que conhecemos.

Porém, o livro “O Tao de Bruce Lee”, de Davis Miller, conta que o atleta chegou a uma luta e passou a compartilhar baseados, embora seu método de consumo preferido fosse comer haxixe e brownies. Lee também mastigava a raiz da planta, pois acreditava ajudar seus músculos a ficarem mais relaxados e fluidos em suas lutas.

Após sua morte, a autópsia revelou uma quantidade de haxixe em seu estômago, o que sugere que ele foi um verdadeiro consumidor até o fim da vida.

Algumas pessoas argumentam que o haxixe foi, de alguma forma, a razão de sua morte, mas na realidade isso não é verdade e não tem sustento algum. As causas da morte de Bruce Lee ainda são um mistério, mas estariam relacionadas a uma condição derivada de um edema cerebral que havia sofrido semanas antes. Outra hipótese analisada foi uma forte reação secundária a um medicamento que lhe foi administrado para dor de cabeça. Bruce Lee morreu no hospital Queen Elizabeth e massagens cardíacas ou choques elétricos foram inúteis para tentar reanimá-lo.

Saber que o próprio Bruce Lee consumia maconha poderia dar uma nova perspectiva ao homem com os punhos de ferro.

Bruce Lee gostava de haxixe e usou até as últimas horas de vida

A história do final começa em 10 de maio de 1973, quando Bruce Lee estava trabalhando no estúdio Golden Harvest.

Lee e sua equipe estavam trabalhando em um novo filme, nada mais e nada menos do que Operação Dragão. No intervalo, Bruce foi ao banheiro, 20 minutos se passaram e ele não voltou, um amigo foi procurá-lo e o encontrou ajoelhado no chão. O ator disse a ele que suas lentes de contato haviam caído e ele estava procurando por elas. De volta ao estúdio, Bruce ficou tonto, passou mal e seu corpo começou a tremer.

Imediatamente seu próprio clínico geral, Dr. Langford do Baptist Hospital, chegou e Bruce foi transferido para um centro de saúde. Lee estava com febre alta, inconsciente e não respondia a nada. Ele fez um checkup e descobriu uma inflamação no cérebro, para a qual foi prescrito manitol para reduzir o inchaço. Eles também encontraram uma pequena quantidade de haxixe em seu estômago.

No dia seguinte, o Dr. Langford perguntou se ele estava usando drogas e o ator admitiu que estava usando haxixe nepalês e que até mesmo mastigou um dia antes de ficar inconsciente. O Dr. o alertou sobre o perigo das drogas de Kathmandu, Nepal. Ele explicou que elas são muito perigosas quando são puras e avisou Bruce que se ele continuasse a usar aquela substância, provavelmente lhe custaria a vida.

Duas semanas depois, em 25 de maio, ele viajou aos Estados Unidos para ser examinado pelo Dr. Karpland. Bruce pesava 57 quilos, embora o Dr. Karpland lhe dissesse que ele estava em perfeita saúde. O neurologista Dr. Reisbord também examinou o atleta concluindo que ele sofria de convulsões, mas de causa desconhecida, e prescreveu Dilantin. A conclusão final do Dr. Reisbord também revelou que Bruce estava com uma boa saúde.

Raymond Chow, Bruce Lee e mais haxixe

Na sexta-feira, 20 de julho, Bruce teve um encontro em casa com o produtor e apresentador de filmes de Hong Kong, Raymond Chow para trabalhar nos roteiros do filme The Game of Death.

Bruce e Raymond foram ao apartamento da atriz Betty Ting Pei para pedir a ela que fizesse um papel no filme. Mas tudo mudou à noite, quando Lee reclamou de dor de cabeça. Foi lá que Betty deu a ele um de seus analgésicos (Equagesic), que seu médico havia prescrito.

O ator e atleta foi se deitar e cerca de 10 minutos depois, Raymond Chow deixou o apartamento para se encontrar com outro ator, George Lazenby, no Miramar Hotel. Às nove horas da noite, Raymond ligou para Betty para saber onde estavam e perguntar por que não estavam na reunião do hotel.

Betty explicou que tentou acordar Bruce pelo menos duas vezes, mas não respondeu e Raymond foi para o apartamento. Bruce parecia estar dormindo pacificamente, mas eles não conseguiam acordá-lo. Foi lá que Raymond decidiu ligar para o médico de Betty Ting Pei, Dr. Eugene Chu.

Após 10 minutos em que o médico também não conseguiu acordar Bruce, chamaram uma ambulância para levá-lo ao hospital. Os médicos tentaram de tudo, mas infelizmente não conseguiram salvar a vida do magnífico Bruce Lee. Às onze horas da noite, Raymond Chow deu a terrível e fatal notícia à imprensa. Bruce Lee havia morrido.

Em 17 de setembro, Linda, sua esposa, confirmou que Bruce usava cannabis de vez em quando, mas Bruce não mostrou nenhum sinal de efeitos colaterais.

A autópsia deu o veredicto final da investigação em 24 de setembro. A morte de Bruce Lee foi uma coincidência de circunstâncias infelizes. Uma reação aos ingredientes do Equagesic, Doloxene e Dilantin, os analgésicos que ele usava como medicamentos. Um nível de gordura corporal muito baixo, apenas 1% e uma drástica perda de peso, seu corpo oscilava em 60 quilos.

A morte do “Dragão” pode ser explicada por um conjunto de situações, o que é certo, é que em nenhuma dessas razões entra o seu consumo de haxixe.

Baixos níveis de THC no sangue não estão associados a alterações significativas no desempenho de direção, mostra estudo

Baixos níveis de THC no sangue não estão associados a alterações significativas no desempenho de direção, mostra estudo

Indivíduos que não consumiram maconha recentemente, mas ainda apresentam níveis residuais de THC no sangue, não têm desempenho diferente em um simulador de direção em comparação com aqueles que não apresentaram níveis de THC, de acordo com dados publicados na revista Clinical Chemistry.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) avaliaram os níveis de THC no sangue e o desempenho em testes simulados de direção em um grupo de 190 consumidores regulares de cannabis. Os participantes do estudo deveriam ter se abstido do consumo de maconha por 48 horas antes de participar da pesquisa.

Após o período de abstinência, quase metade dos participantes do estudo apresentava níveis detectáveis ​​de THC (acima de 0,5 ng/ml) no início do estudo, sendo que um quarto dos participantes apresentou resultado positivo para mais de 2 ng/ml de THC no sangue. No entanto, aqueles que apresentaram resultado positivo para THC não mostraram diferenças significativas em suas pontuações de direção iniciais em comparação com aqueles sem concentrações quantificáveis ​​de THC.

“Nossos dados indicam que as concentrações que medimos na linha de base provavelmente refletem as concentrações estáveis ​​de THC nessa população, vários dias após o último uso”, concluíram os autores do estudo. “Também mostramos, usando dados quantitativos do simulador de direção, que os participantes que excederam os limites de tolerância zero e os limites per se (2 e 5 ng/mL) tiveram um desempenho semelhante ao daqueles abaixo desses valores arbitrários. Esses resultados corroboram um crescente conjunto de evidências de que os limites per se de THC no sangue carecem de credibilidade científica como prova prima facie de comprometimento das faculdades mentais”.

Os resultados são consistentes com os de outros estudos que não encontraram correlação entre a detecção de THC ou seus metabólitos no sangue, urina, saliva e hálito e o comprometimento da capacidade de dirigir.

Referência de texto: NORML

A maconha inalada alivia os sintomas em adultos com transtorno do espectro autista, diz estudo

A maconha inalada alivia os sintomas em adultos com transtorno do espectro autista, diz estudo

Um estudo publicado na revista Scientific Reports analisou o que acontece com os sintomas de adultos no espectro do autismo após o uso de maconha inalada (fumada ou vaporizada). O estudo constatou uma redução rápida e acentuada em vários sintomas, embora isso não constitua uma recomendação automática para o consumo.

A falta de medicamentos especificamente desenvolvidos para transtornos do espectro autista e os efeitos colaterais dos antipsicóticos levaram muitas pessoas e famílias a explorar a maconha. No entanto, a maioria dos ensaios clínicos se concentrou em crianças e adolescentes, com resultados ainda limitados.

Neste novo estudo, pesquisadores da Universidade Estadual de Washington e da Universidade de Nova Orleans (EUA) se concentraram em adultos que usavam maconha inalada. Eles utilizaram dados anonimizados do Strainprint, um aplicativo canadense onde as pessoas registram seus sintomas antes e depois do uso. A equipe analisou 5.932 sessões de uso de maconha entre 2017 e 2023, realizadas por 111 indivíduos autistas com idades entre 19 e 70 anos.

Os participantes avaliaram seus sintomas em uma escala de 1 a 10 em quatro categorias: sensibilidade sensorial, comportamentos repetitivos, “ruído mental” (dificuldade de concentração, pensamentos intrusivos) e afeto negativo (ansiedade, irritabilidade). Em média, a intensidade geral dos sintomas diminuiu em cerca de 73% após o uso de maconha, com maior alívio quando o desconforto inicial era mais intenso.

O número de tragadas esteve associado a um maior alívio, enquanto a proporção de THC para CBD não pareceu fazer diferença significativa nesses dados. Não foi observado um aumento claro na dosagem ao longo do tempo durante o período do estudo.

Ainda assim, os autores descobriram que, à medida que as sessões progrediam, os níveis de sofrimento antes do uso tendiam a aumentar em algumas áreas, como ansiedade e comportamentos repetitivos. Isso pode indicar uma piora da condição basal ou simplesmente que as pessoas usam o aplicativo principalmente em momentos de crise. Como este é um estudo observacional, sem grupo de controle e baseado em autoavaliações subjetivas, seus resultados devem ser interpretados com cautela.

Este tipo de pesquisa nos lembra que muitos adultos autistas já usam maconha para aliviar seu sofrimento, frequentemente em contextos de regulamentação parcial ou proibição. O debate não deve se concentrar em se eles “deveriam” usá-la, mas sim em como apoiá-los com segurança, com informações claras, regulamentações justas e estruturas de saúde pública que priorizem as evidências em vez do preconceito.

Referência de texto: Cáñamo

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