Pacientes com depressão, fadiga e insônia relatam melhorias com o uso da maconha, mostra estudo

Pacientes com depressão, fadiga e insônia relatam melhorias com o uso da maconha, mostra estudo

Um estudo que analisou os efeitos da maconha em pessoas com sintomas depressivos no Reino Unido foi publicado no Journal of Affective Disorders em 6 de janeiro de 2026. Com base em dados do registro de pacientes que fazem uso da maconha no Reino Unido, o estudo observou melhorias sustentadas em indicadores como fadiga (6,38%) e insônia (5,16%) durante o período de acompanhamento.

O estudo baseia-se num registo do mundo real onde os efeitos adversos e os benefícios são relatados voluntariamente por pacientes e clínicas. Neste contexto, 85% dos efeitos adversos foram classificados como ligeiros ou moderados, e os eventos graves foram menos frequentes. No entanto, este modelo apresenta uma limitação metodológica importante: por não incluir um grupo de comparação, não permite estabelecer causalidade.

Segundo os autores, fatores como suporte clínico, modificação de outras medicações, expectativas positivas e viés de retenção (pacientes que melhoram tendem a continuar o tratamento; aqueles que não melhoram, o interrompem) podem influenciar os resultados observados. Portanto, o estudo ressalta a necessidade de ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar com mais precisão a eficácia e a segurança a longo prazo da maconha.

O quadro regulamentar também fornece contexto para a descoberta. Desde novembro de 2018, o Reino Unido permite a prescrição de produtos à base de maconha para uso medicinal sob condições rigorosas. Um ano depois, o sistema de saúde lançou um registro oficial para documentar esses casos clínicos fora do contexto de ensaios controlados. O estudo publicado faz parte desse esforço para passar de evidências anedóticas para evidências documentadas.

Em um campo tão complexo como a saúde mental, onde os tratamentos combinam farmacologia, terapia e redes de apoio, a maconha pode ser mais uma peça do quebra-cabeça, mas não um atalho ou um substituto. Este estudo não responde definitivamente se os canabinoides funcionam, mas levanta a questão: em quem, com quais variedades, em que condições e com que riscos?

Referência de texto: Cáñamo

República Tcheca estabelece limites claros para o cultivo doméstico e a posse de maconha

República Tcheca estabelece limites claros para o cultivo doméstico e a posse de maconha

A partir de 1º de janeiro de 2026, a República Tcheca implementou um marco legal que, pela primeira vez em nível nacional, estabelece limites claros para o uso adulto de maconha, com restrições ao cultivo doméstico, quantidades máximas permitidas dentro e fora de casa e uma nova distinção entre infração administrativa e crime.

Durante anos, a maconha na República Tcheca oscilou entre a tolerância social, a punição desigual e uma gama de interpretações policiais e judiciais que frequentemente dependiam da opinião predominante. Em 2025, o próprio governo reconheceu que a reforma foi motivada pela necessidade de descriminalizar a planta e padronizar os critérios, incluindo a resolução do problema de muitas pessoas poderem ser penalizadas por uma infração menor, como o cultivo de algumas plantas, mas acabarem enfrentando acusações mais graves ao colher, secar ou processar o material.

As novas regulamentações trazem uma mensagem simples: indivíduos com mais de 21 anos não precisam mais de autorização para possuir maconha com mais de 1% de tetrahidrocanabinol (THC) em quantidades limitadas. O limite é de até 100 gramas dentro de casa (casa, apartamento ou outro espaço residencial) e até 25 gramas fora de casa. Da mesma forma, o cultivo, a colheita ou o processamento de até três plantas para uso pessoal são permitidos, desde que sejam feitos em propriedade própria ou sobre a qual o indivíduo possua outro direito legal.

Quando esses limites são ultrapassados, o texto abre um “corredor” de infrações administrativas para aqueles que, por exemplo, possuem mais de 100 gramas em casa ou mais de 25 gramas fora de casa, ou cultivam mais de três plantas. Mas, acima de certos níveis, a questão se enquadra diretamente no Código Penal, o que significa que cultivar mais de cinco plantas, ou possuir mais de 200 gramas em casa ou mais de 50 gramas fora de casa, pode constituir crime, com penas que incluem prisão e outras sanções.

Contudo, a reforma não cria um mercado regulamentado nem autoriza a venda a varejo de maconha para uso adulto, e o debate político sobre um modelo de fornecimento legal fica de fora do texto. Para alguns atores dentro do próprio campo das políticas de drogas, a medida é relevante, mas incompleta, uma vez que gera uma mudança de estatuto para os usuários sem encerrar a discussão fundamental sobre a regulamentação.

Em paralelo, o debate econômico está sendo repensado, especialmente porque uma análise acadêmica de cenários de legalização e regulamentação na República Tcheca estimou benefícios sociais líquidos anuais dentro de uma ampla faixa, dependendo da estrutura do mercado e da evolução dos preços.

A República Tcheca está implementando uma estratégia que reduz as penalidades criminais para o uso pessoal, restringindo assim a aplicação arbitrária que historicamente alimentou a criminalização. No entanto, isso deixa o cerne do problema sem solução, um problema diretamente relacionado ao controle do mercado informal sobre o fornecimento de drogas.

Referência de texto: Cáñamo

Estudo revela as origens dos canabinoides THC e CBD na maconha

Estudo revela as origens dos canabinoides THC e CBD na maconha

De onde vêm os conhecidos compostos da maconha, THC e CBD? Pesquisadores da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (Países Baixos) demonstraram experimentalmente, pela primeira vez, como a cannabis adquiriu a capacidade de produzir esses canabinoides. No processo, eles também desenvolveram enzimas promissoras para a produção biotecnológica de canabinoides em plantas de maconha para aplicações medicinais.

Um estudo, publicado no periódico científico Plant Biotechnology Journal, reconstruiu enzimas extintas que estavam ativas há milhões de anos em ancestrais da planta cannabis. Na maconha, as enzimas desempenham um papel fundamental na produção de canabinoides – compostos bioativos com potencial medicinal, entre outras aplicações.

Nas plantas de maconha modernas, os compostos bioativos distintos THC, CBD, CBC, entre outros, são produzidos por enzimas específicas e especializadas. Os pesquisadores de Wageningen mostram que nem sempre foi assim. O ancestral comum dessas enzimas era capaz de produzir vários canabinoides simultaneamente. Somente após duplicações genéticas durante a evolução da cannabis é que surgiram enzimas especializadas na produção de compostos específicos.

Os pesquisadores utilizaram uma técnica conhecida como reconstrução de sequência ancestral. Baseado no DNA de plantas modernas, esse método permite inferir a aparência das enzimas milhões de anos atrás. Essas “enzimas ancestrais” foram então recriadas em laboratório e testadas experimentalmente. O estudo fornece a primeira evidência experimental de que a biossíntese de canabinoides, como o THC, teve origem em um ancestral relativamente recente da cannabis e, posteriormente, tornou-se cada vez mais refinada.

O estudo demonstra como a pesquisa fundamental sobre o DNA vegetal pode aprofundar nossa compreensão da evolução, além de viabilizar aplicações inovadoras. As enzimas ancestrais reconstruídas mostraram-se mais fáceis de produzir em microrganismos, como células de levedura, do que suas contrapartes modernas. Isso é significativo, visto que os canabinoides são cada vez mais produzidos por meio de abordagens biotecnológicas.

“O que antes parecia ‘inacabado’ do ponto de vista evolutivo revela-se extremamente útil”, afirma o pesquisador da WUR, Robin van Velzen, que conduziu o estudo em conjunto com sua colega Cloé Villard. “Essas enzimas ancestrais são mais robustas e flexíveis do que suas descendentes, o que as torna pontos de partida muito atraentes para novas aplicações em biotecnologia e pesquisa”.

Como exemplo, Van Velzen aponta para um dos ‘intermediários evolutivos’ reconstruídos que produz CBC de forma muito específica – um canabinoide conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. “Atualmente, não existe nenhuma planta de cannabis com um teor naturalmente elevado de CBC. A introdução dessa enzima em uma planta de cannabis poderia, portanto, levar a variedades medicinais inovadoras”.

Referência de texto: Wageningen University

EUA: usuários estão sendo presos injustamente por supostamente dirigirem sob o efeito de maconha, revela estudo

EUA: usuários estão sendo presos injustamente por supostamente dirigirem sob o efeito de maconha, revela estudo

Leis que visam prevenir a condução sob o efeito da maconha em quase 20 estados dos EUA estão fazendo com que pessoas inocentes, que não apresentam sinais de comprometimento das faculdades mentais, sejam criminalizadas e presas por supostamente dirigirem veículos sob a influência da planta, revela um novo estudo financiado pelo governo do país.

Legisladores e reguladores que visam reduzir a condução sob o efeito de drogas têm procurado aplicar há muito tempo uma estratégia já conhecida da fiscalização do álcool: estabelecer um limite numérico de THC na corrente sanguínea, acima do qual se presume que um condutor esteja incapacitado, geralmente referido como uma quantidade “per se”.

Mas o novo estudo sugere que essa abordagem pode estar bastante desalinhada com a ciência relacionada aos efeitos da maconha, cujos componentes e metabólitos podem permanecer no corpo por dias ou semanas após o uso — quando os efeitos da cannabis já não são mais um problema.

“Muitos usuários regulares de cannabis ultrapassam a tolerância zero e as concentrações de THC consideradas normais dias após o último uso, correndo o risco de consequências legais, mesmo sem evidências de comprometimento das faculdades”, constatou o estudo, publicado na revista científica Clinical Chemistry e parcialmente financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e pelo Estado da Califórnia.

Os resultados corroboram pesquisas anteriores que mostram ligações fracas ou inconsistentes entre os níveis de THC no sangue e o risco de acidentes. Grandes estudos epidemiológicos constataram que, embora o uso de maconha possa aumentar ligeiramente o risco de colisões, o efeito é muito menor do que o do consumo de álcool.

“Um dos principais problemas com o uso das concentrações de THC na legislação per se é que a farmacocinética do THC é muito diferente da do etanol”, escreveram os pesquisadores.

Os autores observaram que o álcool geralmente não pode ser detectado de 1 a 2 dias após a última ingestão, enquanto o THC pode ser medido até 30 dias após o último uso devido à sua natureza lipofílica.

Para gerar os dados, os pesquisadores estudaram 190 consumidores frequentes que foram instruídos a se abster de cannabis por 48 horas. Após esse período de vários dias, as concentrações de THC no sangue dos participantes foram medidas antes e depois do consumo de maconha para estabelecer valores de referência. Eles também foram observados usando um simulador de direção.

“As concentrações sanguíneas de cannabis atualmente utilizadas para identificar motoristas sob efeito da droga podem levar pessoas inocentes à prisão”, afirmou em um comunicado à imprensa a Associação de Diagnóstico e Medicina Laboratorial, que publica o periódico no qual o estudo foi apresentado.

“As leis sobre limites de concentração de cannabis no sangue carecem de credibilidade científica e não são um indicador preciso de quando os motoristas devem ou não enfrentar acusações criminais”.

Os autores do estudo concluíram que “é necessário realizar mais pesquisas para determinar a melhor forma de identificar motoristas que estejam sob o efeito de cannabis e que não sejam seguros para dirigir”.

“Apesar das evidências mostrarem que não há correlação entre a detecção de THC no sangue e a capacidade de dirigir, 6 estados nos Estados Unidos têm leis que definem automaticamente o limite de 2 ou 5 ng/mL de THC como limite para dirigir sob a influência de cannabis, enquanto 12 têm leis de tolerância zero”, diz o comunicado de imprensa da revista.

Os autores, afiliados à Universidade da Califórnia, em San Diego, alertaram que são necessárias mais pesquisas, afirmando que “atualmente, o melhor protocolo é uma combinação de observações em campo e testes toxicológicos”.

Um estudo separado, realizado no ano passado, não encontrou “nenhuma evidência de que a legalização da maconha tenha aumentado os comportamentos e atitudes de tolerância em relação à direção após o uso da droga”. De autoria de pesquisadores do Nationwide Children’s Hospital e da Universidade Estadual de Ohio (também nos EUA), o estudo utilizou dados de uma pesquisa nacional sobre segurança no trânsito.

Referência de texto: Marijuana Moment

O Planet Hemp virou lenda – e acompanhamos tudo de perto! Assista

O Planet Hemp virou lenda – e acompanhamos tudo de perto! Assista

A convite do amigo e mestre BNegão, tivemos a honra de acompanhar um dos shows da turnê “A Última Ponta” que marcou o gurufim da ex-quadrilha da fumaça. A celebração de encerramento da banda aconteceu no dia 15/11/2025 no Allianz Parque em São Paulo.

Do Garage ao Grammy até o Allianz Parque lotado, a banda underground que chegou com o pé na porta do mainstream, fez uma apresentação histórica que ficará guardada na mente de todos que fizeram parte desse movimento chamado PLANET HEMP.

Com BNegão e Marcelo D2 nos vocais, Formigão no baixo, Pedro Garcia na bateria, Nobru na guitarra, DJ Castro nas pick-ups e Daniel Ganjaman nos teclados/guitarra/vocal, o show contou com a participação mais que especial do camisa 11 do Planet, Black Alien. Além de Pitty, João Gordo, Zegon, Seu Jorge, Emicida e Apollo. A abertura ficou por conta do BaianaSystem, como o próprio BNegão disse, os sucessores das rodas do Planet.

Perguntamos ao público sobre a maior lição que eles aprenderam com o Planet. Trocamos uma ideia com Kamau e Rodrigo OGI sobre as influências da banda na carreira musical deles e as lições que as novas gerações de artistas devem continuar aprendendo com o legado do Planet. Ainda conversamos com BNegão e Daniel Ganjaman sobre como é ser um Planet Hemp e quais lições eles também aprenderam com as vivências nas mais de 3 décadas da banda.

Um misto de emoções, tal como fumar o último baseado da última flor da colheita de uma planta que você não terá outro exemplar idêntico. Ainda faltam palavras para descrever o que vivemos ali. Só podemos dizer que foi uma honra e privilégio imenso poder acompanhar de perto uma das mais icônicas bandas do Brasil – e a maior banda de ativismo canábico do nosso país!

MUITO OBRIGADO PLANET HEMP!

A partir daqui o baseado foi passado e a gente continuará a luta que vocês começaram!

Nosso máximo respeito, até a última ponta…e além!

APOIO:
Gato Preto Tabacaria
Emporium Smoke

EQUIPE DABOA BRASIL:
Diego Brandon
Kauê Aguirre
Arthur Mruk

ASSISTA AGORA:

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