De acordo com uma revisão publicada na revista Neuroscience & Biobehavioral Reviews, o sistema endocanabinoide, em particular a sinalização do receptor CB1, pode servir como uma ligação biológica entre o estresse, o sono, o apetite e o metabolismo energético.
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade de Santa Úrsula, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, da Faculdade de Medicina ABC, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Santa Cannabis, entre outros, desenvolveram um modelo neurobiológico centrado nos receptores canabinóides tipo 1, comumente conhecidos como receptores CB1.
Os pesquisadores propõem que a sinalização CB1 atua como um ponto de convergência central entre diversos sistemas fisiológicos envolvidos em respostas ao estresse, padrões de sono, processamento de recompensas e comportamento alimentar.
De acordo com a revisão, a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal relacionada ao estresse pode alterar os níveis dos endocanabinoides anandamida e 2-araquidonoilglicerol. Essas alterações podem influenciar tanto a forma como o corpo responde ao estresse quanto a quantidade de alimentos que uma pessoa consome.
A restrição de sono e as perturbações dos ritmos circadianos podem alterar de forma semelhante as flutuações normais na atividade endocanabinoide. Os pesquisadores afirmaram que essas alterações estão associadas ao aumento da fome, maior preferência por alimentos altamente palatáveis, maior ingestão calórica e maior vulnerabilidade a problemas metabólicos.
A revisão também examina como compostos que afetam a sinalização do receptor CB1, incluindo THC, canabigerol e éter noladina, podem influenciar o apetite. Seus efeitos podem variar dependendo da dosagem, das condições biológicas e dos tipos de células envolvidas.
Os mecanismos potenciais incluem alterações envolvendo os neurônios hipotalâmicos de proopiomelanocortina, a sinalização da beta-endorfina, as vias de recompensa e a atividade mitocondrial. Enzimas que regulam os níveis de endocanabinoides, juntamente com diferenças genéticas individuais, podem ainda influenciar a suscetibilidade a condições metabólicas, emocionais e relacionadas ao sono.
Os pesquisadores observam que o CBD não ativa diretamente os receptores CB1, mas pode influenciar indiretamente o apetite, afetando o estresse, a dor, a inflamação e o sono.
Os autores concluem que a sinalização CB1 pode ajudar a conectar o estresse, o sono, a recompensa e o comportamento alimentar dentro do sistema endocanabinoide mais amplo. No entanto, os pesquisadores enfatizam que o modelo proposto é conceitual e gerador de hipóteses, o que significa que pesquisas clínicas e translacionais prospectivas serão necessárias para validá-lo.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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