por DaBoa Brasil | set 14, 2025 | Redução de Danos, Saúde
Há décadas, os consumidores de maconha debatem se usar um bong, onde a fumaça é puxada pela água antes da inalação, é mais seguro do que inalar a fumaça de um baseado. A sabedoria popular há muito tempo defende que a filtragem da água proporciona uma experiência de consumo mais limpa e menos prejudicial.
Mas um novo estudo, realizado por autores afiliados à Universidade de Wisconsin-Madison e na Tailândia, conclui que “a água do bong não parece filtrar significativamente nenhum composto da fumaça”.
Para o estudo, os pesquisadores analisaram a composição química da fumaça de três variedades populares de maconha — Bubble Gum, Silver Haze e Hang Over OG — quando consumidas em baseados e bongs. Utilizando cromatografia gasosa com espectrometria de massas (GC-MS), um aparelho altamente sensível que identifica compostos químicos por seu peso molecular, eles procuraram diferenças na fumaça final queimada.
Os resultados para ambos os métodos de consumo foram quase idênticos. A água do bong não removeu completamente nenhum dos compostos detectados na faixa de medição do instrumento. O estudo não encontrou compostos que aparecessem apenas na fumaça do baseado e não na fumaça do bong, sugerindo que a água não capturou totalmente nenhum componente dentro da faixa de tamanho testada.
Os resultados da cromatografia gasosa com espectrometria de massas, tanto da fumaça do bong quanto da do baseado, mostram uma composição de fumaça semelhante. Nenhum composto entre 5 e 350 g/mol foi completamente filtrado pela água do bong.
Os pesquisadores observam no artigo, publicado como pré-impressão no bioRxiv, que seus métodos não conseguiram capturar partículas maiores, aerossóis ou metais — ou seja, coisas que a água poderia capturar. Ainda assim, as descobertas lançam dúvidas sobre a ideia de que um bong reduz significativamente a exposição a produtos químicos nocivos.
“Embora a eficácia da filtragem do bong não esteja clara, este estudo esclarece a composição química da fumaça da cannabis”, concluíram.
O estudo também se mostra promissor para compostos detectados em concentrações mais elevadas. Eles observam que a prevalência de β-cis-cariofileno, que esteve consistentemente presente nas maiores quantidades, sugere “possível importância fisiológica, apesar da pesquisa limitada em comparação com THC e CBD”. Eles acrescentaram que o composto “possui potencial atividade anti-inflamatória, antibiótica, antioxidante, anticancerígena e anestésica local”.
Os pesquisadores argumentam que um dos maiores obstáculos na ciência da maconha é a falta de ferramentas padronizadas para medir o que realmente está presente na fumaça. A pesquisa sobre tabaco, por outro lado, baseia-se em décadas de métodos padronizados que permitem comparar baseados de diferentes marcas e países.
“Estabelecer abordagens analíticas padronizadas poderia dar suporte a avaliações mais precisas da qualidade da cannabis, riscos à saúde e potencial terapêutico, ao mesmo tempo em que permitiria comparações entre variedades, métodos de cultivo e esforços globais de pesquisa”, escreveram eles.
Os autores alertam sobre as restrições metodológicas, incluindo o tamanho da amostra e a perda de fumaça durante a coleta. O GC-MS da Agilent apresentou capacidade limitada para “detectar partículas maiores, aerossóis e íons metálicos, o que restringiu conclusões definitivas sobre a eficácia da filtragem em bongs. No entanto, os resultados destacam que a fumaça da cannabis contém um perfil reprodutível de compostos, tanto nocivos quanto potencialmente benéficos”, escreveram.
Os pesquisadores enfatizam que métodos mais padronizados — como melhores maneiras de medir aerossóis maiores e analisar a própria água do bong — serão necessários para tirar conclusões mais firmes.
O estudo não foi revisado por pares. Além disso, os autores retiraram recentemente o artigo “porque pode haver um conflito burocrático devido ao local onde a pesquisa foi realizada”, afirma uma atualização no site bioRxiv.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | set 13, 2025 | Cultivo
Biocontroles microbianos, como Trichoderma e Bacillus, podem suprimir patógenos comuns das plantas de maconha, como o oídio, Botrytis e Fusarium. Eles funcionam melhor quando aplicados de forma direcionada, precoce e consistente, tanto por meio de irrigação do solo quanto de pulverizações foliares. Os melhores resultados são alcançados quando combinados com um plano de manejo integrado de pragas que inclui controle ambiental, higiene e reaplicações periódicas.
Tanto em ambientes internos quanto externos, as plantas de maconha são vulneráveis a múltiplos problemas: deficiências de nutrientes, pragas e infecções microbianas. Entre todas essas ameaças, os fungos patogênicos se destacam por sua gravidade, pois podem arruinar plantações inteiras e matar plantas inteiras.
Diante de seus efeitos devastadores, muitos cultivadores recorrem a produtos químicos agressivos para proteger suas plantas contra patógenos como o Oídio, Botrytis e Fusarium. No entanto, cada vez mais cultivadores estão recorrendo a métodos orgânicos e ecologicamente corretos para manter a saúde e a produtividade de suas plantas. Usado corretamente, o controle orgânico de pragas na maconha ajuda a manter essas temidas doenças fúngicas sob controle.
O que são agentes de biocontrole microbiano?
O controle biológico de pragas na maconha não se limita ao plantio de plantas companheiras ou à liberação de insetos benéficos. Essa estratégia holística também inclui a aplicação de diversos fungos e bactérias que ajudam a prevenir e combater doenças nas plantas em nível celular.
Avanços na microbiologia têm demonstrado que todos os organismos dependem de comunidades microbianas saudáveis e diversificadas para assimilar nutrientes e se defender contra doenças. Isso se aplica ao intestino humano, bem como às folhas, raízes e tecidos internos das plantas, incluindo a cannabis.
Ao aplicar micróbios benéficos, os cultivadores podem prevenir infecções fúngicas e combatê-las quando elas aparecem. Os principais aliados microbianos no cultivo de maconha incluem:
Trichoderma: presente em todos os solos, esse gênero de fungo estabelece relações mutualísticas com muitas plantas, colonizando seus tecidos e ajudando a combater patógenos comuns nas raízes.
Espécies de Bacillus: essas rizobactérias benéficas suprimem patógenos e pragas e melhoram a disponibilidade de nutrientes ao quebrar a matéria orgânica.
Endófitos: vivem dentro das folhas, raízes e sementes da maconha. Produzem compostos antifúngicos e antibacterianos e aumentam a tolerância da planta ao estresse.
Patógenos fúngicos comuns na maconha
Ao aprender a prevenir o mofo na maconha, é fundamental entender os micróbios benéficos mencionados acima. Mas também é crucial reconhecer os inimigos: essa combinação de conhecimento ajudará você a tomar melhores decisões de controle de pragas.
De todos os fungos que afetam a maconha, Botrytis, Fusarium e Oídio estão entre os mais comuns e perigosos.
Botrytis (podridão dos buds)
O Botrytis cinerea, mais conhecida como podridão dos buds, prospera em condições úmidas e mal ventiladas. Ela normalmente ataca durante o final da floração, quando buds densos criam microambientes com umidade retida.
Seu ciclo de vida começa com conídios aéreos (esporos assexuados) que germinam em tecidos vegetais com alta umidade superficial. As hifas então penetram nas folhas e liberam enzimas que destroem as células vegetais. Eventualmente, aparece como um mofo cinza e algodoado que cobre as flores de maconha e pode arruinar plantações inteiras.
Fusarium
Espécies de Fusarium, particularmente F. oxysporum e F. solani, são fungos de solo que causam murcha, podridão radicular e cancros do caule na cannabis. Seu ciclo de vida começa com clamidósporos ou macroconídios presentes no solo ou em restos de plantas infectadas, que germinam ao detectar exsudatos radiculares vivos.
As hifas de Fusarium entram por feridas ou aberturas naturais nas raízes, colonizando os tecidos vasculares. Uma vez dentro do xilema, produzem microconídios que ascendem com o fluxo de água, disseminando a infecção por toda a planta. Os sintomas incluem escurecimento vascular, clorose (amarelamento), murcha, crescimento atrofiado e até mesmo morte da planta.
Oídio
O oídio na maconha é causado principalmente por Golovinomyces cichoracearum e espécies relacionadas. São fungos biotróficos obrigatórios que penetram folhas e brotos para se alimentar de seus nutrientes.
Para se reproduzir, o oídio cobre a planta com esporos brancos e pulverulentos. Em casos graves, essa camada bloqueia a fotossíntese e contamina os brotos maduros.
Como os micróbios combatem os patógenos fúngicos
A agricultura está em crise. Desde a Revolução Verde, o uso excessivo de fertilizantes químicos e pesticidas danificou severamente os solos e as comunidades microbianas essenciais à sua fertilidade.
Portanto, pesquisadores estão revivendo métodos antigos e desenvolvendo novos para a agricultura orgânica, incluindo a maconha. Os avanços demonstram o papel crucial dos micróbios que vivem não apenas no solo, mas também dentro e sobre as plantas.
Um estudo de 2025 publicado na BMC Plant Biology conclui que “a filosfera, que inclui as superfícies das folhas e caules, é um dos maiores e mais diversos habitats microbianos da Terra, mas ainda é pouco estudada em suas interações planta-micróbio”.
Em vez de eliminar indiscriminadamente essas comunidades com produtos químicos tóxicos, o biocontrole microbiano atua de forma natural e seletiva.
Esses micróbios não apenas combatem doenças diretamente, mas também fortalecem as plantas contra patógenos. Por exemplo, Trichoderma produz compostos antimicrobianos e também torna as plantas mais resilientes, reduzindo o estresse, melhorando a absorção de nutrientes e aumentando a fotossíntese.
Como escolher os produtos microbianos certos
Para manejar adequadamente a filosfera ou rizosfera, é essencial considerar tanto o patógeno que você está atacando quanto as propriedades do biocontrole que você está aplicando. Os produtos mais comuns para proteger a cannabis do mofo incluem:
Trichoderma: excelente contra patógenos de raízes, como Fusarium e Pythium. Promove crescimento, produtividade e resistência ao estresse.
Bacillus subtilis: produz lipopeptídeos que destroem as membranas celulares dos fungos e competem por espaço e nutrientes. Eficaz contra oídio e Botrytis.
Bactérias lácticas: produzem ácido láctico, reduzindo o pH da superfície foliar e impedindo a germinação de patógenos. São úteis contra o oídio, embora o Oidioprot seja uma opção mais completa e eficaz.
Espécies de Chaetomium: produzem metabólitos antifúngicos, como quetoglobosinas e celulases, que degradam as paredes celulares. São eficazes contra Botrytis, oídio e Fusarium.
Métodos de aplicação e melhores práticas
Como usar Trichoderma para controlar Botrytis na maconha? Ou como aplicar bactérias lácticas contra o oídio? Aqui estão os métodos mais eficazes:
Corretivos de solo
A aplicação de biocontroles diretamente no solo cria uma barreira protetora ao redor das raízes, a principal porta de entrada para muitos fungos. Trichoderma e certas espécies de Bacillus colonizam a rizosfera, competindo e antagonizando patógenos como o Fusarium. Para evitar isso, é melhor realizar essa colonização antes da chegada dos fungos: misture os pós ao substrato inicial, aplique irrigação líquida nos estágios iniciais e reaplique ao longo do ciclo.
Pulverizações foliares
São altamente eficazes contra patógenos que colonizam a superfície das folhas, pois transportam os micróbios exatamente onde são necessários. As pulverizações com Bacillus subtilis formam um escudo vivo que libera compostos antifúngicos e ocupa os locais infectados. As bactérias lácticas, por outro lado, atuam diminuindo o pH das folhas infectadas, bloqueando a germinação dos esporos.
Idealmente, a pulverização deve ser feita no início da manhã ou no início da noite, reduzindo a degradação por UV e prolongando a umidade das folhas. São especialmente úteis contra oídio, Botrytis e outros patógenos transportados pelo ar.
Compatibilidade com hidroponia
Cultivos hidropônicos apresentam desafios para o biocontrole devido ao fluxo constante de nutrientes, protocolos de esterilização e baixo teor de matéria orgânica. Nem todos os microrganismos benéficos prosperam neste ambiente, mas algumas cepas de Bacillus e Trichoderma são formuladas para colonizar raízes mesmo em soluções nutritivas. Em hidroponia, as pulverizações foliares também são muito eficazes.
Prevenção e integração
A prevenção de infecções fúngicas na maconha não depende apenas da aplicação de micróbios: requer um plano integrado de manejo de pragas, no qual organismos benéficos atuem em conjunto com medidas culturais, ambientais e de higiene. Isso inclui:
Otimização Ambiental: manter a umidade relativa adequada reduz a germinação de Botrytis, oídio e esporos de Fusarium. A circulação constante de ar evita bolsões de umidade em copas densas.
Higiene e saneamento no cultivo: a limpeza é fundamental. Desinfete as ferramentas entre as áreas e limpe as tendas de cultivo entre os ciclos. Na hidroponia, higienize os reservatórios com frequência.
Manejo de nutrientes e solo: uma nutrição balanceada fortalece o sistema imunológico das plantas. Em solos vivos, a manutenção da matéria orgânica e da diversidade microbiana garante a exclusão competitiva de organismos nocivos a longo prazo.
Biocontrole microbiano na prática
O cultivo bem-sucedido de maconha exige conhecimento e adaptação, especialmente diante de infecções fúngicas. Compreender os patógenos, aproveitar os micróbios benéficos e integrar os controles culturais e ambientais permite manter as plantas saudáveis e maximizar a produtividade sem o uso excessivo de produtos químicos.
Estratégias baseadas em evidências, combinadas com a experiência pessoal, criam sistemas de cultivo resilientes e sustentáveis, capazes de prosperar mesmo em condições adversas. A incorporação de micróbios não apenas protege suas plantas contra doenças, como também melhora a fertilidade do solo, fortalece a saúde geral e aumenta a quantidade e a qualidade da sua colheita.
Referência de texto: Royal Queen
por DaBoa Brasil | set 12, 2025 | Política
Anutin Charnvirakul, o principal impulsionador da legalização da maconha na Tailândia, foi nomeado primeiro-ministro pelo Parlamento após um acordo político inesperado. Sua ascensão ao poder reabre o debate sobre o futuro da regulamentação da planta no país asiático.
Em um dia marcado por tensão política, o parlamento tailandês elegeu Anutin Charnvirakul, líder do partido Bhumjaithai e figura-chave no processo de descriminalização da maconha no país, como seu novo primeiro-ministro. A decisão veio após um acordo entre partidos conservadores e o influente clã Shinawatra, que garantiu os votos necessários para sua nomeação.
Charnvirakul alcançou reconhecimento internacional como o ministro da saúde que, em 2022, pressionou pela remoção da maconha da lista de narcóticos, permitindo seu cultivo e venda para fins não medicinais. Sob sua liderança, a Tailândia se tornou o primeiro país do Sudeste Asiático a adotar uma postura aberta em relação ao uso adulto da planta, embora sem uma estrutura regulatória clara.
A ascensão de Charnvirakul ao mais alto poder executivo pode definir o futuro da maconha na Tailândia, que atualmente enfrenta crescente pressão de setores que exigem uma legislação mais rigorosa. Desde a legalização parcial, os dispensários e negócios de cannabis proliferaram, criando tensões entre o setor empresarial emergente e os conservadores que criticam a suposta falta de supervisão.
Em suas primeiras declarações como primeiro-ministro, Charnvirakul afirmou seu compromisso com o “uso medicinal e econômico” da cannabis, sem dar sinais claros sobre uma possível regulamentação do uso adulto. Observadores políticos enfatizam que seu governo será forçado a equilibrar as pressões internas, especialmente diante da possibilidade de retrocessos em direitos e liberdades.
A ascensão de Anutin Charnvirakul ao poder marca uma reviravolta para o movimento pró-cannabis na Ásia, e particularmente na Tailândia. Embora seu histórico apoie a legalização do uso medicinal da maconha, seu papel como primeiro-ministro exigirá decisões que podem redefinir o lugar da planta na agenda política tailandesa.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | set 11, 2025 | Política, Saúde
Consumidores que se abstêm de maconha por 48 horas dirigem da mesma forma que os abstêmios, de acordo com dados de simulador de direção publicados no periódico Psychopharmacology.
Pesquisadores afiliados à Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) avaliaram o desempenho ao volante de uma coorte de 191 consumidores de maconha. Os participantes realizaram uma simulação de direção de 25 minutos após 48 horas de abstinência de cannabis. Na fase II do estudo, um subconjunto de consumidores quase diários foi comparado a controles que não usavam maconha.
“O estudo atual não demonstrou evidências de uma relação dose-efeito entre o desempenho de direção simulada após um breve período de abstinência”, relataram os pesquisadores. “O estudo atual também não demonstra evidências de efeitos residuais de curto prazo no desempenho de direção simulada ao comparar usuários frequentes de cannabis com um grupo de comparação saudável que não usava”.
Apesar da ausência de comprometimento psicomotor nos indivíduos, os pesquisadores reconheceram que alguns participantes testaram positivo para THC em níveis que os classificariam como “sob influência” em estados com tolerância zero ou limites de THC no sangue por si só. Isso ocorre porque o THC e seus metabólitos permanecem presentes nos fluidos corporais por longos períodos após a abstinência de maconha, enquanto os efeitos agudos da cannabis nas habilidades psicomotoras se dissipam em grande parte em poucas horas.
Os autores do estudo concluíram: “Em usuários regulares de cannabis que se abstiveram por ≥ 48 horas, não encontramos evidências de efeitos residuais da maconha no desempenho de direção simulada. Isso não incluiu relação entre o desempenho no simulador de direção e a intensidade do uso de cannabis, dias de abstinência ou concentrações de canabinoides, nem diferenças nessas medidas ao comparar os usuários mais frequentes de maconha com um grupo de comparação que não usava. Os resultados deste estudo têm implicações sobre como políticas futuras podem ponderar diferentes elementos de evidência na ausência de confirmação objetiva de intoxicação aguda por cannabis, como o histórico de uso de maconha ou o THC residual no sangue, em determinações cotidianas de direção sob efeito de álcool”.
Numerosos estudos já relataram a ausência de correlação entre a detecção de THC ou de seus metabólitos no sangue, urina, saliva e hálito e o comprometimento do desempenho ao dirigir. No entanto, vários estados promulgaram leis que criminalizam motoristas que operam veículos com traços de THC ou de seus metabólitos, independentemente de o motorista estar ou não sob efeito de álcool.
Referência de texto: NORML
por DaBoa Brasil | set 10, 2025 | Política, Redução de Danos
O governo da Cidade do México realocou as chamadas zonas 4:20 e estabeleceu três zonas de tolerância para o uso pessoal de maconha no centro da cidade e no Paseo de la Reforma. A medida, anunciada pela prefeitura e pela Secretaria de Governo da Cidade do México, visa regulamentar o uso de espaços públicos e reduzir conflitos na vizinhança.
Após workshops com grupos de usuários de maconha, a Secretaria de Governo (SECGOB) anunciou a “limpeza das vias públicas” nos locais que operam nas áreas do Metrô Hidalgo e da Avenida Juárez e a realocação ordenada das atividades para três espaços com menor tráfego de pedestres e veículos. Os novos locais são: a Praça da Conceição (Belisario Domínguez, próximo à esquina do Eixo Central); o espaço público do Monumento a Simón Bolívar (Paseo de la Reforma e Violeta); e a Praça de Leitura José Saramago (Circuito Interior e Reforma). Do lado de fora do Senado da República, apenas um estande de informações permanecerá aberto, sendo proibido fumar.
As regras de funcionamento retomam acordos anteriores com grupos, como acesso exclusivo para adultos, horário das 8h às 20h, permanência máxima de 40 minutos e capacidade limitada. A venda ou troca de maconha e o consumo de outras substâncias são proibidos, assim como o consumo de álcool, filmagens ou fotografias dentro das áreas. O limite máximo de posse individual reconhecido é de 28 gramas, em linha com o padrão estabelecido pela prática administrativa desde a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Para reforçar a redução de riscos e danos, cada zona contará com o apoio permanente de funcionários da SECGOB e módulos do Instituto de Atenção e Prevenção à Dependência Química (IAPA), além de postos de videomonitoramento. A Secretaria de Segurança Cidadã atuará como agente dissuasor para garantir o cumprimento dos acordos sem criminalizar os usuários.
A mudança nesses pontos 4:20 se deve ao fato de que, ao longo do tempo, os acampamentos estabelecidos desde 2021 têm gerado reclamações na vizinhança sobre comércio informal e outros comportamentos alheios ao objetivo original de conscientização sobre direitos. A prefeitura argumenta que a realocação busca equilibrar a livre circulação com a convivência diária em espaços públicos.
Em junho de 2021, o Supremo Tribunal de Justiça da Nação emitiu uma declaração geral de inconstitucionalidade que eliminou a proibição absoluta do uso de maconha por adultos na Lei Geral de Saúde e determinou que a autoridade sanitária emitisse autorizações administrativas. No entanto, o Congresso não aprovou uma estrutura abrangente, e essas “zonas de tolerância” persistem. Essas “zonas de tolerância” são, a rigor, uma estratégia local para gerenciar o espaço público e reduzir danos, que não representa a legalização total nem permite o comércio e a distribuição legal da maconha.
Referência de texto: Cáñamo
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