Um estudo realizado com espécimes coletadas no Zimbábue e na África do Sul, na África, identificou o parente selvagem mais próximo do cogumelo Psilocybe cubensis. Essa descoberta abre um novo caminho para a compreensão de sua origem e impõe uma nova perspectiva sobre a história natural de um dos fungos mais populares do mundo.
O Psilocybe cubensis foi originalmente descrito em Cuba em 1906, e uma das hipóteses mais citadas defendia que ele chegou às Américas com a expansão da pecuária introduzida da África e da Europa durante o período colonial. O novo estudo retrocede essa história muito mais no tempo. De acordo com os autores, o Psilocybe cubensis e o P. ochraceocentrata descendem de um ancestral em comum que viveu há cerca de 1,5 milhão de anos, muito antes dos humanos existirem. Como ambos os cogumelos crescem nas fezes de grandes herbívoros, sua conexão com essas pradarias parece ser muito mais antiga do que se pensava anteriormente.
O estudo comparou o DNA de diferentes espécies africanas de Psilocybe e cruzou esses dados com informações sobre sua história evolutiva e seus habitats. Com base nesse cruzamento de dados, os autores argumentam que vários espécimes africanos previamente identificados como P. cubensis pertencem, na verdade, a uma espécie diferente.
Esta pesquisa também indica que a Psilocybe ochraceocentrata pode ter circulado durante anos no circuito de cultivo sob nomes de cepas como “NSS” ou “Transkei”, um detalhe que demonstra mais uma vez o quão longe a cultura de cultivo pode ir antes da taxonomia formal, sem necessariamente resolver qual organismo ela tem em mãos.
Os autores e as instituições que divulgaram a descoberta insistem que a África permanece uma região em grande parte inexplorada em termos de diversidade fúngica. Nesse sentido, o aparecimento de *P. ochraceocentrata* não parece ser um acidente isolado, mas sim um sintoma de mapeamento científico incompleto. Mais do que simplesmente “descobrir” um fungo desconhecido do nada, o trabalho reorganiza materiais coletados ao longo de anos no Zimbábue e na África do Sul e lhes fornece um contexto evolutivo que antes faltava.
Para o campo psicodélico, a notícia tem um alcance que vai além da nomenclatura, pois fornece novos recursos genéticos para investigar os cogumelos psilocibinos e também força uma revisão da história do Psilocybe cubensis, desde sua origem e expansão até tudo o que ainda se desconhece sobre os cogumelos psilocibinos na África.
Referência de texto: Cáñamo
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