Uma nova pesquisa oferece alguns dos dados mais robustos até o momento, sugerindo que fumar maconha, pelo menos a curto prazo, reduz o consumo de álcool.

Os resultados foram publicados no American Journal of Psychiatry — e certamente levantarão questões sobre os méritos de trocar uma dessas substâncias por outra, especialmente considerando a crescente preocupação na área da saúde pública com a popularidade da maconha.

A pesquisa aproxima os cientistas da compreensão da ligação entre essas duas substâncias, em um momento em que muitas pessoas, principalmente em lugares legalizados, recorrem à maconha para reduzir o consumo de álcool.

“Este estudo realmente impulsiona a área ao ajudar a resolver uma das questões não resolvidas na literatura”, diz Jeff Wardell, professor de psicologia da Universidade de York. “Isso nos dá mais confiança de que existe um efeito real aqui”.

No estudo, liderado por Jane Metrik, professora de ciências comportamentais e sociais da Universidade Brown, a equipe se esforçou para replicar as circunstâncias da vida real de ficar chapado e beber, mantendo ao mesmo tempo um estudo rigorosamente controlado que pudesse apontar para uma relação causal.

Eles construíram um laboratório que lembra um bar, com assentos confortáveis ​​e uma torneira de chope, e garantiram que cada participante tivesse sua bebida alcoólica preferida à disposição.

“Queríamos garantir que, quando surgisse a oportunidade, você se sentisse realmente motivado a beber”, diz Metrik, que acabou passando um tempo considerável indo de loja em loja de bebidas em busca de safras e destilados especiais.

O experimento incluiu três sessões separadas. Em uma delas, os participantes fumaram um cigarro de maconha com níveis mais altos de THC; em outra, usaram uma variedade de menor potência; e na última, os pesquisadores administraram um placebo com uma quantidade ínfima de THC, insuficiente para causar qualquer efeito intoxicante.

Após fumarem em uma sala designada para fumantes, cada participante passou as duas horas seguintes no “laboratório do bar” por conta própria, onde tiveram a oportunidade de beber até oito drinques pequenos.

As pessoas que fumaram maconha de maior potência acabaram bebendo 27% menos álcool, e as de menor potência, cerca de 19% menos, em comparação com o placebo. As pessoas que usaram cannabis também adiaram o consumo de álcool.

“É um sinal importante que estamos detectando”, diz Metrik. “Isso nos indica que os canabinoides podem desempenhar um papel terapêutico potencial no transtorno por uso de álcool”.

Pesquisas anteriores sugeriram que a maconha pode reduzir a vontade de beber álcool e a quantidade consumida. No entanto, os resultados têm sido em grande parte inconclusivos, em parte porque os dados geralmente provêm de estudos observacionais, que são menos confiáveis ​​e podem ser influenciados por outros fatores. Estudos com animais também indicaram possíveis mecanismos biológicos por trás do efeito da maconha sobre o álcool; contudo, resta saber em que medida isso se aplica aos seres humanos.

O novo estudo também se baseia no que uma equipe de pesquisadores do Colorado relatou no início deste ano em um experimento ligeiramente diferente.

Lá, os participantes, em vez disso, buscavam a maconha em um dispensário, fumavam em casa e depois visitavam um laboratório móvel estacionado nas proximidades, onde lhes eram oferecidas bebidas alcoólicas.

A quantidade de bebida consumida pelas pessoas diminuiu em cerca de 25% quando elas já estavam sob o efeito da erva. A fissura também diminuiu.

“Todas essas descobertas estão convergindo para uma história semelhante”, diz Hollis Karoly, professora associada de psiquiatria da Universidade do Colorado Anschutz, que liderou o estudo. Mas ela ressalta que ainda existem grandes dúvidas sobre o quanto se pode extrapolar a partir dessas novas evidências.

Referência de texto: NPR

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