Um estudo publicado recentemente pela revista Phytomedicine descobriu que um óleo essencial de maconha reduziu a dor, melhorou a mobilidade e aliviou sintomas semelhantes à ansiedade e à depressão em um modelo animal de esclerose múltipla. Os pesquisadores afirmam que os efeitos parecem ser mediados pelo receptor CB2.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Florença e da Universidade de Modena e Reggio Emilia, na Itália. Ele examinou o potencial terapêutico do óleo essencial da planta de maconha em camundongos com encefalomielite autoimune experimental, um modelo amplamente utilizado para o estudo da esclerose múltipla.
Pesquisadores descobriram que os compostos mais abundantes do óleo eram β-cariofileno, α-humuleno e óxido de cariofileno. Quando administrado por via intranasal, o óleo essencial reduziu significativamente a hipersensibilidade térmica e mecânica, além de melhorar a função motora. O tratamento também produziu efeitos antidepressivos e ansiolíticos, sugerindo benefícios que vão além do alívio da dor.
Os resultados indicam que o óleo também pode ajudar a proteger o tecido nervoso. Os pesquisadores relataram que o tratamento aumentou os marcadores ligados à preservação da mielina, ao mesmo tempo que reduziu os danos teciduais e a inflamação na medula espinhal e no hipocampo. O óleo também pareceu direcionar a atividade imunológica de forma favorável, reduzindo a microglia pró-inflamatória, restaurando o equilíbrio entre IL-17 e IL-10 e aumentando a expressão de marcadores associados a uma resposta anti-inflamatória.
De acordo com o estudo, o óleo essencial aumentou significativamente a expressão do receptor CB2 tanto no modelo animal quanto nas células imunes estimuladas. Seus efeitos protetores foram bloqueados por um antagonista de CB2, mas não por um bloqueador de CB1, indicando que os benefícios foram mediados especificamente pelo CB2, e não pelo receptor associado aos efeitos psicoativos da maconha.
Pesquisadores concluíram que o óleo essencial de cannabis administrado por via intranasal pode ajudar a aliviar os sintomas e comorbidades relacionados à esclerose múltipla, reduzindo a neuroinflamação e a desmielinização por meio de um mecanismo dependente do receptor CB2. Embora os resultados sejam pré-clínicos e precisem ser confirmados em estudos com humanos, eles corroboram as crescentes evidências de que outros compostos da cannabis, além do THC e do CBD, também podem ter potencial medicinal.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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