De acordo com um novo estudo publicado na revista Pharmaceuticals, diversos compostos derivados da maconha podem ajudar a interromper múltiplas vias biológicas envolvidas na progressão do câncer de pele.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Moulay Ismail, da Universidade Hassan II de Casablanca, em Marrocos, e da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. Seu trabalho focou em três principais vias de sinalização conhecidas por impulsionar o crescimento e a disseminação do câncer de pele: EGFR, BRAF V600E e TGF-β. Essas vias desempenham um papel central na proliferação, invasão e metástase das células tumorais.
Utilizando modelagem computacional avançada, a equipe de pesquisa analisou 49 fitoquímicos encontrados na Cannabis sativa para determinar a eficácia com que eles poderiam se ligar e bloquear esses alvos que impulsionam o câncer. A avaliação incluiu acoplamento molecular para medir a força de ligação, bem como modelagem farmacocinética e de segurança para avaliar como os compostos poderiam se comportar no organismo.
Diversos compostos derivados da maconha demonstraram forte afinidade de ligação às proteínas-alvo, formando interações estáveis com regiões críticas dos receptores relacionados ao câncer. A equipe então conduziu simulações de dinâmica molecular prolongadas, com duração de 200 nanossegundos, para examinar a estabilidade dessas interações ao longo do tempo. Cálculos adicionais de energia de ligação corroboraram ainda mais a força e a estabilidade dos compostos mais promissores.
De acordo com os resultados, vários fitoquímicos da cannabis demonstraram segurança favorável e propriedades semelhantes a medicamentos nas simulações, sugerindo que eles poderiam servir como moduladores multialvo contra sinais oncogênicos importantes envolvidos no câncer de pele.
Embora os resultados sejam baseados em modelagem computacional e não em testes laboratoriais ou clínicos, os pesquisadores afirmam que os dados fornecem uma base mecanística para futuros estudos in vitro e para o potencial desenvolvimento de terapias derivadas da maconha voltadas para o tratamento específico do câncer de pele.
Os autores concluem que a cannabis pode representar uma fonte promissora de compostos capazes de interferir simultaneamente em múltiplas vias promotoras do câncer, embora seja necessária uma validação experimental adicional.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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