Dia 2 de agosto de 2025 marca o 88º aniversário da assinatura do “Marihuana Tax Act”, a primeira lei de proibição da maconha nos Estados Unidos – que culminou na proibição global da planta. Hoje, o país que influenciou a criminalização da planta no mundo, já possui legalização em metade dos estados.

Desde o seu início, a criminalização da maconha e a estigmatização dos usuários têm sido baseadas inteiramente na promoção de exageros grosseiros, estereótipos raciais e mentiras descaradas.

Por exemplo, uma história de 6 de julho de 1927 no New York Times, intitulada “Família mexicana enlouquece”, afirmava de forma ridícula: “Uma viúva e seus quatro filhos ficaram loucos ao comer a planta de maconha, de acordo com os médicos, que dizem que não há esperança de salvar a vida das crianças e que a mãe ficará louca pelo resto da vida”.

Um artigo acadêmico intitulado “Marijuana”, publicado em 1933 no The Journal of Law and Criminology, também fez alegações exageradas sobre os supostos perigos da planta. Os autores escreveram: “O resultado inevitável [do consumo de cannabis] é a insanidade, que aqueles familiarizados com ela descrevem como absolutamente incurável e, sem exceção, terminando em morte”.

Em 1937, Harry J. Anslinger (o primeiro “Czar das Drogas” dos Estados Unidos) pressionou o Congresso para proibir a maconha em todo o país norte-americano. Ele o fez apesar das firmes objeções da American Medical Association (AMA), que contestou as falsas alegações do governo de que o uso de maconha invariavelmente induzia violência, insanidade e morte. Sem se deixar abater pela oposição da AMA, Anslinger recorreu inteiramente à retórica racista para persuadir os legisladores. “Há 100.000 fumantes de maconha nos EUA, e a maioria são negros, hispânicos, filipinos e artistas. Sua música satânica, jazz e swing, resultam do uso de maconha”, afirmou. “Essa maconha faz com que mulheres brancas busquem relações sexuais com negros, artistas e quaisquer outros”.

Avançando para 1971, o governo Nixon declarou o abuso de drogas como “inimigo público número um”. O eixo central dessa campanha era a erradicação do uso de maconha, que o Congresso acabara de classificar como substância controlada de Classe I — a categoria federal mais rigorosa disponível. No entanto, em particular, Nixon reconheceu que não considerava a cannabis “particularmente perigosa” e lamentou as penas “ridículas” enfrentadas pelos presos por sua posse.

No entanto, seu governo redobrou publicamente a ameaça mítica da maconha para seu próprio ganho político. Como seu chefe de política interna, John Ehrlichman, reconheceu mais tarde: “Não poderíamos tornar ilegal ser contra a Guerra (do Vietnã) ou contra os negros”, mas poderíamos fazer com que “o público associasse os hippies à maconha e os negros à heroína”.

Ao “criminalizar ambos severamente”, explicou Ehrlichman, “poderíamos desestabilizar essas comunidades. Poderíamos prender seus líderes, invadir suas casas, interromper suas reuniões e difamá-los noite após noite nos noticiários da noite”.

“Sabíamos que estávamos mentindo sobre as drogas?”, perguntou ele. “Claro que sabíamos”.

Mais de 50 anos e milhões de prisões relacionadas à maconha depois, a planta continua sendo categorizada no país como uma substância controlada de Classe I — a mesma classificação da heroína — e muitos políticos e proibicionistas continuam reproduzindo muitos desses mesmos mitos. No entanto, apesar de suas alegações, evidências crescentes afirmam que a maconha não é uma “droga de entrada”, não enfraquece a motivação dos usuários, não os torna violentos, não os deixa loucos, e, muito menos, os leva a morte.

Lentamente, mas com segurança, o público geral está aprendendo e aceitando a verdade. Também levando em consideração que o país, que levou à criminalização da planta no mundo, hoje já possui legalização em mais da metade dos estados.

Dados de pesquisa compilados pelo Pew Research Center revelam que apenas um em cada dez estadunidenses apoia a criminalização generalizada da maconha pelo governo do país. Além disso, segundo a Gallup, 70% dos adultos no país norte-americano acreditam que “o uso da maconha deveria ser legal”.

Isso representa um aumento de 19 pontos percentuais desde 2014, quando Colorado e Washington se tornaram os primeiros estados a implementar a legalização da maconha para uso adulto.  24 estados já o fizeram — e nenhum estado jamais revogou a legalização da maconha. Em suma, quanto mais o público se familiariza com a legalização por meio de experiência pessoal, mais gosta dela. E são menos propensos a acreditar na retórica e nas velhas mentiras proibicionistas.

Depois de quase um século de intolerância em relação à maconha, a verdade não poderia ser mais clara. A proibição da planta tem sido uma fraude desde o início — frequentemente propagada por políticos e burocratas envolvidos na farsa. Já passou da hora de acabarmos com isso.

Referência de texto: NORML

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