A adesão ao programa de maconha para uso medicinal de Nova Jersey, nos EUA, tem diminuído constantemente desde que o estado legalizou as vendas para adultos em abril de 2022.
Dados oficiais da Comissão Reguladora de Cannabis de Nova Jersey (NJ-CRC) mostram que o número caiu para 51.776 pacientes ativos em 15 de dezembro de 2025, bem abaixo do pico de quase 129.000 em 2022, uma tendência que reabre o debate sobre quais incentivos reais ainda existem para permanecer “dentro” do sistema de saúde.
A curva é documentada mês a mês pelo próprio NJ-CRC. Em maio de 2022, o registro atingiu 129.369 pacientes e, um mês depois, permaneceu em 129.001. A partir daí o declínio tornou-se constante, mostrando que, em meados de janeiro de 2025, havia 65.433 pessoas inscritas e, em 15 de dezembro de 2025, 51.776. Em termos simples, o programa perdeu mais de 77.000 pacientes em relação ao pico de 2022 (quase 60% a menos), com uma queda de quase 21% somente em 2025.
A explicação de que alguns usuários migram para o mercado de uso adulto quando não precisam mais de licença está intrinsecamente ligada a outras variáveis. Em 2024, uma publicação do portal Marijuana Moment divulgou declarações atribuídas ao diretor executivo da agência reguladora, indicando que muitos pacientes estavam abandonando o programa não tanto pelo preço da licença, mas por custos que o governo não controla, como as consultas médicas necessárias para certificar e renovar a recomendação. Nessa interpretação, o “filtro” acaba se deslocando do balcão da loja para a porta do consultório médico.
Em resposta, o NJ-CRC tentou reduzir os custos administrativos. No final de 2023, anunciou que a taxa de inscrição e renovação seria reduzida para US$ 10 por dois anos (em comparação com a taxa mais alta dos anos anteriores) e, em 2024, adicionou a opção de uma credencial digital gratuita. O problema é que essa redução na taxa estadual coexiste com um mercado de certificações médicas que pode, mais uma vez, aumentar o custo de permanência no sistema, especialmente para aqueles que necessitam de tratamento contínuo e não apenas de compras ocasionais.
Ao mesmo tempo, o quadro regulamentar mantém diferenças significativas entre o uso adulto e o medicinal. De acordo com as perguntas frequentes do programa para pacientes, a recomendação médica pode autorizar a compra de até 84 gramas por mês. Em contrapartida, o mercado para uso adulto é limitado por transação ao equivalente a 28,35 gramas, e isso não é insignificante, pois, em um sistema onde o preço importa, o poder de compra e a previsibilidade mensal são vitais para aqueles que dependem da maconha para tratamento.
O que está acontecendo em Nova Jersey mostra que, quando a maconha deixa de ser uma exceção médica e passa a ser um consumo regulamentado, os programas medicinais são forçados a justificar sua existência com algo mais do que apenas um cartão. Se o uso medicinal for relegado a uma fila prioritária, mas não abordar as barreiras econômicas, a continuidade do tratamento e o acesso sustentado, o risco é que o mercado de uso adulto acabe absorvendo pacientes que, na realidade, não buscavam liberdade de escolha, mas sim estabilidade terapêutica.
Referência de texto: Cáñamo
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