Pacientes que sofrem de demência associada à doença de Alzheimer (DA) apresentam melhorias cognitivas após o uso contínuo de extratos de canabinoides derivados de plantas (não sintético), de acordo com dados de ensaios clínicos controlados por placebo publicados no Journal of Alzheimer’s Disease.

Uma equipe internacional de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos comparou a eficácia de extratos de maconha em baixa dose versus placebo em 28 pacientes com demência associada à doença de Alzheimer. Os participantes do estudo consumiram diariamente, durante 26 semanas, um extrato com equilíbrio de THC e CBD ou um placebo. O desempenho cognitivo dos pacientes foi avaliado no início do estudo e após 4, 8, 12 e 26 semanas.

Os pacientes que receberam o placebo apresentaram uma diminuição geral no desempenho cognitivo, enquanto aqueles que receberam maconha mostraram melhorias cognitivas. Os pesquisadores descreveram a eficácia da cannabis como “superior” à dos medicamentos tradicionais para Alzheimer. Não foram detectadas diferenças significativas entre o grupo placebo e o grupo que usou maconha em termos de eventos adversos.

“Neste ensaio clínico, relatamos que a administração de doses muito baixas de extrato de cannabis a pacientes com Alzheimer (…) aliviou significativamente a perda cognitiva durante um período de acompanhamento de 6 meses, em comparação com o grupo placebo”, concluíram os autores do estudo. “Considerando que a progressão do Alzheimer acentua o declínio cognitivo, conseguimos, com o tratamento com cannabis, uma estabilização notável da doença em um período de seis meses”.

Este estudo é o ensaio clínico mais longo já realizado para avaliar o efeito da maconha em pacientes com demência associada à doença de Alzheimer.

De acordo com as conclusões de um artigo de revisão publicado no mês passado no Journal of Psychopharmacology, “os canabinoides demonstram um potencial promissor no controle de sintomas como agitação e agressividade em pessoas com demência, apresentando um perfil geral de segurança e tolerabilidade favorável”.

Pacientes que sofrem de câncer, transtorno de ansiedade generalizada e outras condições também apresentaram melhorias cognitivas após o tratamento com canabinoides.

Referência de texto: NORML

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