Uma nova pesquisa publicada na revista Alcohol and Alcoholism, conduzida por pesquisadores da Universidade de Vilnius, na Lituânia, descobriu que certos compostos da maconha podem reduzir significativamente o consumo de álcool, sendo que alguns demonstraram maior eficácia do que o canabidiol (CBD).
O estudo examinou três fitocanabinoides — canabinol (CBN), tetraidrocanabivarina (THCV) e CBD — em ratos com consumo voluntário de álcool a longo prazo. Os pesquisadores descobriram que todos os três compostos reduziram a ingestão de álcool, mas o CBN e o THCV produziram os efeitos mais consistentes e pronunciados, incluindo reduções tanto no consumo quanto na preferência por álcool.
O CBN, um agonista parcial do receptor CB1, demonstrou uma redução dose-dependente na ingestão de álcool que persistiu por vários dias após o término do tratamento. O THCV, um antagonista neutro do CB1, também reduziu o consumo de álcool, embora seus efeitos tenham sido um pouco menos robustos e observados principalmente em doses mais elevadas. Ambos os compostos também levaram a um aumento na ingestão de água, sugerindo uma redução específica no consumo de álcool em vez de uma supressão geral da ingestão de líquidos.
Em contrapartida, o CBD teve um impacto mais limitado. Embora tenha reduzido ligeiramente a ingestão geral de álcool, não afetou significativamente a preferência por álcool ou o consumo de água. Os pesquisadores também observaram que o CBD reduziu a atividade locomotora e diminuiu os marcadores associados a estados emocionais positivos nos animais, indicando um perfil de efeitos colaterais diferente em comparação com o CBN e o THCV.
É importante ressaltar que nenhum dos compostos causou sinais de desconforto nos animais, embora tenham sido observados efeitos sedativos leves e pequenas reduções no peso corporal em doses mais elevadas.
Os pesquisadores concluíram que o CBN e o THCV podem apresentar maior potencial como tratamentos para o transtorno por uso de álcool, principalmente devido à sua eficácia e aos perfis de segurança relativamente favoráveis observados neste modelo pré-clínico. Eles observam que serão necessárias mais pesquisas, incluindo ensaios clínicos em humanos, para determinar se esses resultados se aplicam à prática clínica.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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