De acordo com um novo estudo financiado pelo governo dos EUA e divulgado pela American Medical Association (AMA), a maioria dos idosos que procuram a maconha o fazem para evitar os efeitos negativos associados aos medicamentos tradicionais ou porque já esgotaram outras opções para tratar problemas como dor ou distúrbios do sono.
O estudo, publicado na JAMA Network Open na última sexta-feira (8), examinou as motivações que levaram os idosos a se tornarem o segmento demográfico de consumidores de maconha que mais cresce nos EUA. Pesquisadores da University of Utah Health e da University of Colorado Boulder também analisaram as preferências de produtos entre os idosos que expressaram interesse em experimentar maconha.
Para o estudo qualitativo baseado na comunidade — que contou com o apoio financeiro dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) — os pesquisadores entrevistaram 169 adultos com 60 anos ou mais que buscavam “alívio para problemas relacionados à idade (como dor ou dificuldade para dormir) e melhoria na qualidade de vida”.
Embora a tendência subjacente de um aumento no consumo de maconha entre idosos tenha sido amplamente divulgada, “pouco se sabe sobre as motivações e os fatores que influenciam o uso de cannabis comestível e a escolha do produto”, afirmaram os autores do estudo.
“Os resultados deste estudo sugerem que os idosos estão recorrendo cada vez mais à cannabis para o controle dos sintomas”.
As entrevistas analisadas para o estudo — que ocorreram de novembro de 2021 a novembro de 2023 como parte de um ensaio clínico mais amplo — oferecem respostas preliminares à questão das motivações.
“Muitos participantes descreveram uma relutância em usar tratamentos farmacêuticos tradicionais”, disseram os autores do estudo. “Notavelmente, eles tinham preocupações com efeitos adversos, riscos à saúde a longo prazo ou dependência associados a medicamentos farmacêuticos e viam a maconha como uma alternativa mais segura”.
“Os participantes também relataram que haviam esgotado todas as opções farmacológicas e não farmacológicas (por exemplo, terapia, acupuntura ou massagem) para o controle dos sintomas, então desejavam experimentar a maconha como último recurso”, disseram. “Alguns participantes que estavam enfrentando problemas significativos de saúde física e mental buscaram usar cannabis para lidar com sintomas novos ou agravados relacionados à dor, distúrbios do sono ou alterações de humor”.
“Os idosos foram motivados a usar maconha como alternativa aos medicamentos tradicionais devido a preocupações com os efeitos adversos e a ineficácia dos medicamentos que haviam experimentado anteriormente”.
Outros pacientes mais velhos disseram que foram motivados a experimentar cannabis porque ouviram falar dos benefícios “através de redes pessoais, palestras médicas e fontes de mídia”. Um grupo de entrevistados disse que queria experimentar maconha “para uso adulto, como para ficar chapado ou para melhorar encontros sociais com amigos e atividades”, enquanto outros relataram usá-la como uma alternativa a substâncias intoxicantes como o álcool.
“No geral, eles realmente queriam uma melhor qualidade de vida, reduzir a dor, dormir melhor e poder aproveitar mais o tempo com a família e os amigos”, disse Rebecca Delaney, professora assistente de ciências da saúde populacional da University of Utah Health e coautora do estudo, em um comunicado à imprensa.
“Independentemente da motivação, os adultos mais velhos foram os que mais tenderam a escolher um produto combinado de cannabis, mas a distribuição das motivações variou de acordo com o produto que os participantes pretendiam comprar”, afirmaram os autores no artigo publicado pela AMA.
Em relação às preferências de produto, 58% dos adultos mais velhos escolheram comestíveis com uma combinação de THC e CBD, em comparação com 29% que selecionaram um produto com predominância de CBD e 14% que optaram por um comestível com predominância de THC.
Curiosamente, a desvantagem mais comum do uso de cannabis com uma combinação de THC e CBD (ou produtos com predominância de THC) citada pelos participantes foi a preocupação em ficar “chapado ou com a capacidade de concentração prejudicada”. Já para os produtos com CBD, a maior preocupação foi a percepção de eficácia limitada.
O estudo, que recebeu financiamento do Instituto Nacional do Envelhecimento (National Institute of Aging) sob a égide dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), também descobriu que as condições de saúde mais comuns para as quais os idosos desejavam usar maconha eram sono (57%), dor (50%) e saúde mental (25%).
“Os idosos foram motivados a usar cannabis como uma abordagem alternativa para lidar com problemas de saúde”.
“Na maioria dos casos, descobrimos que essas pessoas não estão realmente interessadas em ficar drogadas. Elas só querem se sentir melhor”, disse Angela Bryan, autora principal do estudo.
O estudo conclui reiterando que “à medida que a legalização da cannabis se torna mais difundida, os idosos estão recorrendo cada vez mais a ela não apenas para uso adulto, mas também para controlar sintomas associados ao envelhecimento, incluindo dor, distúrbios do sono e problemas de saúde mental”.
“Na ausência de consulta médica, eles se deparam com inúmeras decisões sem informações claras sobre qual produto melhor atenderá às suas necessidades”, afirmou.
“Considerando que o perfil de produto mais comum selecionado é uma combinação de CBD e THC, expandir a pesquisa para identificar os potenciais benefícios e malefícios dessa opção de tratamento pode ajudar a orientar as práticas clínicas. Os esforços futuros devem se concentrar em fornecer aos profissionais ferramentas práticas e criar recursos acessíveis aos pacientes para garantir que os idosos possam fazer escolhas informadas sobre produtos comestíveis de cannabis como parte de seus cuidados”.
“O objetivo final é desenvolver recursos para ajudar as pessoas a tomar decisões e encontrar produtos que atendam às suas necessidades, e descobrir como podemos sintetizar informações para pacientes e médicos”, disse Delaney, uma das autoras do estudo. “Gostaríamos muito de ver mais dessas conversas acontecendo entre médicos e pacientes para garantir que as pessoas se sintam apoiadas e informadas ao buscarem maneiras alternativas de lidar com a dor”.
Referência de texto: Marijuana Moment
Comentários