Uma nova pesquisa publicada no Journal of Archaeological Science por uma equipe da Universidade de Shandong e da Academia Chinesa de Ciências fornece algumas das evidências mais fortes até o momento de que a maconha era uma cultura agrícola fundamental no norte da China durante o período Neolítico Final.
Utilizando a análise de fitólitos — um método que examina restos minerais microscópicos deixados por plantas — pesquisadores identificaram resíduos de cannabis em dois sítios arqueológicos na província de Shandong, datados de aproximadamente 4.500 a 3.400 anos atrás. Ao contrário de restos vegetais tradicionais, como sementes ou fibras, que frequentemente se degradam com o tempo, os fitólitos são muito mais duráveis, permitindo que os cientistas detectem maconha mesmo quando outras evidências estão ausentes.
Os resultados indicam que a maconha não só estava presente, como também era amplamente difundida e cultivada sistematicamente. Em ambos os locais, fitólitos de cannabis apareceram em mais de 50% das amostras e foram frequentemente encontrados ao lado de culturas básicas como milho-miúdo e arroz. De fato, as taxas de coocorrência chegaram a 84% a 100%, sugerindo que a maconha era parte integrante da produção agrícola, e não uma planta marginal ou ocasional.
Os pesquisadores também encontraram esses fitólitos principalmente em ambientes domésticos, incluindo fossas de cinzas e estruturas habitacionais, reforçando a conclusão de que a cannabis desempenhou um papel prático e cotidiano nas primeiras comunidades agrícolas.
O estudo reforça as crescentes evidências de que a maconha foi domesticada no Leste Asiático há pelo menos 12.000 anos, inicialmente servindo a múltiplos propósitos, incluindo alimentação, fibra e, potencialmente, uso medicinal ou ritualístico. Por volta de 4.000 anos atrás, a planta começou a se diversificar em variedades otimizadas para a produção de fibra ou para propriedades psicoativas.
Historicamente, o rastreamento da cannabis em registros arqueológicos tem sido difícil devido à má preservação do material orgânico. Este estudo demonstra que a análise de fitólitos pode superar essas limitações, oferecendo uma maneira mais confiável de rastrear o uso inicial e a disseminação da planta.
De modo geral, as descobertas sugerem que a maconha já era um componente fundamental do sistema agrícola do norte da China há milhares de anos, o que contradiz a noção de que era uma cultura secundária ou especializada naquele período.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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