por DaBoa Brasil | jun 1, 2026 | Política, Redução de Danos, Saúde
Uma pesquisa realizada nos EUA com adultos de 21 a 29 anos mostra como o consumo de maconha está se tornando cada vez mais comum entre a Geração Z. É importante ressaltar que, embora os dados sejam impressionantes, seus resultados devem ser interpretados em conjunto com outros estudos populacionais disponíveis publicamente.
O resultado mais citado da pesquisa indica que 67% dos entrevistados relataram usar maconha, sendo que 28% afirmaram usá-la diariamente. A mesma pesquisa constatou que 18% a usam várias vezes por semana, 8% algumas vezes por mês, 13% apenas em ocasiões especiais, 6% já experimentaram uma vez e 27% nunca experimentaram.
A conclusão mais interessante reside não apenas na frequência de uso, mas também nos motivos por trás dele. 53% relataram usar maconha para aliviar o estresse, enquanto outros efeitos relatados foram mais problemáticos: 16% disseram que causava ansiedade e 14% que causava esquecimento. Essa mistura de normalização, busca por bem-estar e efeitos colaterais indesejados reflete mudanças nos hábitos da Geração Z nos mercados legalizados da América do Norte.
Ainda assim, a EduBirdie, plataforma responsável pela pesquisa, informa que a amostra foi recrutada por meio de painéis online e Engajamento Aleatório de Dispositivos, mas não oferece o nível de detalhamento metodológico que uma pesquisa de saúde pública ou um artigo revisado por pares apresentariam. Além disso, a faixa etária — de 21 a 29 anos — refere-se a adultos jovens, não a adolescentes. Essa distinção é importante, especialmente quando evidências recentes nos EUA mostram tendências diferentes para indivíduos mais jovens, como o declínio no consumo entre adolescentes observado em outros estudos.
Para contextualizar a pesquisa, o ponto de comparação mais relevante é o Monitoring the Future, o estudo longitudinal da Universidade de Michigan financiado pelo NIDA. Em seu relatório de 2025, utilizando dados de 2024, o consumo de cannabis entre adultos de 19 a 30 anos foi de 41,4% nos últimos 12 meses e de 29,0% nos últimos 30 dias. O consumo diário ou quase diário — 20 ou mais vezes no último mês — foi de 10,8%. A Hemp já havia registrado que o consumo entre jovens adultos nos EUA estava em níveis historicamente altos.
A pesquisa por si só não é suficiente para descrever toda uma geração, mas reforça uma tendência cultural em que a maconha não está mais associada apenas à transgressão juvenil e está cada vez mais ligada à rotina, à regulação emocional e à sociabilidade. A resposta pública mais útil não é o pânico, mas sim a informação clara, mercados regulamentados e redução de danos.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | maio 31, 2026 | Política, Psicodélicos, Saúde
A agência de saúde australiana publicou novas diretrizes para o acesso a MDMA e psilocibina em terapias assistidas com psicodélicos. A mudança visa simplificar os aspectos práticos do sistema, mas as prescrições continuarão restritas a psiquiatras licenciados e a indicações específicas.
A Austrália está dando mais um passo em seu modelo de acesso terapêutico a psicodélicos. Em 26 de maio de 2026, a Administração de Produtos Terapêuticos (TGA) publicou os resultados de uma consulta pública sobre o Programa de Prescrição Autorizada, mecanismo que, desde 2023, permite que certos psiquiatras prescrevam MDMA para transtorno de estresse pós-traumático e psilocibina para depressão resistente ao tratamento.
As recomendações se concentram em quatro pontos: a experiência do psiquiatra, a composição da equipe terapêutica, o nível de supervisão do prescritor e as condições da instituição onde o tratamento é administrado. De acordo com a TGA (Administração de Produtos Terapêuticos da Austrália), o objetivo é facilitar o acesso adequado a terapias emergentes, mas com fortes salvaguardas para proteger pacientes que frequentemente apresentam quadros clínicos complexos.
Uma das mudanças mais significativas é que a equipe terapêutica pode incluir profissionais registrados de diversas disciplinas, como psicologia clínica, medicina, enfermagem com experiência em saúde mental ou terapia ocupacional, desde que possuam as qualificações adequadas. A responsabilidade final, no entanto, permanece com o psiquiatra licenciado, que deve participar da avaliação, obter o consentimento informado e estar fisicamente presente quando a substância for administrada, embora sua presença contínua durante toda a sessão não seja obrigatória.
O ajuste também esclarece o que constitui um ambiente clínico apropriado. A TGA não exige necessariamente um hospital tradicional, mas sim um espaço com supervisão médica, equipe treinada, protocolos de emergência, medicamentos de resgate, notificação de eventos adversos e proximidade a um pronto-socorro. Essa flexibilidade aborda uma tensão que permeia o campo da terapia psicodélica e da saúde mental: como expandir o acesso sem transformar tratamentos ainda emergentes em serviços não regulamentados ou serviços guiados por expectativas comerciais.
O MDMA e a psilocibina permanecem como produtos terapêuticos não aprovados no Registro Geral de Medicamentos da Austrália, e o acesso a eles é mantido por meio de uma via especial. Essa autorização também não se destina a qualquer uso diagnóstico ou para uso sem supervisão. Em um país que também destinou fundos públicos para pesquisa psicodélica, este caso demonstra que a regulamentação não se resume a conceder permissões, mas também a estabelecer condições genuínas de segurança.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | maio 19, 2026 | Economia, Política, Turismo
De acordo com um novo relatório de mercado divulgado no último dia 18, o mercado global de turismo canábico deverá mais que dobrar nos próximos anos, atingindo US$ 26,9 bilhões até 2032.
O relatório, da Research and Markets, estima que o mercado de turismo canábico foi avaliado em US$ 11 bilhões em 2025. A projeção é de que o mercado cresça a uma taxa composta de crescimento anual de 13,7% de 2025 a 2032.
O crescimento está sendo impulsionado pela expansão contínua da legalização da maconha para uso adulto, pela mudança na atitude do público em relação à cannabis e pelo aumento do interesse em experiências de viagem centradas em bem-estar, gastronomia, visitas a plantações e espaços de consumo legal.
O turismo canábico abrange uma gama de atividades ligadas aos mercados legais de maconha, incluindo visitas a dispensários, tours de cultivo, lounges de consumo social, hospedagens que permitem o consumo de maconha, experiências gastronômicas com infusão de cannabis, tratamentos de spa e retiros de bem-estar. O relatório afirma que o setor está cada vez mais atraindo viajantes em busca de experiências relacionadas à planta em locais onde a maconha é legal e regulamentada.
O relatório identifica mercados consolidados como o Canadá, os Países Baixos e vários estados dos EUA, incluindo a Califórnia, o Colorado e o Nevada, como destinos líderes para o turismo canábico. Também destaca que o Oregon e o estado de Washington desenvolveram ofertas turísticas ligadas a plantações de maconha, espaços sociais e experiências relacionadas à cannabis.
Fora da América do Norte e da Europa, o relatório aponta a Tailândia e o Uruguai como mercados emergentes para o turismo canábico, com ambos os países em posição de atrair viajantes internacionais à medida que suas políticas em relação à maconha continuam a se desenvolver.
Nos Estados Unidos, o mercado de turismo canábico foi avaliado em US$ 3,2 bilhões em 2025. O mercado chinês deverá crescer a uma taxa composta de crescimento anual de 13%, atingindo US$ 4,6 bilhões até 2032, de acordo com o relatório.
A faixa etária de 25 a 44 anos deverá ser o segmento maior e de crescimento mais rápido, atingindo US$ 14,2 bilhões até 2032, com uma taxa de crescimento anual composta de 15,4%. A faixa etária de 18 a 24 anos deverá crescer a uma taxa de 12,7% no mesmo período.
O relatório afirma que hotéis, resorts, operadores turísticos e aluguéis privados estão se adaptando ao aumento da demanda, oferecendo acomodações que permitem o consumo de maconha, áreas designadas para o consumo e experiências turísticas personalizadas. Aponta também para a expansão de cafés, lounges e ofertas sofisticadas, como jantares harmonizados e acesso a clubes VIP, como parte do crescimento do mercado.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | maio 13, 2026 | Política
Uma proposta para legalizar e regulamentar a maconha para uso adulto na Colômbia superou seu primeiro obstáculo legislativo, com uma comissão da Câmara dos Deputados votando na terça-feira a favor do avanço da medida.
O projeto de lei, apresentado pelo deputado Alejandro Ocampo, foi aprovado pela Primeira Comissão da Câmara dos Deputados, sendo encaminhado ao plenário para apreciação. Caso seja aprovado pelo plenário da Câmara, o projeto seguirá para o Senado.
A proposta visa criar um mercado de maconha legal, regulamentado e tributado na Colômbia, com regras que abrangem a produção, a distribuição e a venda. Ocampo afirmou que o objetivo é tirar a maconha do mercado ilegal e inseri-la em um sistema licenciado, com verificação de idade e supervisão governamental.
“Acabamos de aprovar a regulamentação da cannabis no primeiro debate”, disse o deputado Ocampo. “É hora de regulamentar. Vamos regulamentar tudo, da semente ao produto final. Vamos manter a maconha fora das ruas, para que só possa ser vendida em locais onde seja necessário apresentar documento de identidade, ter uma autorização e uma licença”.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | maio 12, 2026 | Economia, Política, Redução de Danos
Em Lausanne, um projeto-piloto suíço de venda regulamentada de maconha está demonstrando que, quando o acesso legal é planejado com controle, informação e monitoramento da saúde, o mercado ilegal perde terreno sem que o consumo aumente.
Apresentado como um dos ensaios científicos com os quais a Suíça está testando modelos para a venda controlada de maconha para uso adulto, o Cann-L opera em Lausanne sob uma lógica muito diferente da legalização geral. O projeto tem como público-alvo pessoas que já consomem maconha e residem na cidade, possui um ponto de venda especializado, oferece suporte de saúde e opera sem fins lucrativos. Nessa perspectiva, busca determinar se um fornecimento legal, seguro e regulamentado pode competir com o mercado ilegal e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados ao consumo. Nesse contexto, o programa piloto se insere no debate mais amplo sobre a regulamentação da maconha para adultos que o país vem discutindo nos últimos anos.
No resumo do relatório, a mudança nos canais de compra surge como uma das descobertas mais significativas. Após 18 meses de monitoramento, 69% dos participantes compraram da Cann-L “quase sempre” ou “sempre”, enquanto outros 6% o fizeram na maioria das vezes. De acordo com o relatório da Addiction Suisse, o projeto atualmente abrange 20% do consumo estimado de maconha em Lausanne e desviou mais de 2 milhões de francos suíços do mercado ilegal. A experiência suíça oferece uma perspectiva diferente sobre uma tensão que também afeta modelos mais consolidados, destacando a dificuldade de eliminar completamente o mercado ilegal, mesmo quando existem canais regulamentados.
Contrariando o receio comum de que a regulamentação aumentará o consumo, os dados do projeto-piloto apontam para outra direção. A quantidade média mensal caiu de 15,8 gramas no início do projeto para 12 gramas após 18 meses, e o relatório indica que tanto a quantidade quanto a frequência diminuíram significativamente em média. As reduções foram mais acentuadas entre aqueles que consumiam com mais frequência ao ingressarem no programa. Sinais de redução de danos também foram observados entre os 96 participantes que optaram por consulta médica voluntária.
Esses resultados surgem num momento em que a Suíça debate uma nova lei federal sobre produtos de maconha. O Departamento Federal de Saúde Pública defende que o projeto de lei visa garantir aos adultos um acesso estritamente regulamentado, tendo a saúde pública e a proteção da juventude como pilares centrais. Nesse sentido, o julgamento de Lausanne fornece evidências concretas para esse debate, pois demonstra que a regulamentação não significa ignorar o consumo, mas sim intervir no preço, na qualidade, na informação e no acesso aos serviços de saúde.
A experiência da Cann-L sugere que a questão não é simplesmente se devemos regular ou proibir, mas sim como conceber a regulamentação. Quando o canal legal compete com o mercado ilegal sem promover o consumo, incorpora o controle de qualidade e abre as portas ao sistema de saúde, a política de drogas deixa de se concentrar na punição e passa a se concentrar na obtenção de dados e resultados verificáveis.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | maio 4, 2026 | Economia, Política
Autoridades do estado de Nova York, nos EUA, anunciaram que começaram a aceitar inscrições de dispensários licenciados que desejam sediar mercados temporários de produtores de maconha e eventos itinerantes.
O Escritório de Gestão de Cannabis (OCM, na sigla em inglês) lançou na segunda-feira o processo de inscrição para o que o estado está chamando de “Eventos de Apresentação de Cannabis”.
“Os eventos Cannabis Showcase ampliam as oportunidades dentro do mercado regulamentado de Nova York de forma ponderada e deliberada, mantendo as diretrizes firmemente em vigor”, disse John Kagia, diretor executivo interino do OCM, em um comunicado à imprensa. “Esses eventos permitem que varejistas, cultivadores e processadores licenciados encontrem os consumidores onde eles estão, em mercados comunitários e lojas temporárias, mantendo padrões de segurança rigorosos, restrições de idade e supervisão local. Trata-se de criar flexibilidade para as empresas, preservando as medidas de proteção à saúde pública e a autoridade local”.
O lançamento ocorre após a promulgação de uma lei assinada pela governadora Kathy Hochul no ano passado, que ampliou um programa de demonstração já existente, criado inicialmente em 2023. O Conselho Estadual de Controle de Cannabis (CCB) adotou, em maio passado, as regulamentações para o programa de eventos que está sendo implementado.
“A responsabilidade do Conselho de Controle de Cannabis (Cannabis Control Board – CCB) é garantir que as novas oportunidades de negócios sejam implementadas com clareza e consistência”, disse a presidente do CCB, Jessica Garcia. “Os Eventos de Apresentação de Cannabis permitem que os licenciados aproveitem a temporada de verão, mantendo altos padrões de saúde pública, e o Conselho agradece a contribuição das partes interessadas ao longo de todo o processo regulatório”.
De acordo com as normas estaduais, eventos relacionados à maconha são restritos a pessoas maiores de 21 anos e precisam de aprovação por escrito das autoridades locais; além de necessidade de envio prévio de solicitação ao OCM (Escritório de Controle de Cannabis) e cumprimento das exigências de distância de escolas, locais de culto e instalações públicas designadas para jovens. Os organizadores também devem apresentar planos de segurança e de notificação de incidentes.
O consumo de maconha nas instalações não é permitido, assim como amostras grátis ou distribuição gratuita de produtos à base de maconha.
As vendas em eventos só podem ser realizadas pelo revendedor licenciado que detém a permissão para o evento, enquanto os cultivadores e processadores participantes podem exibir seus produtos sem vender nada diretamente aos participantes ou fornecer amostras.
De acordo com as regras, os eventos relacionados à maconha podem durar até 14 dias consecutivos, sendo que cada local está limitado a sediar eventos por no máximo 45 dias durante o ano civil.
Em março, o governador comemorou o quinto aniversário da legalização da maconha para uso adulto em Nova York, destacando US$ 3,3 bilhões em vendas no varejo, a abertura de mais de 600 lojas de maconha licenciadas e as conquistas na promoção da equidade social no setor, ao mesmo tempo em que tomou medidas para mitigar o mercado ilícito.
Referência de texto: Marijuana Moment
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