por DaBoa Brasil | out 13, 2025 | Economia, Política
Dados mostram que de 20% a 30% dos fluxos ilícitos globais são lavados nos Estados Unidos, o país responsável pela “Guerra às Drogas” no mundo. Esse é também um dos pilares da economia do país norte-americano.
Os EUA são o epicentro das atividades de lavagem de dinheiro do narcotráfico, como demonstram diversos documentos oficiais de governos, inclusive o norte-americano.
Em primeiro lugar, os relatórios intitulados “Avaliação Nacional do Risco de Lavagem de Dinheiro de 2024”, “Avaliação Nacional do Risco de Financiamento do Terrorismo de 2024” e “Avaliação Nacional do Risco de Financiamento da Proliferação de 2024”, divulgados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, admitem vulnerabilidades na prevenção da lavagem de dinheiro vinculada ao narcotráfico no país.
Em segundo lugar, o “Relatório Anual 2023-2024 da Fintrac (Financial Transactions and Reports Analysis Centre of Canada)”, vinculado ao governo canadense, aborda elementos centrais sobre as atividades de lavagem e legitimação de capitais do crime e do terrorismo, descrevendo métodos e estratégias dessas práticas nos EUA.
Em terceiro lugar, o documento “Avaliação Nacional da Ameaça das Drogas 2025”, publicado pela Administração para o Controle de Drogas (DEA), vinculada ao governo estadunidense, descreve em detalhes a existência de um ecossistema financeiro ilegal que se sobrepõe ao sistema financeiro formal do país, facilitando a legitimação de capitais provenientes do tráfico de drogas.
Por fim, o “Relatório Mundial sobre Drogas de 2024”, publicado pela Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC), complementa esse panorama — com dados adicionais retirados do relatório correspondente ao ano de 2011.
Dados sobre o volume anual das atividades de lavagem de dinheiro
A lavagem de capitais derivados do narcotráfico é um dos pilares da economia dos EUA. Segundo estimativas da ONUDC, o comércio global de drogas ilícitas gera entre 426 e 652 bilhões de dólares por ano em lucros ilícitos.
Cerca de 20% a 30% dos fluxos ilícitos globais são lavados nos EUA e estão diretamente associados ao narcotráfico. Esse dado indica que o país é o principal beneficiário mundial da lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
O Departamento do Tesouro estima que aproximadamente US$ 300 bilhões sejam lavados anualmente (incluindo todas as atividades criminosas), com o narcotráfico contribuindo de forma desproporcional para esse total.
O aumento da lavagem de dinheiro no país está ligado ao boom do fentanil, droga vendida no varejo por meio de complexas redes de distribuição dentro do próprio território norte-americano.
Esses fundos não apenas perpetuam a violência e a corrupção, mas também financiam outras atividades criminosas, como o tráfico de pessoas e o terrorismo. O montante de dinheiro lavado equivale a cerca de 2,7% do PIB dos EUA, valor correspondente a metade do orçamento nacional destinado à educação.
De acordo com a ONUDC, cerca de US$ 100 bilhões provenientes da cocaína são lavados anualmente nos EUA. A agência também estima que US$ 60 bilhões ao ano sejam legitimados através da rede de lucros gerada apenas pelo fentanil e outras drogas sintéticas e opioides.
O mercado de maconha legal e ilegal no país movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano. Parte significativa dos capitais gerados pela maconha ilegal se infiltra no sistema financeiro da mesma forma que o produto ilícito se mistura com o legal. Assim, cerca de US$ 15 bilhões gerados pela maconha ilegal podem circular legitimamente na economia estadunidense.
Os dados desagregados sugerem que o valor total lavado pelo narcotráfico nos EUA oscila entre 150 e 190 bilhões de dólares por ano. Entre 2020 e 2024, cerca de US$ 312 bilhões foram canalizados pelas chamadas “redes chinesas” — estruturas financeiras e fundos de capital com sede na Ásia, interconectados a bancos norte-americanos. O Tesouro e sua Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) omitiram o papel das instituições financeiras estadunidenses nesse maciço fluxo de capitais.
Apesar de entre 20% e 30% dos recursos ilícitos do narcotráfico mundial serem lavados nos EUA a cada ano, em 2024 o país conseguiu interceptar apenas US$ 1,4 bilhão em operações relacionadas ao fentanil.
Embora as estimativas não sejam precisas, esse valor representa apenas entre 0,7% e 1,2% do total estimado de capitais lavados no país. Isso evidencia que, em 2024, os EUA não conseguiram detectar movimentações significativas no interior de suas próprias instituições bancárias.
O Wachovia Bank (atualmente Wells Fargo), o HSBC e o TD Bank foram multados por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro provenientes de diversas atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas.
Entre 2004 e 2007, o Wachovia lavou US$ 378 bilhões. O banco pagou uma multa de US$ 160 milhões e foi adquirido em 2007 pelo Wells Fargo. Em 2024, o TD Bank firmou um acordo privado para pagar US$ 1,3 bilhão ao Departamento de Justiça dos EUA por lavagem de dinheiro, segundo dados da FinCEN.
A ONUDC já admitiu, em relatórios como o de 2011, que mais de 90% dos capitais lavados globalmente pelo narcotráfico não são detectados nem confiscados — estatística que também se aplica aos EUA.
A extensa rede de relações econômicas do narcotráfico nos EUA
Nos EUA, um quilo de fentanil custa cerca de US$ 30 mil. Após ser fracionado para venda no varejo, esse mesmo quilo pode gerar até US$ 32 milhões, segundo a revista Forbes.
Como a droga entra no país por meio da importação, as organizações criminosas obtêm lucros iniciais com a venda por quilo, mas o varejo — altamente lucrativo — se desenvolve internamente, alimentando uma ampla rede que conecta traficantes, intermediários e consumidores.
A DEA omite deliberadamente essa realidade. Em seu relatório “Avaliação Nacional da Ameaça das Drogas 2025”, afirma que “a venda de drogas ilícitas gera bilhões de dólares em lucros para as Organizações Criminosas Transnacionais (OCT) e outras redes globais”, sem reconhecer explicitamente a presença dessas redes em solo estadunidense.
Mesmo assim, a agência admite a existência de “organizações de lavagem de dinheiro” dentro do país, que movimentam bilhões de dólares por ano por meio de sistemas paralelos ao ecossistema financeiro formal. O relatório menciona fundos de investimento asiáticos, criptomoedas, contas-espelho e contas bancárias convencionais baseadas em capitais lavados oriundos do tráfico de drogas.
O Departamento do Tesouro também reconhece essas organizações e descreve metodologias empregadas na lavagem de dinheiro:
“Os criminosos utilizam técnicas tradicionais e inovadoras para movimentar e ocultar ganhos ilícitos, promovendo atividades que prejudicam os americanos. Os crimes que mais geram ganhos lavados nos EUA continuam sendo a fraude, o tráfico de drogas, o crime cibernético, o tráfico de pessoas e a corrupção. O país ainda enfrenta riscos persistentes e emergentes de lavagem relacionados a: (1) uso indevido de pessoas jurídicas; (2) falta de transparência em transações imobiliárias; (3) ausência de cobertura integral das normas de combate à lavagem (AML/CFT) em certos setores, especialmente entre consultores de investimento; (4) profissionais cúmplices que abusam de suas funções; e (5) falhas de supervisão em algumas instituições financeiras regulamentadas”.
Tanto o Tesouro quanto a DEA admitem que os métodos digitais de movimentação financeira estão se equiparando ao uso de dinheiro vivo entre operadores criminosos. Em 2023, foram confiscados apenas US$ 17 milhões em espécie, e em 2024, 30 milhões — uma fração minúscula dos “bilhões de dólares” que circulam na economia do narcotráfico estadunidense.
Em outras palavras, em 2024, os EUA apreenderam em dinheiro proveniente do narcotráfico o equivalente a 0,1% do total estimado lavado em seu território.
Atores e métodos
Fundos de investimento e setor imobiliário
Vários fundos de investimento têm sido utilizados para legalizar capitais ilícitos, especialmente em atividades ligadas ao setor imobiliário. Segundo o Departamento do Tesouro, a compra e venda de imóveis é o principal mecanismo de lavagem de dinheiro nos EUA.
Entre 20% e 30% das transações imobiliárias residenciais no país são feitas em dinheiro vivo, e o próprio Tesouro reconhece não ter um número preciso.
Nos EUA, são vendidas cerca de 4 milhões de casas por ano. Considerando que 25% delas são compradas em dinheiro e o preço médio é de US$ 600 mil, isso representa US$ 600 bilhões movimentados anualmente no mercado imobiliário — parte significativa proveniente de atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas.
Lavadores de dinheiro frequentemente inflam ou subavaliam o preço dos imóveis em notas fiscais para justificar transferências de fundos ilícitos ou movimentar dinheiro através das fronteiras — prática comum em esquemas de lavagem baseada no comércio vinculados ao narcotráfico.
Agentes imobiliários, advogados, notários e funcionários de bancos costumam facilitar essas operações em troca de subornos. Um exemplo é o de um agente hipotecário em Tampa, que lavou mais de US$ 21,5 milhões em fundos do tráfico por meio de cheques bancários usados na compra de imóveis.
Compras de luxo
A aquisição de imóveis de alto valor, sobretudo em Nova York, Miami e Los Angeles, é um método recorrente de lavagem, pois permite legitimar grandes somas em uma única transação. Esses bens são frequentemente adquiridos por meio de fundos fiduciários ou empresas de fachada, nacionais ou estrangeiras, que ocultam a origem dos recursos.
O Departamento do Tesouro, contudo, não divulga estimativas oficiais sobre o volume de capitais lavados por meio dessas estruturas.
Cassinos e hotéis
Segundo o Tesouro, Las Vegas e Atlantic City, conhecidas por seus cassinos, são áreas altamente vulneráveis à lavagem de dinheiro oriunda do narcotráfico.
Os cassinos são suscetíveis a esse tipo de crime por causa da alta circulação de dinheiro vivo, das transações anônimas e da facilidade de converter fundos ilícitos em ativos aparentemente legítimos.
A lavagem ocorre principalmente nas fases de inserção — quando o dinheiro sujo entra no sistema — e estratificação — quando sua origem é ocultada —, até ser integrada ao sistema financeiro como lucro “legal”.
Lavadores de dinheiro ligados ao narcotráfico compram fichas de jogo com dinheiro vivo, fazem apostas mínimas (ou nenhuma) e depois trocam as fichas por cheques do cassino, transferências bancárias ou dinheiro “limpo”, apresentando os ganhos como legítimos.
Fundos ilícitos também são lavados por meio de apostas esportivas (online ou presenciais) e máquinas caça-níqueis, que geram recibos usados como prova de renda legal.
Em cassinos com múltiplos serviços — como hotéis e restaurantes —, é comum o uso de “transferências intrapropriedade”, movimentando recursos entre contas internas para mascarar sua origem.
Nem o Departamento do Tesouro nem a DEA divulgaram estimativas sobre os valores lavados em cassinos norte-americanos, o que evidencia opacidade nesse setor.
Operações bancárias
O Tesouro e a DEA consolidaram dados sobre Relatórios de Atividade Suspeita (SARs), que registram movimentações possivelmente ligadas ao crime.
No caso específico do fentanil, 57% dos relatórios se baseiam em operações bancárias convencionais, realizadas em instituições financeiras legalmente estabelecidas nos EUA.
Isso significa que, de cada 100 investigações sobre fentanil, 57 envolvem bancos tradicionais, enquanto 43 dizem respeito a operações em dinheiro vivo ou criptoativos.
Os dados indicam que a maioria dos pagamentos relacionados ao fentanil ocorre dentro do sistema bancário americano, permitindo que fornecedores e intermediários movimentem receitas ilícitas com pouca restrição.
Em 2024, o Tesouro identificou 1.246 contas bancárias com atividades suspeitas ligadas ao fentanil, totalizando US$ 1,4 bilhão em transações — montante equivalente ao preço de apenas 44 quilos de fentanil no varejo, segundo a Forbes.
Durante todo o ano de 2024, as agências de segurança dos EUA apreenderam cerca de 10 mil quilos de fentanil. Contudo, o governo ainda não apresentou uma estimativa confiável do volume real que circula no país — valor que pode ser oito vezes maior que o apreendido.
Outro dado que evidencia as falhas na política estadunidense de combate à lavagem vem do Fintrac, do Canadá. Em parceria com a Unidade de Inteligência Financeira do México, a agência investigou 5 mil contas bancárias suspeitas em 2023-2024 — um desempenho muito superior ao das autoridades estadunidenses, apesar de estas contarem com infraestrutura, recursos e tecnologia muito mais robustos.
Os números sugerem que os EUA ou são deliberadamente ineficientes ou o país desenvolvido menos eficaz no combate à lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico.
Referência de texto: Opera Mundi
por DaBoa Brasil | out 7, 2025 | Política, Redução de Danos
O primeiro relatório provisório da EKOCAN — a avaliação oficial da Konsumcannabisgesetz (KCanG) — publicado no final de setembro por equipes de Hamburgo, Düsseldorf e Tübingen, relata um declínio acentuado nos crimes relacionados à maconha na Alemanha e não detecta nenhum aumento significativo no consumo de adultos.
Faz pouco mais de um ano que a Alemanha descriminalizou a posse em pequena escala, permitindo o cultivo doméstico e clubes de cultivo não comerciais. O EKOCAN, um consórcio acadêmico independente encomendado pelo Ministério Federal da Saúde, publicou seu primeiro relatório provisório com dados até agosto de 2025. Segundo o coordenador do projeto, a análise integra 12 pesquisas e 20 fontes de dados de rotina, oferecendo uma primeira visão geral dos efeitos na saúde, na proteção infantil e na criminalidade.
Uma das descobertas mais impressionantes se refere ao sistema de justiça criminal, onde o número de casos de crimes relacionados à maconha caiu drasticamente. As estatísticas policiais registraram mais de 100.000 casos a menos em 2024 em comparação ao ano anterior. O relatório estima o declínio geral dos crimes relacionados à maconha entre 60% e 80%, uma redução explicada principalmente pela eliminação de crimes relacionados ao mero consumo.
Também não foram observadas mudanças abruptas entre os adultos, e a ligeira tendência de alta relatada desde 2011 parece ter continuado sem saltos repentinos após a reforma. Entre os adolescentes, os indícios sugerem que o declínio no consumo iniciado em 2019 continua, acompanhado por menos encaminhamentos para serviços de aconselhamento para jovens. Os dados acima também são corroborados pelos resultados obtidos no monitoramento de águas residuais em onze cidades, que corroboram a ausência de um aumento repentino no uso.
No entanto, os clubes de cultivo representaram menos de 0,1% da demanda estimada em 2024, enquanto o setor medicinal representou entre 12% e 14% do total. A EKOCAN estima que 5,3 milhões de adultos consumiram maconha em 2024. Diante desses dados, os pesquisadores apontam que, se a prioridade for reduzir o mercado ilegal, será necessário simplificar e expandir o acesso aos clubes e explorar mecanismos de fornecimento mais eficientes.
O primeiro panorama da Alemanha confirma claramente que a descriminalização reduz os danos sem desencadear o uso de drogas e libera recursos para o sistema de justiça criminal. O desafio agora é avançar na regulamentação e desafiar efetivamente o mercado ilícito com opções legais, seguras e acessíveis.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | set 30, 2025 | Política, Redução de Danos
Autoridades alemãs divulgaram um relatório sobre o impacto da lei de legalização da maconha no país, constatando que os temores dos opositores sobre o uso da maconha por jovens, a segurança no trânsito e outros aspectos se mostraram, até o momento, amplamente infundados. No entanto, o mercado ilícito não diminuiu significativamente sob o modelo regulatório legal limitado que foi implementado no país até o momento.
O relatório provisório, exigido pela lei da cannabis promulgada no ano passado, avaliou uma série de fatores de saúde, segurança pública e econômicos associados ao fim da proibição.
Entre as descobertas mais notáveis no documento publicado está o fato de que o uso de maconha entre os jovens continuou a diminuir, mesmo depois que a posse e o cultivo doméstico foram legalizados para adultos e clubes sociais que oferecem acesso aos membros foram abertos.
Além disso, “nenhuma mudança clara na tendência anterior do consumo de cannabis entre adultos pôde ser observada”, diz o relatório, conduzido em nome do Ministério da Saúde federal, de acordo com uma tradução.
“O aumento percentual de adultos que consumiram cannabis nos últimos 12 meses, observado aproximadamente desde 2011, provavelmente continuará… sem nenhuma mudança drástica”, diz o documento.
Um estudo recente separado, conduzido por autoridades federais de saúde alemãs, também descobriu que as taxas de uso de maconha diminuíram entre os jovens depois que o país legalizou a planta para uso adulto, contradizendo um dos argumentos proibicionistas mais comuns contra a reforma.
Outra descoberta da nova avaliação de legalização diz respeito à segurança no trânsito, com os pesquisadores determinando que não houve nenhuma mudança significativa nos incidentes nas estradas associados à mudança de política.
“Na área da segurança rodoviária, a legalização parcial não mostrou até agora nenhuma mudança significativa nos relatos de condução sob a influência de cannabis ou no número de pessoas mortas ou feridas no trânsito”, afirma o relatório.
Os primeiros dados sobre o impacto da legalização no mercado ilícito indicam que a lei “ainda não fez uma contribuição significativa para o deslocamento do mercado ilegal pretendido pelo legislador”, concluiu o relatório.
Uma razão para a presença contínua do mercado ilegal pode estar relacionada à forma como a lei de legalização da Alemanha está sendo implementada, com um número limitado de clubes sociais que cultivam maconha para consumo dos membros — mas sem uma indústria comercial abrangente que possa proporcionar acesso mais amplo aos adultos. E mesmo que o varejo seja lançado em larga escala, pode levar tempo para uma transição substancial dos consumidores para o mercado legal, o que tem sido o caso no Canadá e nos estados dos EUA que promulgaram a reforma.
Por enquanto, se a Alemanha pretende transferir substancialmente as pessoas para o mercado legal, “a estrutura para aprovação e operação de associações de cultivo deve ser simplificada”, diz o relatório.
Ele também informa que, com base nas informações atuais, não há necessidade de alterar o limite de posse de 25 gramas.
“O primeiro relatório provisório publicado hoje confirma que a legalização da maconha foi o passo certo e há muito esperado”, disse a deputada Carmen Wegge.
“A avaliação independente não mostra aumento significativo no consumo de cannabis entre adultos e nem mesmo uma diminuição entre menores, nenhum efeito negativo perceptível na saúde dos adultos e um número significativamente menor de processos criminais”, disse ela. “Mas a mensagem central é clara: a legalização parcial protege a saúde e melhora a capacidade de ação do Estado constitucional”.
O ex-ministro da saúde da Alemanha, Karl Lauterbach, que liderou o plano de legalização do governo, respondeu ao relatório dizendo que “o consumo de cannabis entre os jovens continua a diminuir, apesar da legalização”.
“Isso era de se esperar; outros países estão mostrando a mesma tendência”, disse ele. “Se alguém quiser combater o mercado ilegal, os clubes de cultivo não devem ser mais obstruídos. O consumo de cannabis não é crime”.
A ex-deputada Kristine Lütke, uma das maiores defensoras da legalização, disse que o relatório mostra que “não há necessidade urgente de ação”.
“Particularmente encorajador: crianças e adolescentes não estão consumindo cannabis com mais frequência do que antes da legalização parcial. A tendência é de declínio”, disse ela.
Um relatório final sobre o impacto da legalização na Alemanha é esperado para abril de 2028.
A lei de legalização da Alemanha entrou em vigor em abril de 2024, permitindo que adultos possuam e cultivem certas quantidades de maconha, e clubes sociais começaram a abrir, fornecendo aos membros acesso legal a produtos de maconha.
Após uma eleição nacional crucial no início deste ano, os partidos políticos que estavam cooperando para formar um novo governo de coalizão anunciaram que conduziriam uma “avaliação aberta” da lei de legalização da maconha do país — o que significa que, pelo menos por enquanto, as autoridades permitirão que a política permaneça em vigor.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | set 28, 2025 | Política, Redução de Danos, Saúde
Há uma “forte associação negativa” entre o uso de tabaco e as vendas legais de maconha, de acordo com um novo estudo internacional, indicando um “forte efeito potencial de substituição”, em que as pessoas optam por usar cannabis onde ela é permitida em vez de fumar cigarros.
O estudo, baseado em dados de 20 países, também descobriu que o uso de anfetaminas está “negativamente associado” às vendas de maconha para uso medicinal, “sugerindo uma dinâmica de substituição”.
Os pesquisadores concluíram ainda que um “mercado [de maconha] bem regulamentado pode gerar benefícios econômicos sustentados, enfatizando a necessidade de estruturas legais abrangentes que abordem o licenciamento, os padrões de produção e as vias de acesso”, acrescentando que “remover barreiras ao acesso e melhorar a educação do consumidor apoiará o desenvolvimento de um mercado responsável e sustentável”.
“O efeito de substituição observado com o consumo de tabaco sugere que, à medida que a maconha se torna mais acessível, uma parcela dos consumidores pode reduzir o uso de tabaco”.
A análise também mostrou “uma trajetória de crescimento sustentado” nas vendas de cannabis após a legalização, descobrindo que a mudança de política está “associada a um aumento médio anual de 26,06 toneladas de vendas de maconha para uso medicinal em países legalizados”. Após excluir os EUA, que os pesquisadores chamaram de “um grande outlier no tamanho do mercado”, houve “um efeito médio ligeiramente menor de 20,05”, que “ainda apoia a expansão persistente do mercado”.
Os autores, sediados na Alemanha e no Líbano, alertaram que “dada a natureza ecológica do projeto, esses resultados devem ser interpretados como associações em nível populacional e não como efeitos causais em nível individual”.
“Ainda assim, eles destacam a potencial relevância econômica da legalização da maconha na expansão de mercados regulamentados e na reformulação do comportamento do consumidor”, afirma o artigo. “O estudo contribui para os debates sobre legalização, saúde pública e política econômica, fornecendo evidências empíricas sobre as associações entre reformas legais e dinâmicas de mercado”.
O estudo surge em meio a uma nova pesquisa que indica que o uso de maconha está ligado à menor ingestão de álcool e à diminuição da vontade de beber em grandes usuários de álcool, de acordo com um novo artigo científico financiado pelo governo dos EUA.
Referência de texto: Marijuana Moment
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