Um novo estudo pré-clínico publicado na revista Biomedicine & Pharmacotherapy por pesquisadores da Universidade de Coimbra, da Universidade de Barcelona e do Instituto de Saúde Carlos III, na Espanha, concluiu que o composto da maconha canabigerol (CBG) pode oferecer efeitos semelhantes aos de antidepressivos, além de melhorar a função cognitiva, superando diversos outros canabinoides testados.

A depressão continua sendo uma das condições de saúde mental mais disseminadas globalmente, com os medicamentos existentes falhando em aproximadamente 30% a 40% dos pacientes. Os pesquisadores observaram no estudo que essa lacuna ressalta “a necessidade urgente de novos agentes com efeitos pleiotrópicos”, o que motivou uma avaliação de cinco canabinoides: canabicromeno (CBC), canabidiol (CBD), canabidivarina (CBDV), canabigerol (CBG) e canabinol (CBN).

A pesquisa começou com testes laboratoriais em células da microglia para avaliar a toxicidade e as propriedades anti-inflamatórias. O CBD e o CBDV demonstraram os efeitos anti-inflamatórios mais fortes, reduzindo significativamente os marcadores associados à inflamação. No entanto, quando o estudo passou para modelos animais, os resultados divergiram drasticamente.

Utilizando tanto ratos saudáveis ​​quanto ratos expostos a um modelo de estresse crônico projetado para simular a depressão, pesquisadores descobriram que “apenas o canabigerol produziu efeitos antidepressivos consistentes no teste de natação forçada, em comparação com a cetamina”, entre os indivíduos saudáveis. Nos ratos submetidos ao estresse, doses repetidas de CBG levaram a melhorias notáveis ​​no desempenho cognitivo.

Em contrapartida, o CBD demonstrou benefício terapêutico limitado nesse contexto, não conseguindo melhorar significativamente os comportamentos depressivos ou os déficits cognitivos, apesar de um perfil de segurança favorável. O CBDV, embora eficaz na redução da inflamação em testes iniciais, apresentou resultados negativos em estágios posteriores, incluindo efeitos semelhantes à ansiedade e comprometimento das funções cognitiva e hepática.

Uma das descobertas mais notáveis ​​envolveu a estrutura cerebral. O estudo relata que os benefícios cognitivos do CBG estavam “associados ao aumento da densidade de espinhas dendríticas no hipocampo”, sugerindo que ele pode promover a neuroplasticidade, um fator chave tanto na regulação do humor quanto na saúde cognitiva.

Resumindo suas descobertas, os pesquisadores afirmam que “uma única administração de canabigerol atenua o comportamento semelhante à depressão em animais saudáveis, enquanto administrações múltiplas melhoraram a função cognitiva em camundongos que apresentavam fenótipos semelhantes à depressão”. Eles acrescentam que o CBG combina “baixa toxicidade, efeito semelhante ao de antidepressivos e melhora da função cognitiva, provavelmente por meio da modulação da plasticidade estrutural”.

Embora os resultados se limitem a modelos pré-clínicos, os autores afirmam que as descobertas posicionam o CBG como um forte candidato para futuras pesquisas em tratamentos para depressão e distúrbios cognitivos. Eles defendem a realização de mais estudos para melhor compreender seus mecanismos, avaliar a segurança a longo prazo e explorar seu potencial em outras condições, incluindo a doença de Alzheimer.

Se confirmadas em testes com humanos, essas descobertas podem representar um avanço significativo no desenvolvimento de novos tratamentos à base de canabinoides para transtornos mentais que continuam difíceis de tratar com as terapias existentes.

Referência de texto: The Marijuana Herald

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