Como o frio afeta um cultivo de maconha? Ele é bom ou ruim? Devemos sempre lembrar que os excessos são sempre ruins. O excesso de frio pode fazer mal, assim como o excesso de calor. Sabendo também os limites, será muito fácil melhorar a qualidade de um cultivo.

Na Suíça, por exemplo, um cultivador tem duas grandes safras. Uma delas localizada a 800 metros de altura. A outra, localizada a 1.300 metros de altura. A primeira é a de maior produção, localizada na maior altitude destaca-se pela alta qualidade. E isso cultivando a mesma genética. A razão? Bem, sem dúvida é devido ao frio na fase final do cultivo.

O mesmo acontece com os cultivos de inverno, que consistem em cultivar mudas dentro de casa e levá-las para fora no meio do inverno. Pela mudança brusca do fotoperíodo, as plantas começam a florescer após algumas semanas. Mesmo sendo a mesma genética que o mesmo cultivador pode cultivar na temporada, a maioria coincide na ótima qualidade da colheita de inverno. Embora os buds sejam logicamente menores, são mais resinosos e têm um sabor mais puro.

O FRIO NOS CULTIVOS OUTDOOR

Uma planta em fase de crescimento investe toda sua energia na produção de celulose, ou seja, na formação de uma boa massa vegetal. Tanto nas raízes quanto nas zonas aéreas. Ao iniciar o cultivo no início da primavera, as plantas terão praticamente 4 meses de crescimento para desenvolver uma estrutura forte, com raízes grandes e profundas e com milhares de ciliados, que são as raízes finas e brancas que possuem maior poder de assimilação de nutrientes.

Quando começa a fase de floração, a planta terá uma estrutura consolidada que pode lidar com muitos tipos de estresse, incluindo estresse térmico. Quando se aproxima a data da colheita e está sujeita a frio constante, será um sinal para a planta que o seu fim está próximo. E então será em resposta e para atrair o pólen de uma planta macho, a produção de resina se multiplica. A intenção será cumprir sua função vital, ou seja, desenvolver sementes para perpetuar a espécie.

Quanto mais resina a planta produz, mais provável é que ela pegue o precioso pólen da planta macho. Portanto, não hesitará em fazê-la com verdadeira paixão, pois, na realidade, não tem mais nada para fazer em sua vida. Será possível observar como os buds às vezes endurecem e que as folhas ainda em bom estado começarão a enrugar, como acontece com as árvores caducifólias. A planta também é coberta com uma camada grossa e espessa de resina.

Mas isso acontece se a planta estiver totalmente madura e entrar em sua fase final. Se isso ocorrer antes, o oposto acontecerá. Os buds que ainda estão se formando não atingirão a dureza necessária. É muito diferente em um caso e no outro. Além disso, o calor tende a volatilizar os terpenos, enquanto o frio não. O sabor e os aromas de uma planta cultivada no frio são muito mais puros e intensos.

CONHEÇA BEM O SEU CLIMA

O frio é bom para as plantas nas condições mencionadas acima. Mas sempre que falamos em frio, não estamos falando em temperaturas excessivamente baixas, abaixo de 8-9°C. Quando as temperaturas são mais baixas, a atividade das raízes diminui e a assimilação de nutrientes diminui. E abaixo de 0°C, toda a seiva da planta congela e suas funções vitais ficam paralisadas e, até que estejam novamente ativas, passa um tempo que é fatal para a planta.

Isso não quer dizer que a planta morra, longe disso, sempre falando de plantas altamente formadas. Mas não há dúvida de que é prejudicial. Em países onde ocorre o frio intenso, é possível observar grandes plantas cobertas de neve no início do inverno e colhidas duas semanas depois sem problemas. E sempre falando de plantas cultivadas diretamente no solo, já que em um vaso o frio vai afetar de forma mais severa.

É muito importante saber o clima do seu local de cultivo antes de decidir sobre determinada genética. Mas uma boa opção é cultivar plantas indicas rápidas quando o clima está muito frio no início do outono. Essa genética já está preparada para suportar as noites frias do final do verão e início do outono. Ou também em situações onde as temperaturas diurnas são muito altas, mas à noite caem tanto que o estresse térmico sofrido pela planta é muito difícil de suportar para a maioria das variedades existentes.

DICAS ÚTEIS

Quando optamos por cultivar em um local frio no final de temporada, e quando calculamos que temos uma semana para a colheita, é aconselhável tirar as folhas principais e quase todas as folhas pequenas da planta. Seria praticamente uma manicure uma semana antes da colheita. Quando a planta está desprovida de folhas, essenciais para realizar a fotossíntese e assim continuar seu processo biológico normal, ela se concentrará na produção de resina e tricomas.

Uma vez que os dias e noites frios comecem, você deve parar de regar a planta. A mesma geada que cai nas folhas poderá congelar a água que está sob o substrato. Isso pode levar à morte da planta. Uma seca prolongada juntamente com uma geada não muito severa proporcionarão uma colheita da mais alta qualidade.

Como vimos, a planta suporta bem o frio nas zonas aéreas, mas não tanto em seu sistema radicular. Uma boa opção é protegê-las com uma cobertura morta de grama recém-cortada ou folhas, até mesmo um plástico ou saco. A grama ou as folhas, conforme fazem a compostagem, atingem temperaturas muito altas. O processo de compostagem é lento, por isso não afetará negativamente uma planta que colheremos em poucos dias. O plástico ajudará o substrato a aquecer durante os dias mais longos do que sem ele. E à noite vai demorar mais para esfriar, mantendo a temperatura praticamente até o dia seguinte.

SECAGEM E CURA

Secar as plantas com frio seco é a melhor opção possível. E curar mais tarde em condições semelhantes, melhor ainda. O calor acelera o processo de secagem, além de reduzir a psicoatividade do THC. Já no frio, ao contrário, desde que seja seco e não úmido, a secagem será prolongada. Se quiser fazer o teste, basta colocar alguns buds por dois meses em uma caixa de papelão e em local frio. E então compare com buds secos e curados da mesma planta em uma temperatura mais alta.

Portanto, quando vemos uma queda drástica nas temperaturas se aproximando do início do outono, devemos considerar se as plantas são sativa ou indica, se estão para ser colhidas ou se ainda faltam semanas. Mesmo que seja uma genética de climas frios ou não. Sabendo as respostas, fica mais fácil escolher uma ou outra genética no próximo ciclo.

Referência de texto: La Marihuana

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