Lugares que têm dispensários de maconha registram uma média de 30% menos mortes relacionadas a opioides em comparação com lugares sem lojas abertas, sugerindo um efeito de substituição de remédios prescritos e heroína por tratamentos à base de plantas, de acordo com uma nova análise de dados.
Em um artigo do Washington Post publicado recentemente, o estudante de economia da Universidade de Harvard, Julien Berman, usou dados da Universidade de Michigan que identificam os locais dos dispensários em nível de condado para comparar tendências de overdose de opioides ao longo de 10 anos em jurisdições onde a maconha se tornou legalmente disponível em comparação àquelas sem acesso regulamentado.
“A teoria é simples: tornar a cannabis mais disponível — e reduzir seu custo — poderia induzir as pessoas a trocar os opioides, que são extremamente perigosos, pela maconha, uma alternativa significativamente mais segura”, disse Berman. “Usuários de opioides que buscam alívio da dor podem escolher maconha em vez de heroína, especialmente em países onde o uso adulto é legal e o acesso é fácil. E novos usuários em potencial talvez nunca recorressem aos opioides se pudessem obter maconha”.
Outros fatores foram levados em consideração para respaldar a conclusão, incluindo comparações de taxas de mortalidade por opioides em condados dentro de um estado legal, onde alguns permitem que os varejistas operem e outros optaram por não o fazer.
“Esse tipo de variação ajuda a descartar outras mudanças em nível estadual, como o acesso expandido à naloxona — um medicamento que pode reverter os efeitos de uma overdose — como a principal causa da queda nas mortes”, disse Berman.
Em média, as taxas de mortalidade por opioides após a criação de dispensários de maconha diminuíram mais acentuadamente nos anos imediatamente posteriores à abertura, em comparação com os condados sem acesso à planta. Mas, do quinto ao décimo ano, o efeito é mais acentuado, com uma taxa média de 27% menos mortes por opioides em jurisdições que mantêm lojas de maconha após uma década.
A análise apresenta algumas limitações, incluindo desafios com o “enorme número de registros comerciais confusos” mantidos no conjunto de dados da Universidade de Michigan, que podem ter identificado erroneamente certas empresas. E é possível que os condados avaliados tenham implementado separadamente outros programas para lidar com o uso de opioides durante o período estudado, observou Berman.
“Ainda assim, o fato de a queda nas mortes aparecer logo após a abertura do primeiro dispensário — e não antes — sugere fortemente que os usuários de opioides estão migrando para a maconha, pelo menos o suficiente para parar de sofrer uma overdose”, escreveu ele.
Ele acrescentou que, embora estudos tenham mostrado que a maconha não é totalmente inofensiva, ela é “muito mais segura que a heroína”.
“É indiscutivelmente mais seguro do que álcool. Se o dispensário da esquina conseguir tirar as pessoas dos opioides, a saúde pública sai ganhando — mesmo que o uso geral de maconha aumente”, disse ele.
Referência de texto: Marijuana Moment
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