Extrato de maconha reduz a dor crônica e a dependência em medicamentos analgésicos, mostra estudo

Extrato de maconha reduz a dor crônica e a dependência em medicamentos analgésicos, mostra estudo

Pacientes com dor crônica apresentam melhoras sintomáticas sustentadas após o uso de extratos de cannabis (derivados de plantas, não sintéticos) em baixas doses, de acordo com dados publicados no Journal of Pain & Palliative Care Pharmacotherapy.

Pesquisadores argentinos avaliaram o uso adjuvante de extratos de maconha em uma coorte de 88 pacientes diagnosticados com dor musculoesquelética, neuropática ou oncológica. Os extratos continham no máximo 5 ng/ml de THC e 2 ng/ml de CBD. Os participantes do estudo consumiram os extratos por via sublingual por seis meses.

75% dos pacientes apresentaram redução da dor superior a 50% após o tratamento com maconha. Além disso, a maioria dos participantes relatou melhora do sono e diminuição da ansiedade. 26% dos pacientes reduziram o uso de analgésicos tradicionais – o que é consistente com outros estudos.

A maioria dos pacientes relatou efeitos colaterais leves ou inexistentes.

“Observamos uma redução significativa da dor entre a primeira e a última consulta, com doses relativamente baixas (~ 4 mg/dia para THC e ~ 2 mg/dia para CBD)”, relataram os pesquisadores. “Tendências semelhantes foram encontradas para todos os parâmetros associados à qualidade de vida estudados, exceto apetite, e os efeitos colaterais foram leves, o que sugere que uma redução significativa da dor pode ser obtida de forma eficaz e consistente com preparações herbais de espectro completo”.

Os autores do estudo concluíram: “Nenhum participante aumentou ou adicionou analgésicos ou anti-inflamatórios durante o estudo. Preparações à base de cannabis para o tratamento da dor crônica podem não apenas beneficiar os pacientes com uma opção terapêutica segura e eficaz, mas os sistemas de saúde podem aumentar a sustentabilidade e reduzir a hospitalização devido a efeitos adversos”.

Referência de texto: NORML

Início do uso de maconha está associado a reduções significativas na ansiedade e depressão, diz estudo

Início do uso de maconha está associado a reduções significativas na ansiedade e depressão, diz estudo

O consumo de cannabis com teor predominante de THC está associado a reduções sustentadas de ansiedade e depressão, de acordo com dados recém-publicados no Journal of Affective Disorders.

Pesquisadores afiliados à Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (Maryland – EUA), avaliaram o uso de produtos de maconha autorizados pelo estado em uma coorte de 33 participantes com ansiedade ou depressão clinicamente significativas. Os participantes do estudo não tinham conhecimento prévio de cannabis. Os participantes do estudo usaram uma variedade de produtos de cannabis, incluindo extratos e comestíveis, conforme necessário, durante seis meses.

“O início do uso de cannabis com predominância de THC foi associado a reduções agudas na ansiedade e na depressão, e a reduções sustentadas na gravidade geral dos sintomas ao longo de um período de 6 meses”, relataram os pesquisadores. Melhoras na qualidade de vida e na satisfação geral com a saúde dos pacientes também foram observadas. O uso de cannabis não foi associado ao desenvolvimento de problemas físicos ou psicológicos.

“Em conjunto, esses dados oferecem insights sobre os efeitos terapêuticos da cannabis quando usada por uma população com ansiedade e depressão clinicamente significativas”, concluíram os autores do estudo. “A resposta positiva, refletida pela redução da ansiedade e/ou depressão na maioria dos participantes, reforça a necessidade de investigação contínua da cannabis ou de terapias canabinoides relacionadas como tratamentos farmacológicos para o alívio dos sintomas de ansiedade e depressão, idealmente com ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo”.

As descobertas do estudo são consistentes avaliações anteriores que concluíram que a maconha fornece aos pacientes ‘melhorias estatisticamente significativas’ sustentadas em medições validadas de ansiedade e depressão. Além disso, a adoção de leis de legalização da maconha está associada ao declínio nas prescrições de medicamentos ansiolíticos, como benzodiazepínicos, bem como antidepressivos.

De acordo com dados de pesquisas, aqueles que reconhecem consumir maconha para fins de automedicação são mais propensos a relatar que o fazem para aliviar dor, ansiedade, distúrbios do sono e/ou depressão.

Referência de texto: NORML

A lendária banda Black Sabbath e o seu amor pela maconha

A lendária banda Black Sabbath e o seu amor pela maconha

Nesta semana a lendária banda Black Sabbath fez seu último show, intitulado “Back To The Beginning”, e quando falamos em bandas que moldaram a música e a cultura alternativa, com toda certeza, o Sabbath aparece como um dos nomes mais influentes da história.

Formado em 1968, em Birmingham (Reino Unido), o grupo é conhecido por ter dado origem ao heavy metal, mas sua importância vai além do som: também representa uma era em que a música, as drogas e a rebeldia caminhavam lado a lado. E, nesse contexto, a maconha teve um papel bem presente.

A maconha e o Black Sabbath: uma parceria que deu certo

Apesar de o vocalista Ozzy Osbourne ser mais frequentemente associado a excessos envolvendo álcool e outras substâncias, os primeiros anos do Black Sabbath foram marcados por um uso considerável de maconha por parte dos integrantes, especialmente como ferramenta de inspiração criativa. Tony Iommi, guitarrista e fundador da banda, já revelou que a erva fazia parte do processo de composição em diversos momentos.

Na virada dos anos 60 para os 70, fumar maconha era quase um ritual entre músicos de rock. Em uma entrevista, Geezer Butler (baixista e principal letrista da banda) contou que muitas das letras com temas sombrios, existencialistas ou mesmo psicodélicos surgiam em meio a sessões de “chapação” coletiva. Segundo Butler, a erva ajudava a expandir a mente e refletir sobre temas que iam além do cotidiano, como religião, guerra, ocultismo e loucura, marcas registradas da sonoridade e lírica do Sabbath.

Contracultura, crítica social e viagens sonoras

Ao contrário da imagem caricata que se formou em torno de Ozzy ao longo dos anos, o Black Sabbath sempre foi uma banda com forte crítica social. E a maconha fazia parte desse ambiente de contestação. O disco de estreia da banda, Black Sabbath (1970), foi lançado justamente em um período em que a repressão às drogas aumentava no Reino Unido e nos EUA, ao mesmo tempo em que a contracultura se fortalecia.

Canções como “Sweet Leaf” (Doce Folha), do álbum Master of Reality (1971), deixam claro o amor da banda pela ganja. O título da música já é uma gíria para a cannabis, e a introdução com uma tosse de Ozzy registrada ao vivo após uma tragada em um baseado é um dos sons mais emblemáticos da relação entre o rock e a erva. A letra é uma ode ao efeito relaxante e inspirador da planta e uma declaração explícita de amor pela maconha, como podemos ouvir no trecho: “I love you sweet leaf though you can’t hear”.

Entre exageros e reflexões

Claro que o uso de substâncias na cena do rock nem sempre foi saudável, e o próprio Ozzy é um exemplo de como o abuso pode cobrar um preço alto. Mas diferentemente de drogas pesadas, a maconha sempre foi vista por muitos músicos, incluindo os integrantes do Sabbath, como uma aliada criativa, espiritual e medicinal.

Em tempos em que o debate sobre a legalização ganha força ao redor do mundo, é sempre bom lembrar como artistas (que se relacionaram com a planta) moldaram toda a história.

Referência de texto: “Iron Man: My Journey through Heaven and Hell with Black Sabbath”, autobiografia de Tony Iommi (2011) / “I Am Ozzy”, autobiografia de Ozzy Osbourne (2010) / Songfact.com

EUA: 8 em cada 10 usuários de maconha a usam como substituto de medicamentos prescritos, revela nova pesquisa

EUA: 8 em cada 10 usuários de maconha a usam como substituto de medicamentos prescritos, revela nova pesquisa

De acordo com uma nova pesquisa, 8 em cada 10 usuários de maconha nos EUA dizem que usam a erva, pelo menos em parte, como uma alternativa aos medicamentos tradicionais prescritos.

A pesquisa da plataforma NuggMD fez uma pergunta simples aos usuários: “Você usa cannabis como substituto de medicamentos prescritos?”

Dos 485 entrevistados, 79,6% afirmaram que, de fato, usaram maconha como substituto de produtos farmacêuticos, em comparação com 20,4% que disseram que não.

“Os interesses farmacêuticos sabem que o efeito de substituição que a cannabis tem em seus produtos é real”, disse Andrew Graham, chefe de comunicações da NuggMD, ao portal Marijuana Moment. “A proibição federal fixa uma grande demanda por seus medicamentos viciantes e potencialmente fatais, privando milhões (de pessoas) do acesso legal à planta, e não consigo citar um único interesse alinhado com a Big Pharma que tenha declarado apoio ao seu fim”.

“Nossa pesquisa mais recente mostra que o efeito de substituição pode ser muito maior do que a indústria farmacêutica imagina”, disse ele. “A pesquisa estima que cerca de 40 milhões de estadunidenses usam maconha em algum grau como substituto de medicamentos prescritos. Isso está custando bilhões de dólares anualmente à indústria farmacêutica em lucros perdidos”.

“Eu realmente quero que a indústria farmacêutica veja esses dados e decida investir ainda mais recursos no combate à planta. Porque quanto mais barulho eles fazem contra a cannabis, mais popular o nosso movimento se torna. Eles são muito impopulares”, acrescentou Graham.

Notavelmente, a maioria dos entrevistados na amostra da pesquisa não relatou ter um cartão estadual de maconha para uso medicinal, indicando que o efeito de substituição se estende além da população de pacientes registrados.

Enquanto isso, em maio, um estudo sobre o efeito da legalização da maconha na indenização trabalhista descobriu que, embora a mudança de política esteja associada a um “aumento gradual” nas reivindicações de indenização trabalhista, o custo médio por reivindicação na verdade caiu após a reforma, assim como o uso de medicamentos prescritos pelos pacientes, especialmente opioides e outros analgésicos.

Outras pesquisas sobre o uso de maconha para fins medicinais para dor descobriram que ela era “comparativamente mais eficaz do que medicamentos prescritos” para tratar dor crônica após um período de três meses, e que muitos pacientes reduziram o uso de analgésicos opioides enquanto usavam cannabis.

Um estudo recente financiado pelo governo estadunidense, por exemplo, mostra que a legalização da maconha nos estados dos EUA está associada à redução de prescrições de analgésicos opioides entre adultos com seguro comercial, indicando um possível efeito de substituição, em que os pacientes estão optando por usar maconha em vez de medicamentos prescritos para tratar a dor.

Pesquisas recentes adicionais também mostraram um declínio nas overdoses fatais por opioides em jurisdições onde a maconha foi legalizada para adultos. Esse estudo encontrou uma “relação negativa consistente” entre a legalização e overdoses fatais, com efeitos mais significativos nos estados que legalizaram a maconha no início da crise dos opioides. Os autores estimaram que a legalização da maconha para uso adulto “está associada a uma redução de aproximadamente 3,5 mortes por 100.000 indivíduos”.

Outro relatório publicado recentemente sobre o uso de opioides prescritos em Utah, após a legalização da maconha para uso medicinal no estado, constatou que a disponibilidade de cannabis legal reduziu o uso de opioides por pacientes com dor crônica e ajudou a reduzir as mortes por overdose de medicamentos prescritos em todo o estado. No geral, os resultados do estudo indicaram que “a cannabis tem um papel substancial no controle da dor e na redução do uso de opioides”, afirmou.

Outro estudo, publicado em 2023, relacionou o uso de maconha à redução dos níveis de dor e à redução da dependência de opioides e outros medicamentos prescritos. E outro, publicado pela Associação Médica Americana (AMA) em fevereiro passado, constatou que pacientes com dor crônica que receberam maconha por mais de um mês apresentaram reduções significativas nos opioides prescritos.

Cerca de um em cada três pacientes com dor crônica relatou usar cannabis como opção de tratamento, de acordo com um relatório publicado pela AMA em 2023. A maioria desse grupo afirmou usar maconha como substituto de outros analgésicos, incluindo opioides.

Enquanto isso, um artigo de pesquisa de 2022 que analisou dados do Medicaid sobre medicamentos prescritos descobriu que a legalização da maconha para uso adulto estava associada a “reduções significativas” no uso de medicamentos prescritos para o tratamento de diversas condições.

Um relatório de 2023 vinculou a legalização da maconha para uso medicinal em nível estadual à redução dos pagamentos de opioides aos médicos — outro dado que sugere que os pacientes usam maconha como alternativa aos medicamentos prescritos quando têm acesso legal.

Pesquisadores em outro estudo, publicado no ano passado, analisaram as taxas de prescrição e mortalidade por opioides no Oregon, descobrindo que o acesso próximo à maconha em lojas de varejo reduziu moderadamente as prescrições de opioides, embora não tenham observado nenhuma queda correspondente nas mortes relacionadas a opioides.

Outras pesquisas recentes também indicam que a maconha pode ser um substituto eficaz para opioides em termos de controle da dor.

Um relatório publicado recentemente no periódico BMJ Open, por exemplo, comparou maconha e opioides para dor crônica não oncológica e descobriu que a cannabis “pode ​​ser igualmente eficaz e resultar em menos interrupções do que os opioides”, potencialmente oferecendo alívio comparável com menor probabilidade de efeitos adversos.

Pesquisas separadas descobriram que mais da metade (57%) dos pacientes com dor musculoesquelética crônica disseram que a cannabis era mais eficaz do que outros medicamentos analgésicos, enquanto 40% relataram redução no uso de outros analgésicos desde que começaram a usar maconha.

Enquanto isso, em Minnesota, um relatório recente do governo estadual sobre pacientes com dor crônica inscritos no programa estadual de maconha para uso medicinal disse recentemente que os participantes “estão percebendo uma mudança notável no alívio da dor” dentro de alguns meses após o início do tratamento com a planta.

Além dos produtos farmacêuticos, analistas financeiros disseram no ano passado que esperam que a expansão do movimento de legalização da maconha continue a representar uma “ameaça significativa” para a indústria do álcool, citando dados de pesquisas que sugerem que mais pessoas estão usando maconha como um substituto para bebidas alcoólicas, como cerveja e vinho.

Referência de texto: Marijuana Moment

O que dá às variedades de maconha seus aromas e sabores característicos? Uma nova revisão científica esclarece

O que dá às variedades de maconha seus aromas e sabores característicos? Uma nova revisão científica esclarece

Uma nova revisão científica analisa profundamente os sabores e aromas da maconha, examinando como a composição genética da planta, os métodos de cultivo e o processamento pós-colheita afetam os vários compostos que dão à cannabis seu paladar característico.

O objetivo, diz o estudo, é “apoiar avanços em programas de melhoramento, melhorar o controle de qualidade do produto e orientar pesquisas futuras na ciência sensorial da cannabis”.

Uma ampla gama de moléculas (terpenos, flavonoides, fenóis, aldeídos, cetonas, ésteres e compostos contendo enxofre) está por trás dos perfis sensoriais da maconha, explica o estudo. Os terpenos são os que mais contribuem para o aroma da planta, mas os autores apontam que descobertas recentes sobre outros compostos “desafiam o foco convencional nos terpenos como os principais determinantes do aroma, ressaltando a importância dos voláteis na formação da complexidade aromática da cannabis”.

A produção desses produtos químicos é determinada tanto pelos genes da planta quanto por suas condições metabólicas e ambientais, acrescenta a revisão, o que significa que manter “propriedades agrícolas robustas — como uso otimizado de nutrientes e água, tolerância à temperatura, resistência a pragas e ciclos de crescimento mais curtos — continua sendo essencial mesmo quando os cultivadores reconfiguram os perfis de canabinoides e aromas”.

“Embora modificações nas características de sabor e no conteúdo de canabinoides possam melhorar a qualidade do produto”, diz, por exemplo, “há evidências crescentes de que essas características estão interligadas às respostas das plantas ao estresse e ao desempenho geral do cultivo”.

O aroma e o sabor da C. sativa L. são características definidoras que contribuem para sua identidade, apelo e potenciais efeitos terapêuticos. Esses atributos sensoriais surgem de uma interação complexa de fatores genéticos, bioquímicos e ambientais, com terpenos, flavonoides e outros compostos voláteis desempenhando papéis centrais.

As plantas também podem ser modificadas por meio de manipulação genética ou técnicas de manejo pós-colheita. “Ao otimizar essas variáveis”, explica a revisão, “é possível aprimorar os perfis de compostos de aroma e sabor”.

Embora a tecnologia de edição genética possa revisar a composição fundamental das plantas de maconha, vários fatores ambientais — que vão desde diferenças nos comprimentos de onda da luz, composição do solo e disponibilidade de água, entre outros — também podem afetar significativamente os níveis de terpenos, continua, destacando os papéis da luz UV e de vários nutrientes do solo.

“A combinação desses métodos — seleção genética, práticas otimizadas de cultivo e técnicas meticulosas de pós-colheita — produz os resultados mais eficazes”, escreveram os autores no novo artigo. “Por exemplo, selecionar variedades com alto potencial terpeno, cultivá-las sob regimes específicos de luz e nutrientes e empregar métodos precisos de secagem e cura pode maximizar as qualidades de aroma e sabor da cannabis”.

A revisão, realizada por quatro pesquisadores independentes na Suíça e na Alemanha, juntamente com o fundador da empresa espanhola de ciências vegetais SeedCraft, foi publicada no final do mês passado no periódico Molecules.

“Ao aproveitar os avanços em genética, agronomia e manejo pós-colheita”, diz, “é possível não apenas preservar, mas também melhorar os perfis de terpenos da C. sativa L., melhorando, em última análise, a experiência sensorial dos consumidores e expandindo as aplicações nos contextos medicinal e recreativo”.

Os compostos que conferem à maconha seu aroma e sabor também são propensos à degradação, resultado de fatores como luz, calor, oxigênio e umidade. Muitos produtos químicos voláteis, por exemplo, são perdidos quando os produtos são expostos ao calor.

“Em relação à exposição à luz”, acrescenta o artigo, “UV e outros comprimentos de onda de luz podem catalisar reações fotoquímicas, levando à degradação de terpenos e à formação de subprodutos indesejáveis. Por exemplo, o limoneno pode oxidar sob exposição UV para produzir terpinoleno ou outros derivados oxidados, alterando seu aroma cítrico”.

A oxidação, continua, “não apenas reduz as concentrações de terpenos, mas também gera compostos adicionais com diferentes propriedades sensoriais, como álcoois ou cetonas, que podem alterar as características aromáticas e o sabor percebido dos produtos de cannabis”.

As estratégias de preservação podem incluir novos métodos de embalagem, refrigeração ou congelamento, remoção de oxigênio da embalagem, liofilização ou a chamada microencapsulação ou nanoencapsulação, onde os compostos desejados são incorporados em transportadores protetores.

Cultivadores de maconha e outros se beneficiariam de uma roda de sabores mapeando aromas de maconha, semelhante às práticas de padronização em vinho, café, chá e tabaco, escreveram os autores: “Os consumidores recebem uma ferramenta para combinar preferências com efeitos, enquanto os pesquisadores se beneficiam de um sistema padronizado que auxilia na comparação de dados e avança a compreensão científica do aroma e sabor da cannabis”.

Para tanto, os pesquisadores também publicaram um mapa com o objetivo de visualizar os descritores de sabor e aroma de vários terpenos disponíveis comercialmente. “Por exemplo, os descritores floral e lavanda são frequentemente usados ​​para linalol”, diz o artigo; “cítrico, limão e laranja são frequentemente usados ​​com limoneno; pinho é frequentemente usado com pineno; terroso e amadeirado são frequentemente usados ​​com humuleno; e amadeirado, picante e apimentado são frequentemente usados ​​com cariofileno”.

A nova revisão diz que pesquisas futuras “devem continuar a explorar as interações entre compostos, os fatores ambientais que influenciam sua produção e o desenvolvimento de técnicas de preservação para manter sua estabilidade”, com os autores opinando que a “aplicação de tecnologias de ponta, como biologia sintética e modelagem computacional, é promissora para otimizar perfis de aroma e sabor, ao mesmo tempo em que garante a qualidade e a consistência do produto”.

E embora uma “roda de aromas abrangente” seja “desejável na área”, afirma o artigo, desenvolvê-la pode ser um desafio. “Afirma-se que um estudo abrangendo diversas cepas, painelistas sensoriais treinados e uma análise metabolômica detalhada é essencial para garantir uma representação precisa”, afirma.

“Esta revisão destaca a complexidade e a importância do aroma e do sabor da cannabis, enfatizando a necessidade de colaboração contínua entre pesquisadores e partes interessadas da indústria”, conclui a revisão. “Ao abordar esses desafios, o setor da cannabis pode abrir novas oportunidades para o desenvolvimento de produtos e descobertas científicas”.

Enquanto isso, um estudo separado, realizado por um estudante de pós-graduação da Califórnia, descobriu recentemente que os incentivos no mercado legal da maconha — como o desejo de que as plantas amadureçam mais rápido e produzam mais canabinoides para extração — podem estar levando a um declínio na biodiversidade global da planta.

O artigo observou que, embora os humanos tenham criado seletivamente a planta de cannabis por milhares de anos, os criadores, no que se refere à era “pós-proibição”, otimizaram algumas características, como uma alta proporção de flores em oposição a caules ou folhas, conteúdo máximo de canabinoides, um “conjunto desejável” de terpenos aromáticos e um perfil químico reproduzível.

Em meio ao crescimento da pesquisa sobre maconha na era pós-proibição, pesquisadores continuam desvendando novos segredos sobre a planta. No início deste ano, por exemplo, pesquisadores anunciaram a identificação bem-sucedida de um novo canabinoide — a canabielsoxa — produzido pela planta, bem como uma série de outros compostos “relatados pela primeira vez nas flores de C. sativa”.

Outra pesquisa de 2023, publicada pela American Chemical Society, identificou “compostos de cannabis até então desconhecidos” que desafiaram a sabedoria convencional sobre o que realmente dá às variedades de cannabis seus perfis olfativos únicos.

Quanto a outras pesquisas recentes sobre a maconha, cientistas relataram em maio que identificaram 33 “marcadores significativos” no genoma da cannabis que “influenciam significativamente a produção de canabinoides” — uma descoberta que, segundo eles, promete impulsionar o desenvolvimento de novas variedades de plantas com perfis específicos de canabinoides.

Entre as descobertas estava o que o artigo chamou de um conjunto “massivo” de genes em um cromossomo da planta que envolvia cerca de 60 megabases (Mb) e estava associado especificamente a cultivares de cannabis com predominância de THC.

O artigo disse que os resultados “oferecem orientação valiosa para programas de melhoramento de Cannabis, permitindo o uso de marcadores genéticos precisos para selecionar e refinar variedades promissoras de Cannabis”.

Referência de texto: Marijuana Moment

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