Os Estados Unidos são a principal lavanderia do narcotráfico em todo o mundo

Os Estados Unidos são a principal lavanderia do narcotráfico em todo o mundo

Dados mostram que de 20% a 30% dos fluxos ilícitos globais são lavados nos Estados Unidos, o país responsável pela “Guerra às Drogas” no mundo. Esse é também um dos pilares da economia do país norte-americano.

Os EUA são o epicentro das atividades de lavagem de dinheiro do narcotráfico, como demonstram diversos documentos oficiais de governos, inclusive o norte-americano.

Em primeiro lugar, os relatórios intitulados “Avaliação Nacional do Risco de Lavagem de Dinheiro de 2024”, “Avaliação Nacional do Risco de Financiamento do Terrorismo de 2024” e “Avaliação Nacional do Risco de Financiamento da Proliferação de 2024”, divulgados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, admitem vulnerabilidades na prevenção da lavagem de dinheiro vinculada ao narcotráfico no país.

Em segundo lugar, o “Relatório Anual 2023-2024 da Fintrac (Financial Transactions and Reports Analysis Centre of Canada)”, vinculado ao governo canadense, aborda elementos centrais sobre as atividades de lavagem e legitimação de capitais do crime e do terrorismo, descrevendo métodos e estratégias dessas práticas nos EUA.

Em terceiro lugar, o documento “Avaliação Nacional da Ameaça das Drogas 2025”, publicado pela Administração para o Controle de Drogas (DEA), vinculada ao governo estadunidense, descreve em detalhes a existência de um ecossistema financeiro ilegal que se sobrepõe ao sistema financeiro formal do país, facilitando a legitimação de capitais provenientes do tráfico de drogas.

Por fim, o “Relatório Mundial sobre Drogas de 2024”, publicado pela Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC), complementa esse panorama — com dados adicionais retirados do relatório correspondente ao ano de 2011.

Dados sobre o volume anual das atividades de lavagem de dinheiro

A lavagem de capitais derivados do narcotráfico é um dos pilares da economia dos EUA. Segundo estimativas da ONUDC, o comércio global de drogas ilícitas gera entre 426 e 652 bilhões de dólares por ano em lucros ilícitos.

Cerca de 20% a 30% dos fluxos ilícitos globais são lavados nos EUA e estão diretamente associados ao narcotráfico. Esse dado indica que o país é o principal beneficiário mundial da lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

O Departamento do Tesouro estima que aproximadamente US$ 300 bilhões sejam lavados anualmente (incluindo todas as atividades criminosas), com o narcotráfico contribuindo de forma desproporcional para esse total.

O aumento da lavagem de dinheiro no país está ligado ao boom do fentanil, droga vendida no varejo por meio de complexas redes de distribuição dentro do próprio território norte-americano.

Esses fundos não apenas perpetuam a violência e a corrupção, mas também financiam outras atividades criminosas, como o tráfico de pessoas e o terrorismo. O montante de dinheiro lavado equivale a cerca de 2,7% do PIB dos EUA, valor correspondente a metade do orçamento nacional destinado à educação.

De acordo com a ONUDC, cerca de US$ 100 bilhões provenientes da cocaína são lavados anualmente nos EUA. A agência também estima que US$ 60 bilhões ao ano sejam legitimados através da rede de lucros gerada apenas pelo fentanil e outras drogas sintéticas e opioides.

O mercado de maconha legal e ilegal no país movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano. Parte significativa dos capitais gerados pela maconha ilegal se infiltra no sistema financeiro da mesma forma que o produto ilícito se mistura com o legal. Assim, cerca de US$ 15 bilhões gerados pela maconha ilegal podem circular legitimamente na economia estadunidense.

Os dados desagregados sugerem que o valor total lavado pelo narcotráfico nos EUA oscila entre 150 e 190 bilhões de dólares por ano. Entre 2020 e 2024, cerca de US$ 312 bilhões foram canalizados pelas chamadas “redes chinesas” — estruturas financeiras e fundos de capital com sede na Ásia, interconectados a bancos norte-americanos. O Tesouro e sua Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) omitiram o papel das instituições financeiras estadunidenses nesse maciço fluxo de capitais.

Apesar de entre 20% e 30% dos recursos ilícitos do narcotráfico mundial serem lavados nos EUA a cada ano, em 2024 o país conseguiu interceptar apenas US$ 1,4 bilhão em operações relacionadas ao fentanil.

Embora as estimativas não sejam precisas, esse valor representa apenas entre 0,7% e 1,2% do total estimado de capitais lavados no país. Isso evidencia que, em 2024, os EUA não conseguiram detectar movimentações significativas no interior de suas próprias instituições bancárias.

O Wachovia Bank (atualmente Wells Fargo), o HSBC e o TD Bank foram multados por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro provenientes de diversas atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas.

Entre 2004 e 2007, o Wachovia lavou US$ 378 bilhões. O banco pagou uma multa de US$ 160 milhões e foi adquirido em 2007 pelo Wells Fargo. Em 2024, o TD Bank firmou um acordo privado para pagar US$ 1,3 bilhão ao Departamento de Justiça dos EUA por lavagem de dinheiro, segundo dados da FinCEN.

A ONUDC já admitiu, em relatórios como o de 2011, que mais de 90% dos capitais lavados globalmente pelo narcotráfico não são detectados nem confiscados — estatística que também se aplica aos EUA.

A extensa rede de relações econômicas do narcotráfico nos EUA

Nos EUA, um quilo de fentanil custa cerca de US$ 30 mil. Após ser fracionado para venda no varejo, esse mesmo quilo pode gerar até US$ 32 milhões, segundo a revista Forbes.

Como a droga entra no país por meio da importação, as organizações criminosas obtêm lucros iniciais com a venda por quilo, mas o varejo — altamente lucrativo — se desenvolve internamente, alimentando uma ampla rede que conecta traficantes, intermediários e consumidores.

A DEA omite deliberadamente essa realidade. Em seu relatório “Avaliação Nacional da Ameaça das Drogas 2025”, afirma que “a venda de drogas ilícitas gera bilhões de dólares em lucros para as Organizações Criminosas Transnacionais (OCT) e outras redes globais”, sem reconhecer explicitamente a presença dessas redes em solo estadunidense.

Mesmo assim, a agência admite a existência de “organizações de lavagem de dinheiro” dentro do país, que movimentam bilhões de dólares por ano por meio de sistemas paralelos ao ecossistema financeiro formal. O relatório menciona fundos de investimento asiáticos, criptomoedas, contas-espelho e contas bancárias convencionais baseadas em capitais lavados oriundos do tráfico de drogas.

O Departamento do Tesouro também reconhece essas organizações e descreve metodologias empregadas na lavagem de dinheiro:

“Os criminosos utilizam técnicas tradicionais e inovadoras para movimentar e ocultar ganhos ilícitos, promovendo atividades que prejudicam os americanos. Os crimes que mais geram ganhos lavados nos EUA continuam sendo a fraude, o tráfico de drogas, o crime cibernético, o tráfico de pessoas e a corrupção. O país ainda enfrenta riscos persistentes e emergentes de lavagem relacionados a: (1) uso indevido de pessoas jurídicas; (2) falta de transparência em transações imobiliárias; (3) ausência de cobertura integral das normas de combate à lavagem (AML/CFT) em certos setores, especialmente entre consultores de investimento; (4) profissionais cúmplices que abusam de suas funções; e (5) falhas de supervisão em algumas instituições financeiras regulamentadas”.

Tanto o Tesouro quanto a DEA admitem que os métodos digitais de movimentação financeira estão se equiparando ao uso de dinheiro vivo entre operadores criminosos. Em 2023, foram confiscados apenas US$ 17 milhões em espécie, e em 2024, 30 milhões — uma fração minúscula dos “bilhões de dólares” que circulam na economia do narcotráfico estadunidense.

Em outras palavras, em 2024, os EUA apreenderam em dinheiro proveniente do narcotráfico o equivalente a 0,1% do total estimado lavado em seu território.

Atores e métodos

Fundos de investimento e setor imobiliário

Vários fundos de investimento têm sido utilizados para legalizar capitais ilícitos, especialmente em atividades ligadas ao setor imobiliário. Segundo o Departamento do Tesouro, a compra e venda de imóveis é o principal mecanismo de lavagem de dinheiro nos EUA.

Entre 20% e 30% das transações imobiliárias residenciais no país são feitas em dinheiro vivo, e o próprio Tesouro reconhece não ter um número preciso.

Nos EUA, são vendidas cerca de 4 milhões de casas por ano. Considerando que 25% delas são compradas em dinheiro e o preço médio é de US$ 600 mil, isso representa US$ 600 bilhões movimentados anualmente no mercado imobiliário — parte significativa proveniente de atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas.

Lavadores de dinheiro frequentemente inflam ou subavaliam o preço dos imóveis em notas fiscais para justificar transferências de fundos ilícitos ou movimentar dinheiro através das fronteiras — prática comum em esquemas de lavagem baseada no comércio vinculados ao narcotráfico.

Agentes imobiliários, advogados, notários e funcionários de bancos costumam facilitar essas operações em troca de subornos. Um exemplo é o de um agente hipotecário em Tampa, que lavou mais de US$ 21,5 milhões em fundos do tráfico por meio de cheques bancários usados na compra de imóveis.

Compras de luxo

A aquisição de imóveis de alto valor, sobretudo em Nova York, Miami e Los Angeles, é um método recorrente de lavagem, pois permite legitimar grandes somas em uma única transação. Esses bens são frequentemente adquiridos por meio de fundos fiduciários ou empresas de fachada, nacionais ou estrangeiras, que ocultam a origem dos recursos.

O Departamento do Tesouro, contudo, não divulga estimativas oficiais sobre o volume de capitais lavados por meio dessas estruturas.

Cassinos e hotéis

Segundo o Tesouro, Las Vegas e Atlantic City, conhecidas por seus cassinos, são áreas altamente vulneráveis à lavagem de dinheiro oriunda do narcotráfico.

Os cassinos são suscetíveis a esse tipo de crime por causa da alta circulação de dinheiro vivo, das transações anônimas e da facilidade de converter fundos ilícitos em ativos aparentemente legítimos.

A lavagem ocorre principalmente nas fases de inserção — quando o dinheiro sujo entra no sistema — e estratificação — quando sua origem é ocultada —, até ser integrada ao sistema financeiro como lucro “legal”.

Lavadores de dinheiro ligados ao narcotráfico compram fichas de jogo com dinheiro vivo, fazem apostas mínimas (ou nenhuma) e depois trocam as fichas por cheques do cassino, transferências bancárias ou dinheiro “limpo”, apresentando os ganhos como legítimos.

Fundos ilícitos também são lavados por meio de apostas esportivas (online ou presenciais) e máquinas caça-níqueis, que geram recibos usados como prova de renda legal.

Em cassinos com múltiplos serviços — como hotéis e restaurantes —, é comum o uso de “transferências intrapropriedade”, movimentando recursos entre contas internas para mascarar sua origem.

Nem o Departamento do Tesouro nem a DEA divulgaram estimativas sobre os valores lavados em cassinos norte-americanos, o que evidencia opacidade nesse setor.

Operações bancárias

O Tesouro e a DEA consolidaram dados sobre Relatórios de Atividade Suspeita (SARs), que registram movimentações possivelmente ligadas ao crime.

No caso específico do fentanil, 57% dos relatórios se baseiam em operações bancárias convencionais, realizadas em instituições financeiras legalmente estabelecidas nos EUA.

Isso significa que, de cada 100 investigações sobre fentanil, 57 envolvem bancos tradicionais, enquanto 43 dizem respeito a operações em dinheiro vivo ou criptoativos.

Os dados indicam que a maioria dos pagamentos relacionados ao fentanil ocorre dentro do sistema bancário americano, permitindo que fornecedores e intermediários movimentem receitas ilícitas com pouca restrição.

Em 2024, o Tesouro identificou 1.246 contas bancárias com atividades suspeitas ligadas ao fentanil, totalizando US$ 1,4 bilhão em transações — montante equivalente ao preço de apenas 44 quilos de fentanil no varejo, segundo a Forbes.

Durante todo o ano de 2024, as agências de segurança dos EUA apreenderam cerca de 10 mil quilos de fentanil. Contudo, o governo ainda não apresentou uma estimativa confiável do volume real que circula no país — valor que pode ser oito vezes maior que o apreendido.

Outro dado que evidencia as falhas na política estadunidense de combate à lavagem vem do Fintrac, do Canadá. Em parceria com a Unidade de Inteligência Financeira do México, a agência investigou 5 mil contas bancárias suspeitas em 2023-2024 — um desempenho muito superior ao das autoridades estadunidenses, apesar de estas contarem com infraestrutura, recursos e tecnologia muito mais robustos.

Os números sugerem que os EUA ou são deliberadamente ineficientes ou o país desenvolvido menos eficaz no combate à lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico.

Referência de texto: Opera Mundi

A qualidade do solo influencia os compostos da maconha, mostra estudo

A qualidade do solo influencia os compostos da maconha, mostra estudo

Um estudo recente realizado na Pensilvânia (EUA) demonstrou que o manejo do solo agrícola impacta diretamente o perfil químico da cannabis, alterando significativamente os níveis de canabinoides e terpenos. Esta pesquisa investiga como o ambiente pode alterar a expressão química da planta, além de sua genética.

A equipe científica da Universidade Estadual da Pensilvânia cultivou duas variedades ricas em CBG — Tangerine e CBG Stem Cell — usando uma parcela com cultivo convencional e outra com culturas de cobertura de plantio direto, também conhecidas como solo vivo. Embora ambas as parcelas tenham recebido as mesmas condições climáticas, os solos apresentaram diferenças marcantes na saúde do solo, avaliadas por parâmetros como matéria orgânica, proteína do solo, respiração microbiana e carvão ativado.

Após a colheita, os buds foram processados ​​usando um método que utiliza dióxido de carbono de alta pressão para extrair seus compostos e, em seguida, resfriados em álcool para melhor separação dos ingredientes ativos. Os extratos foram então analisados ​​por um laboratório independente, que utilizou diferentes tipos de cromatografia para quantificar canabinoides e terpenos.

Os resultados mostraram que as condições do solo alteraram a proporção de fitocanabinoides. No caso da variedade Tangerine, o solo cultivado convencionalmente produziu extratos com níveis mais elevados de THC, enquanto a parcela coberta com cobertura morta gerou concentrações mais elevadas de CBDA. Na variedade CBG Stem Cell, a tendência foi parcialmente invertida, com mais CBD registrado em solos cobertos com cobertura morta e mais CBDA em solos cultivados. Em ambas as culturas, os solos cobertos com cobertura morta favoreceram a produção de CBG, um composto precursor de outros canabinoides.

Em relação aos terpenos, diferenças significativas também foram identificadas. Na parcela com cobertura vegetal, os perfis de terpenos foram mais consistentes entre as amostras, com uma leve tendência a concentrações mais elevadas. Em contraste, nos solos convencionais, os perfis apresentaram maior dispersão entre plantas da mesma variedade, sugerindo menor uniformidade química.

Essas descobertas têm implicações diretas para os cultivadores de cânhamo, especialmente em mercados regulamentados, onde os níveis de THC devem ser mantidos abaixo de certos limites legais. Além disso, destacam o potencial das práticas agrícolas regenerativas não apenas para conservar o meio ambiente, mas também para influenciar positivamente a qualidade e a estabilidade química da cannabis.

O que está claro é que a genética não é tudo, e o solo também contribui para a química da planta. Este estudo, nesse sentido, reforça a ideia de que o cultivo com práticas sustentáveis ​​pode contribuir para melhorar os perfis bioativos, reduzir riscos regulatórios e aumentar o valor da cultura. Para uma indústria da maconha que caminha em direção à rastreabilidade e à qualidade, o solo deve ser visto como um aliado estratégico fundamental.

Referência de texto: Cáñamo

Chile realiza o primeiro ensaio clínico com psicodélicos

Chile realiza o primeiro ensaio clínico com psicodélicos

O Hospital Clínico San Borja Arriarán (HCSBA), localizado na capital chilena, anunciou que o psiquiatra Aurelio Riquelme participou do primeiro estudo clínico no Chile utilizando terapia assistida com psicodélicos, aprovado pelo Ministério da Saúde. O projeto avaliará a eficácia, a aceitabilidade e a relação custo-efetividade da psilocibina no tratamento da depressão resistente a medicamentos, com implementação clínica dentro da Rede UC-Christus e em colaboração com a Universidade Adolfo Ibáñez.

A iniciativa faz parte de um prêmio público que atesta sua relevância científica e em saúde. De acordo com a Resolução, o projeto “Potencial da Psilocibina como Nova Ferramenta no Chile para o Tratamento da Depressão Resistente: Estudo Farmacoeconômico, Regulatório, de Eficácia e Aceitabilidade Local” é liderado pela Universidade Adolfo Ibáñez em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Chile e é o primeiro protocolo no país aceito pelo Ministério da Saúde (Minsal) para o uso de substâncias psicodélicas em pacientes chilenos.

Em termos clínicos, o estudo inclui três fases terapêuticas comuns neste tipo de intervenção: preparação, uma sessão de apoio e um trabalho de integração subsequente. De acordo com o hospital, o psiquiatra Aurelio Riquelme, chefe do Hospital-Dia do HCSBA, participará da avaliação precoce dos candidatos, com ênfase na detecção de contraindicações, como histórico de psicose. O estudo será realizado na Clínica San Carlos de Apoquindo (Rede UC-Christus), com equipes de psiquiatria e neurociência da UC e apoio do Serviço Central Metropolitano de Saúde.

O objetivo principal é tratar a depressão resistente, uma condição que afeta uma porcentagem significativa de pessoas que não respondem aos tratamentos convencionais. Evidências internacionais demonstram que ensaios com psilocibina para depressão grave relataram rápidas melhoras no humor sob protocolos com suporte psicoterapêutico e controles rigorosos de segurança. No entanto, a transposição para sistemas públicos requer a verificação não apenas da eficácia, mas também da aceitabilidade cultural e da avaliação econômica no contexto local.

A aceitação ministerial do protocolo estabelece um precedente para pesquisas envolvendo substâncias controladas no Chile e abre um canal institucional para a produção de evidências locais. Isso não equivale a uma aprovação terapêutica generalizada, pois, por enquanto, trata-se de pesquisa clínica regulamentada, com critérios de inclusão definidos, supervisão ética e monitoramento de riscos. Se os resultados forem positivos, a equipe buscará estender o escopo aos usuários do sistema público de saúde, de acordo com os planos delineados pelo próprio HCSBA.

A entrada de um hospital público chileno e de universidades na pesquisa clínica com psicodélicos marca uma mudança significativa. Se o estudo confirmar os benefícios clínicos e a viabilidade para a saúde, o Chile poderá avançar em direção a decisões informadas que priorizem direitos, saúde pública e redução de danos em detrimento do viés proibicionista.

Referência de texto: Cáñamo

Uso de maconha dominantes em THC e CBN, mas não em CBD, estão associadas à melhoria da qualidade do sono, mostram ensaios clínicos

Uso de maconha dominantes em THC e CBN, mas não em CBD, estão associadas à melhoria da qualidade do sono, mostram ensaios clínicos

Formulações de maconha contendo THC e CBN (canabinol) estão associadas à melhora da qualidade do sono, de acordo com os resultados de uma meta-análise publicada no periódico Sleep Medicine Reviews.

Pesquisadores brasileiros revisaram dados de seis ensaios clínicos randomizados envolvendo 1.077 participantes.

Os pesquisadores relataram que as intervenções baseadas em canabinoides “estão associadas a melhorias na qualidade do sono em indivíduos com ou sem insônia”. Mas eles alertaram que a inclusão de THC ou CBN impulsionou amplamente sua eficácia.

“Nossas descobertas indicam que apenas tratamentos que incorporaram THC e/ou CBN foram associados a uma melhora significativa nas avaliações subjetivas do sono em comparação com o placebo, enquanto intervenções com CBD isoladamente não demonstraram um efeito estatisticamente significativo”, relataram os pesquisadores. “Esses resultados corroboram a hipótese de que diferentes canabinoides podem exercer papéis distintos na modulação dos benefícios terapêuticos relacionados ao sono”.

“Os resultados são encorajadores e fornecem suporte para futuras investigações de terapias com canabinoides para o tratamento da falta de sono”, concluíram os autores do estudo.

Um em cada seis adultos nos EUA afirma usar maconha como auxiliar de sono, de acordo com dados de pesquisa compilados no início deste ano pela Harris Polling. Dados publicados na revista Complementary Therapies in Medicine relatam que a promulgação de leis de legalização da maconha para uso adulto está associada a reduções significativas nas vendas de auxiliares de sono de venda livre.

Referência de texto: NORML

Cientistas descobrem novo composto da maconha com “notáveis benefícios antioxidantes e anti-inflamatórios para a pele”

Cientistas descobrem novo composto da maconha com “notáveis benefícios antioxidantes e anti-inflamatórios para a pele”

O canabinoide, classificado como canabizetol (CBGD), mostra-se promissor para a expansão da base de conhecimento sobre o potencial terapêutico e medicinal da planta da maconha.

O canabizetol é formado quando duas moléculas canabinoides se unem por uma ponte de metileno, explicaram os pesquisadores em um novo artigo. Além de suas descobertas médicas promissoras, o canabizetol também é um dos compostos raros de uma classe conhecida como canabinoides diméricos, uma das quatro moléculas diméricas atualmente identificadas na cannabis.

“Demonstramos que o canabizetol exibe notável atividade antioxidante e anti-inflamatória cutânea, significativamente maior do que a observada para o canabinoide dimérico conhecido canabidiol (CBD)”, diz o estudo.

“Esses resultados destacam o canabizetol como um metabólito bioativo promissor com potenciais aplicações dermatológicas”.

Os autores italianos e suíços, escrevendo na edição de setembro de 2025 do periódico revisado por pares Journal of Natural Products, disseram que seus resultados “sugerem que entre os muitos canabinoides ainda desconhecidos também existem dímeros de outros canabinoides com pontes de metileno, incluindo dímeros compostos de dois canabinoides diferentes, com potenciais atividades biológicas de grande interesse”.

“A síntese de padrões analíticos pode ser útil para facilitar a identificação desses compostos em extratos de cannabis”, escreveram eles, acrescentando que “os compostos diméricos naturais são de considerável importância, pois permitem uma maior exploração do espaço químico, potencialmente levando a novas atividades biológicas além daquelas de seus respectivos monômeros”.

Os pesquisadores utilizaram diversos genes inflamatórios para testar a CBGD. Após um tratamento de seis horas, “a atividade anti-inflamatória das moléculas foi avaliada em 84 genes inflamatórios usando um conjunto de RT-PCR (RT 2 Profiler PCR Array Human Inflammatory Cytokines and Receptors, QIAGEN Srl, Hilden, Alemanha), conforme descrito anteriormente”, escreveram.

Os químicos examinaram o NF-κB, uma via molecular que parece servir como um interruptor mestre para a inflamação, dada a natureza prolífica do seu impacto em uma ampla gama de células que levam à condição. O canabinzetol pareceu apresentar potencial significativo para inibir a inflamação.

“Vários canabinoides demonstraram atividades biológicas, tornando a Cannabis sativa particularmente atraente como fonte de potenciais princípios ativos medicinais”, observaram.

Este estudo surge em um momento em que a sofisticação dos equipamentos de teste aumentou significativamente nas últimas décadas, permitindo aos cientistas estudar uma gama cada vez maior de canabinoides. O número de canabinoides conhecidos ultrapassa 100, embora muitos exijam estudos mais aprofundados para caracterizá-los.

“A atividade biológica significativa desses canabinoides diméricos nos levou a otimizar a abordagem sintética explorando a tecnologia de química de fluxo”, escreveram os autores.

Com base em pesquisas anteriores, este estudo é inovador. O principal composto intoxicante da planta da maconha, bem conhecido do público, é o THC, isolado e descoberto em 1964. Somente na década de 1990 o sistema endocanabinoide foi identificado em ratos e humanos. Com base nesse conhecimento, químicos isolaram outros compostos com potencial efeito terapêutico, incluindo o canabigerol (CBG) e o canabinol (CBN). Isso ocorre em um fluxo crescente de novas pesquisas sobre a classificação dos canabinoides.

Cientistas relataram em maio de 2025 que identificaram 33 “marcadores significativos” no genoma da cannabis que “influenciam significativamente a produção de canabinoides” — uma descoberta que, segundo eles, promete impulsionar o desenvolvimento de novas variedades de plantas com perfis específicos de canabinoides.

Além disso, pesquisadores anunciaram em abril de 2025 que identificaram com sucesso um novo canabinoide — cannabielsoxa — produzido pela planta de maconha, bem como uma série de outros compostos “relatados pela primeira vez nas flores de C. sativa”. A equipe de pesquisadores governamentais e universitários da Coreia do Sul também avaliou 11 compostos na cannabis para efeitos antitumorais em células de neuroblastoma, descobrindo que sete “revelaram forte atividade inibitória”.

Referência de texto: Marijuana Moment

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