Uma pesquisa realizada em uma clínica para adultos com fibrose cística em Vancouver, Canadá, constatou que o uso de maconha é comum entre esses pacientes. O estudo, publicado no BMJ Open Respiratory Research, relata que 43% dos entrevistados eram usuários atuais.
A fibrose cística é uma doença genética crônica que afeta principalmente os sistemas respiratório e digestivo, causando estresse persistente, problemas de sono e alterações no apetite. No entanto, embora o uso medicinal da maconha tenha sido cada vez mais incorporado como prática de autocuidado, raramente é discutido abertamente sobre o assunto.
Esse fenômeno foi observado pela equipe canadense que desenvolveu e enviou um questionário eletrônico, respondido por 110 pacientes. De acordo com o resumo indexado no PubMed, 43% se identificaram como usuários atuais de maconha. Além disso, 14% indicaram que a legalização do uso adulto no Canadá mudou sua percepção, principalmente devido ao menor estigma e à maior disponibilidade de informações sobre indicações e potenciais efeitos adversos.
O estudo revelou que 85% dos usuários atuais utilizam maconha para fins medicinais. Os sintomas mais frequentemente citados foram estresse, insônia ou falta de sono e ansiedade, e a maioria dos usuários classificou o uso como “um tanto” ou “muito” eficaz para esses problemas. Nessa população, em que o controle dos sintomas impacta a adesão ao tratamento e a qualidade de vida, esses dados não comprovam a eficácia clínica, mas descrevem uma necessidade e um comportamento já estabelecidos.
O uso de cigarros eletrônicos parece ser um tema delicado. Na pesquisa, 33% disseram já ter experimentado e 7% se consideram usuários atuais. Ao mesmo tempo, 45% afirmaram que casos de lesão pulmonar associados a produtos de vaporização mudaram sua percepção dos riscos.
Referência de texto: Cáñamo
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