Um novo estudo publicado no Journal of Ethnopharmacology sugere que vários compostos não psicoativos encontrados na maconha podem ter efeitos anti-inflamatórios significativos, principalmente quando combinados com outros componentes naturalmente presentes na planta. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Química e Tecnologia e da Academia de Ciências da República Tcheca.

Pesquisadores examinaram 10 fitocanabinoides não psicotrópicos principais derivados da maconha. O objetivo era avaliar as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes individuais desses compostos, bem como verificar se eles atuam com maior eficácia quando combinados com matrizes vegetais não canabinoides, como frações polares, apolares e terpenoides.

Utilizando células THP-1 diferenciadas em macrófagos, a equipe mediu a inflamação rastreando a produção de citocinas pró-inflamatórias e a ativação da via NF-κB, um regulador chave das respostas imunes. Todos os fitocanabinoides testados apresentaram algum nível de atividade anti-inflamatória. O canabidivarina, ou CBDV, destacou-se por reduzir significativamente os níveis de IL-6 e TNF-α, além de suprimir a ativação do NF-κB.

O estudo também avaliou a atividade antioxidante. Vários fitocanabinoides, particularmente as formas ácidas, apresentaram forte capacidade de absorção de radicais de oxigênio. No entanto, nenhum demonstrou atividade antioxidante celular significativa, o que os pesquisadores atribuíram à biodisponibilidade limitada no modelo celular.

Notavelmente, as combinações de fitocanabinoides com matrizes derivadas de plantas produziram efeitos anti-inflamatórios sinérgicos. As misturas contendo canabigerol ou canabinol estiveram entre as mais potentes.

“Todos os fitocanabinoides testados demonstraram efeitos anti-inflamatórios; em particular, o canabidivarina (CBDV) reduziu a produção de IL-6 e TNF-α e também inibiu a ativação do NF-κB”, afirma o estudo. “Diversos fitocanabinoides, especialmente suas formas ácidas, exibiram alta capacidade de absorção de radicais de oxigênio (ORAC), mas nenhum apresentou atividade antioxidante celular (CAA) significativa, possivelmente devido à baixa biodisponibilidade. É importante ressaltar que várias misturas de fitocanabinoides e matrizes apresentaram efeitos anti-inflamatórios sinérgicos, sendo as combinações contendo canabigerol (CBG) ou canabinol (CBN) particularmente potentes”.

Os pesquisadores concluíram dizendo: “Essas descobertas destacam o potencial de fitocanabinoides menos conhecidos, especialmente em combinação com componentes específicos da matriz da Cannabis sativa L., para modular a via inflamatória, apoiando seu desenvolvimento como ingredientes funcionais para o controle da inflamação crônica associada ao intestino”.

Referência de texto: The Marijuana Herald

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