Uma pesquisa com mais de 2.000 pessoas que utilizam o programa medicinal de maconha na Louisiana (EUA) sugere que essa substância não apenas reduz significativamente a dor crônica, como também está substituindo o uso de analgésicos prescritos, incluindo opioides.
Um estudo recente publicado no periódico Substance Use & Misuse documentou uma associação significativa entre o uso terapêutico de maconha e a diminuição da intensidade da dor, bem como a redução do consumo de medicamentos prescritos. A pesquisa foi liderada pela Universidade Estadual da Louisiana, em Monroe, em conjunto com profissionais da The Healing Clinics.
De acordo com os resultados, os participantes da pesquisa relataram uma redução média de 3,4 pontos em uma escala de dor de dez pontos após a incorporação da maconha em seu tratamento. Esse alívio não é apenas clinicamente significativo, mas também se correlaciona com uma menor dependência de analgésicos prescritos. Pessoas que continuaram a usar opioides apresentaram 1,5 vezes mais chances de usar maconha com menos frequência, enquanto aquelas que interromperam o uso desses medicamentos apresentaram 26,5% mais chances de usar cannabis com mais intensidade.
Este estudo se baseia na crise dos opioides que afeta gravemente os Estados Unidos há anos. A Louisiana, onde o acesso à cannabis para uso medicinal foi legalizado em 2015 e ampliado em 2020, representa um estudo de caso interessante para avaliar alternativas terapêuticas em um sistema de saúde pública sobrecarregado. Desde a autorização para o tratamento de doenças debilitantes, incluindo dor crônica, o número de usuários cresceu, assim como a necessidade de avaliar o impacto do programa.
Embora este não seja o primeiro estudo a sugerir um possível efeito substituto da maconha em relação aos opioides, ele fornece evidências contextualizadas em uma região com características específicas. Estudos anteriores constataram reduções nas prescrições de opioides em estados com programas de maconha para uso medicinal, embora os efeitos variem dependendo do arcabouço legal e da acessibilidade real de cada programa.
O estudo da Louisiana reforça a necessidade de considerar a maconha como parte de uma estratégia de saúde pública focada na redução de danos. Embora não substitua completamente analgésicos mais fortes, seu uso regulamentado e supervisionado permite que muitos usuários reduzam os riscos sem sacrificar o alívio da dor.
Referência de texto: Cáñamo
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