Um estudo publicado na revista Neuroscience por pesquisadores da Academia Russa de Ciências concluiu que tratamentos à base de canabinoides podem ter potencial para ajudar a preservar a função cognitiva em pessoas com doença de Parkinson.

A doença de Parkinson é mais conhecida por causar tremores, rigidez e outros sintomas relacionados ao movimento, mas também pode levar a problemas não motores graves, incluindo dificuldades de memória, raciocínio e função cognitiva em geral. De acordo com a revisão, essas alterações cognitivas estão intimamente ligadas à plasticidade neuronal, a capacidade do cérebro de se adaptar e se reorganizar, que é influenciada em parte pelo sistema endocanabinoide.

Os pesquisadores examinaram evidências experimentais e clínicas envolvendo canabinoides endógenos, canabinoides derivados de plantas e medicamentos que alteram a sinalização endocanabinoide. Eles descobriram que esses compostos podem afetar diversos processos-chave envolvidos na doença de Parkinson, incluindo plasticidade sináptica, excitabilidade neuronal e neuroinflamação. Acredita-se que todos esses fatores desempenhem um papel importante no desenvolvimento e na progressão da doença.

“Intervenções à base de canabinoides são promissoras para preservar circuitos neurais e modular a função cognitiva na doença de Parkinson”, afirma o estudo.

Ao mesmo tempo, a revisão deixa claro que a pesquisa em humanos ainda é limitada. Os autores observam que os estudos clínicos disponíveis são frequentemente pequenos, utilizam diferentes formulações e doses de canabinoides e, muitas vezes, medem a cognição como um desfecho secundário, em vez de foco principal. Eles também afirmam que as diferenças na duração do tratamento, no desenho do estudo e nas características dos pacientes dificultam a comparação dos resultados. A principal razão para a falta de ensaios clínicos é o status ilegal da maconha, o que dificulta a pesquisa.

Mesmo com essas limitações, a revisão afirma que os canabinoides podem ser valiosos como ferramenta para proteger circuitos neurais e influenciar a cognição na doença de Parkinson. Os autores enfatizam que são necessários ensaios clínicos mais rigorosos, utilizando medidas cognitivas padronizadas, antes que os médicos possam fazer recomendações de tratamento confiáveis.

Referência de texto: The Marijuana Herald

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