A história da relação da China com a maconha na agricultura é mais profunda do que se acreditava anteriormente. Um novo estudo coloca essa cultura básica entre os “cinco grãos” (juntamente com o arroz e a cevada, por exemplo) que foram fundamentais para a antiga economia da Eurásia e “profundamente integrados ao cotidiano de seus habitantes”.
Para o estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, pesquisadores da Universidade de Shandong realizaram a extração e análise de fitólitos em 132 amostras encontradas nos assentamentos de Beitaishang e Qianzhongzitou, datados do Neolítico Final. Os resultados mostraram que, nessa época, a cannabis havia se tornado uma “cultura essencial no norte da China, usada principalmente para alimentação ou fibras”.
Os autores do estudo — que também mencionaram vínculos com o Ministério da Educação da China, o Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia da Província de Shandong e outras instituições na China — afirmaram que as amostras analisadas “sugerem que a cannabis foi sistematicamente integrada à economia agrícola local, tornando-se um componente-chave do conjunto de culturas essenciais no norte da China, pelo menos desde o Neolítico Final”.
“No final do Neolítico, a cannabis tornou-se uma cultura fundamental no norte da China, usada principalmente para alimentação ou produção de fibras”.
Parte da razão pela qual a descoberta parece refletir uma integração agrícola mais ampla da cultura reside no fato de que as amostras foram coletadas em estruturas arqueológicas, como fossas de cinzas, pisos e fundações em assentamentos de pequeno a médio porte na região de Shandong, o que proporciona “informações valiosas sobre o papel da maconha na economia agrícola local”.
O estudo afirma que a descoberta de maconha nesses tipos específicos de estruturas antigas reflete “atividades diárias de processamento e consumo de sementes em nível doméstico”.
“No sítio arqueológico de Beitaishang, fitólitos de cannabis foram encontrados em 22 das 32 amostras (68,8%) do período Longshan. No sítio arqueológico de Qianzhongzitou, fitólitos de cannabis foram identificados em 47 das 65 amostras (72,3%) do período Longshan e em 16 das 31 amostras (51,6%) do período Yueshi”, afirma o texto.
“Nosso estudo demonstra que a cannabis já havia se tornado um dos ‘cinco grãos’ (arroz, painço, cevada, soja e cannabis) desde o período Longshan em Shandong, como evidenciado pela análise sistemática de fitólitos. A análise do contexto arqueológico revela ainda que o processamento e o consumo de cannabis estavam profundamente integrados ao cotidiano dos habitantes, tornando-a um componente indispensável de sua subsistência agrícola. Essa descoberta desafia fundamentalmente a subestimação anterior do status da cannabis com base em limitados vestígios orgânicos e reafirma seu papel significativo na economia agrícola do norte da China pré-histórica”.
O estudo — financiado pela Fundação Nacional de Ciências Sociais da China, que faz parte do Ministério da Ciência e Tecnologia do país — sugere que “o processamento e o consumo de maconha estavam profundamente integrados à vida cotidiana”, disseram os pesquisadores.
Ao contrário de outros registros arqueológicos que indicam que a maconha psicoativa era “tipicamente associada a contextos funerários e rituais em toda a Eurásia”, incluindo “brotos, infrutescências e flores de cannabis psicoativas encontradas em túmulos da Idade do Bronze em Xinjiang”, essas descobertas mais recentes “refletem diferenças claras tanto nos contextos desenterrados quanto nas partes da planta, enfatizando o uso mais cotidiano e voltado para a subsistência da cannabis em Shandong”.
Referência de texto: Marijuana Moment
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