Um relato de caso publicado na revista Frontiers in Veterinary Science constatou que o tratamento a longo prazo com óleos de maconha ricos em THC e CBD esteve associado a maior conforto, apetite, mobilidade e cicatrização de feridas em um cavalo gravemente enfermo que recebia cuidados paliativos.
Pesquisadores da Universidade de Bolonha, da Universidade de Teramo, na Itália, e da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil) descreveram o caso de um cavalo idoso, mestiço, resgatado com desnutrição grave, uma grande ferida ulcerativa crônica no membro posterior esquerdo, claudicação sem apoio do peso e dor refratária. Exames posteriores identificaram um sarcoide fibroblástico equino complicado por ruptura completa do tendão suspensor, osteomielite incipiente e doença articular crônica.
Devido às limitações das opções médicas e cirúrgicas convencionais, causadas pela gravidade da doença, pela baixa resposta ao tratamento e pela escassez de recursos, os veterinários iniciaram um protocolo paliativo de longo prazo utilizando óleos de maconha de amplo espectro, ricos em THC e CBD, na proporção de 1:1. A dose foi aumentada gradualmente até atingir 0,5 mg/kg de cada composto a cada 12 horas, enquanto a mesma formulação também era aplicada topicamente na ferida uma ou duas vezes ao dia.
O tratamento continuou por 10 meses, juntamente com outros analgésicos, conforme necessário. De acordo com o relatório, a terapia com canabinoides foi associada a melhorias sustentadas no apetite, na condição corporal, na dor e na mobilidade. A pontuação da condição corporal do cavalo melhorou de 1/5 para 4/5 no quinto mês, e o animal recuperou a capacidade de deitar e levantar-se de forma independente, com uma melhora temporária na claudicação, de grau 5/5 para grau 3/5.
A ferida também apresentou melhora significativa, incluindo redução do tecido de granulação, melhora da epitelização e resolução da automutilação. Os pesquisadores observaram que a coceira e o comportamento de automutilação cessaram em até duas semanas após o início do uso tópico de canabinoides.
Não foram observados efeitos adversos clinicamente relevantes ou anormalidades laboratoriais durante a administração da dose de rotina. Ataxia transitória e sedação ocorreram apenas após o uso de altas doses de resgate perto do fim da vida.
O cavalo acabou sendo submetido à eutanásia após a progressão da doença levar a uma dor refratária, mas os pesquisadores afirmaram que sua qualidade de vida melhorou substancialmente durante a maior parte do período de tratamento.
“Este caso sugere que a administração a longo prazo de óleos de cannabis ricos em THC e CBD pode ser um adjuvante útil no tratamento paliativo de cavalos com doenças crônicas e refratárias”, concluíram os pesquisadores, observando, porém, que estudos controlados são necessários para determinar a dosagem ideal e as indicações clínicas.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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