O aumento repentino da “larica” após o uso de maconha não é imaginário, e novas pesquisas sugerem que se trata de uma resposta cognitiva que ocorre independentemente de sexo, idade, peso ou consumo recente de alimentos — descobertas que, segundo os pesquisadores, podem oferecer pistas para ajudar pessoas que lutam contra a perda de apetite.
Um estudo colaborativo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington e da Universidade de Calgary foi recentemente publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences) dos EUA.
“Existem muitas doenças, condições e distúrbios diferentes associados a síndromes de emagrecimento e falta de apetite, e este estudo realmente apoia a ideia de que a cannabis pode ser usada medicinalmente para aumentar o apetite em pessoas que têm doenças como HIV, AIDS ou que estão em quimioterapia”, disse Carrie Cuttler, professora de psicologia da WSU.
A pesquisa foi liderada em parte por Cuttler, que dirige o Laboratório de Saúde e Cognição da WSU, e pelo professor Ryan McLaughlin, da Faculdade de Medicina Veterinária da WSU. Os pesquisadores da Universidade de Calgary, Matthew Hill e Catherine Hume, realizaram uma série de estudos semelhantes usando um modelo com ratos.
O ensaio clínico em humanos examinou 82 voluntários com idades entre 21 e 62 anos da região metropolitana de Pullman. Os participantes foram selecionados aleatoriamente para vaporizar 20 ou 40 miligramas de maconha ou um placebo, que serviu como grupo de controle.
“O estudo em humanos descobriu que, independentemente do índice de massa corporal, do horário da última refeição, do sexo ou da quantidade de cannabis consumida, os participantes que usaram maconha durante o estudo comeram significativamente mais”, disse McLaughlin.
Os pesquisadores também monitoraram quais alimentos os participantes desejavam. Das opções disponíveis — que variavam de carboidratos a proteínas e salgadinhos gordurosos — alguns itens foram mais populares do que outros.
“A carne seca era uma das coisas mais procuradas por pessoas chapadas, o que eu não entendo. Honestamente, eu teria pensado em chocolate, batatas fritas, barrinhas de arroz crocante — coisas assim”, disse Cuttler, acrescentando que a água também estava no topo da lista de itens desejáveis.
Em um estudo com ratos realizado na Universidade de Calgary, pesquisadores expuseram os animais à maconha em um ambiente controlado e ofereceram diversas opções de alimento. Os ratos precisavam puxar uma alavanca para receber a comida. Os pesquisadores descobriram que, independentemente do alimento oferecido, os ratos sob o efeito da substância consistentemente trabalhavam para obtê-lo.
Referência de texto: Komo News
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