Uma revisão sistemática de estudos que avaliaram a maconha como tratamento para a dor concluiu que a planta provavelmente ajuda a reduzir a dor crônica.

A redução geral da dor foi pequena — diminuindo a dor em cerca de 1 ponto em uma escala de 1 a 10. No entanto, a maioria dos analgésicos convencionais, incluindo ibuprofeno e opioides, apresenta desempenho semelhante em ensaios clínicos randomizados e controlados.

Mas é provável que a revisão decepcione os vendedores de CBD em uma conclusão: constatou-se que o efeito de redução da dor só ocorreu com produtos que continham uma quantidade significativa de tetrahidrocanabinol, ou THC, um dos dois principais compostos da maconha.

O Oregon foi o primeiro estado dos EUA a descriminalizar a planta e um dos primeiros a legalizá-la para uso medicinal e, posteriormente, para uso adulto.

A revisão, liderada por pesquisadores da Universidade de Saúde e Segurança de Ohio (OHSU) e publicada nos Anais de Medicina Interna, analisou os resultados de 25 ensaios clínicos randomizados sobre o uso de maconha como tratamento para dor na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. O estudo foi financiado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, como um acompanhamento de uma síntese anterior das evidências sobre cannabis e dor.

Nos últimos anos, pacientes com dor crônica e alguns pesquisadores depositaram suas esperanças no CBD como um tratamento potencial que poderia reduzir a dor sem induzir uma sensação indesejada de euforia ou outros efeitos intoxicantes.

Produtos com CBD, como gomas, tinturas e pomadas, proliferaram, e alguns têm sido comercializados para alívio da dor em lugares legalizados.

Roger Chou, professor e especialista em tratamento da dor na OHSU e principal autor da revisão, afirmou que os produtos contendo CBD tiveram apenas um efeito insignificante sobre a dor em ensaios clínicos randomizados controlados.

“A ideia, ou esperança, era que o componente CBD fosse o responsável pelos efeitos terapêuticos”, disse Chou. “Infelizmente, descobrimos que os produtos com CBD praticamente não tiveram impacto na dor”.

A análise constatou que produtos com quantidades iguais de THC e CBD, ou com maior teor de THC, embora um tanto eficazes na redução da dor, apresentavam maior probabilidade de causar efeitos colaterais como náuseas, sedação e tonturas.

Chou afirmou que os medicamentos para dor crônica têm um histórico de resultados insatisfatórios.

Segundo ele, estudos controlados demonstraram que a maioria funciona tão bem quanto intervenções não farmacêuticas, como exercícios, massagem e manipulação da coluna vertebral.

“Estamos descobrindo cada vez mais que esses tratamentos não funcionam tão bem quanto pensávamos. Mas isso é parte do que motivou a busca por outras alternativas que possam funcionar melhor”, disse ele.

Referência de texto: OPB

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