Pesquisadores da Universidade de Konyang e do Instituto Coreano de Medicina Oriental relatam que diversos compostos derivados de sementes de cannabis podem ajudar a regular o açúcar no sangue, atuando na forma como a glicose é processada no intestino, de acordo com um estudo publicado na revista Biomedicine & Pharmacotherapy.
O estudo focou em três compostos naturais — Canabisina A, Canabisina B e Canabisina F — encontrados nas cascas das sementes de maconha. Os pesquisadores descobriram que dois desses compostos, a Canabisina A e a Canabisina F, foram particularmente eficazes em retardar a quebra de carboidratos no intestino, inibindo a enzima α-glicosidase. Esse processo é semelhante ao funcionamento de medicamentos para diabetes, como a acarbose, que ajudam a reduzir os picos de açúcar no sangue após as refeições.
Em testes de laboratório e em animais, ambos os compostos reduziram significativamente os níveis de glicose pós-prandial, com efeitos comparáveis ou superiores aos da acarbose. Eles também pareceram influenciar importantes transportadores de glicose no intestino, limitando ainda mais a quantidade de açúcar que entra na corrente sanguínea.
A canabisina B apresentou um perfil diferente. Embora tenha sido menos eficaz na redução direta dos níveis de glicose, aumentou a liberação de GLP-1, um hormônio que ajuda a regular a insulina e o açúcar no sangue. Isso sugere que ela pode atuar por meio de uma via complementar, auxiliando no controle metabólico em vez de bloquear diretamente a absorção de açúcar.
É importante destacar que se previu que os três compostos permaneceriam em grande parte no intestino, em vez de entrarem na corrente sanguínea, o que poderia reduzir o risco de efeitos colaterais sistêmicos. O estudo também descobriu que a Canabisina B pode causar menos problemas gastrointestinais em comparação com os tratamentos tradicionais, com base em marcadores relacionados à fermentação intestinal.
Os pesquisadores afirmam que essas descobertas destacam o potencial dos compostos derivados da maconha como opções de próxima geração para o controle do açúcar no sangue após as refeições, embora sejam necessários mais estudos — principalmente em humanos — para confirmar sua eficácia e segurança.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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