Extrato de maconha e exercício aeróbico associados à redução da inflamação em modelo de fígado gorduroso

Extrato de maconha e exercício aeróbico associados à redução da inflamação em modelo de fígado gorduroso

Um estudo publicado essa semana pela revista Gene Reports descobriu que o extrato de maconha usado em conjunto com exercícios aeróbicos foi associado a mudanças favoráveis ​​na atividade genética ligada à inflamação e à sinalização metabólica em ratos com fígado gorduroso.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Islâmica Azad, no Irã, investigou se a combinação de exercícios físicos com um extrato da planta de maconha poderia ajudar a combater algumas das alterações moleculares associadas à doença hepática gordurosa. Os pesquisadores utilizaram 40 ratos Wistar machos, dividindo-os em cinco grupos: um grupo controle saudável e grupos com fígado gorduroso que receberam o suplemento de maconha, exercícios aeróbicos ou ambos.

Para induzir esteatose hepática, os ratos receberam uma dieta rica em gordura. Os grupos submetidos a exercícios realizaram treinamento em esteira cinco dias por semana durante seis semanas, enquanto os grupos suplementados receberam um extrato hidroalcoólico diário da cannabis na dose de 100 miligramas por quilograma durante o mesmo período.

De acordo com o estudo, ratos com fígado gorduroso apresentaram menor expressão dos genes AKT e PI3K no sangue em comparação com animais saudáveis. Esses genes estão envolvidos em importantes processos de sinalização celular relacionados ao metabolismo e à sobrevivência. O grupo que recebeu suplementação com maconha e exercícios aeróbicos apresentou maior expressão desses genes do que o grupo com fígado gorduroso não tratado.

Os pesquisadores também descobriram que a esteatose hepática estava associada ao aumento da expressão de IL-6 e MCP-1 no tecido cardíaco, dois marcadores inflamatórios frequentemente ligados ao estresse e danos teciduais. O grupo que recebeu tanto o extrato de maconha quanto o exercício apresentou menor expressão desses genes inflamatórios em comparação com os ratos com esteatose hepática que não receberam nenhuma intervenção.

Os resultados corroboram um crescente corpo de pesquisas que sugerem que os compostos da maconha podem influenciar a inflamação e a função metabólica, principalmente quando combinados com intervenções de estilo de vida saudáveis, como exercícios físicos. No entanto, o estudo foi realizado em ratos, não em humanos, e os pesquisadores afirmam que mais pesquisas são necessárias antes de se chegar a conclusões definitivas sobre como esses resultados podem ser aplicados a seres humanos.

Eles observam que estudos futuros devem medir a atividade proteica e incluir avaliações funcionais do coração para determinar se as alterações na expressão gênica observadas aqui levam a benefícios fisiológicos significativos.

Referência de texto: The Marijuana Herald

Fóssil de 56 milhões de anos encontrado na Alemanha pode ser a planta de maconha mais antiga já conhecida

Fóssil de 56 milhões de anos encontrado na Alemanha pode ser a planta de maconha mais antiga já conhecida

Um fóssil descoberto na Alemanha pode ser a planta relacionada à cannabis mais antiga já identificada, potencialmente retrocedendo a linha do tempo do gênero em cerca de 30 milhões de anos.

A folha fossilizada, datada entre 56 e 48 milhões de anos atrás, foi encontrada na região da Saxônia-Anhalt, na Alemanha, e agora está sendo destacada como uma possível parente antiga da maconha moderna. Isso a tornaria muito mais antiga do que as estimativas anteriores, que sugeriam que o gênero Cannabis surgiu a cerca de 28 milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, o fóssil estava na coleção de um museu há cerca de 150 anos, desde sua primeira descrição em 1883. Somente recentemente foi reexaminado em detalhes, o que despertou um interesse renovado devido à sua grande semelhança com as folhas de maconha atuais. Os pesquisadores afirmam que o formato da folha e o padrão de suas nervuras são surpreendentemente similares aos das plantas de maconha modernas.

Ainda assim, acredita-se que o fóssil não seja da mesma espécie que a Cannabis sativa ou a Cannabis indica modernas. Em vez disso, parece representar um parente extinto de um período muito anterior na história evolutiva da planta. Os pesquisadores observam que as variedades de maconha atuais foram fortemente moldadas pelo cultivo humano e pelo melhoramento seletivo, provavelmente ao longo de milhares de anos.

A descoberta é notável não apenas por sua idade, mas também pelo local onde foi encontrada. Durante anos, acreditou-se que a cannabis tivesse se originado na região do Planalto Tibetano, na Ásia. Este fóssil sugere que o gênero pode ter uma história muito mais antiga e abrangente do que se pensava anteriormente, e que sua origem pode não estar ligada apenas a regiões de alta altitude na Ásia.

Os pesquisadores afirmam que não conseguem determinar se a planta antiga continha THC porque o fóssil não preserva as minúsculas estruturas onde os canabinoides são produzidos.

Ainda assim, o fóssil oferece um dos indícios mais fortes até agora de que a história da maconha pode remontar a tempos muito mais antigos do que se acreditava, além de abrir caminho para novas questões sobre onde a planta surgiu pela primeira vez.

Referência de texto: The Marijuana Herald

Após 6 anos em tramitação, a SUG 25/2020 pela Regulamentação do Uso Adulto e do Autocultivo de maconha é rejeitada no Senado

Após 6 anos em tramitação, a SUG 25/2020 pela Regulamentação do Uso Adulto e do Autocultivo de maconha é rejeitada no Senado

A sugestão legislativa (SUG) Nº 25 de 2020 pela Regulamentação do Uso Adulto e Autocultivo de maconha no Brasil foi rejeitada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) em reunião na última quarta-feira (15). Os senadores acompanharam o voto de Eduardo Girão (NOVO-CE), que – em um discurso cheio de desinformação – chamou atenção para os efeitos nocivos da substância e para a “inviabilidade prática” da fiscalização do produto.

A SUG 25/2020 vem da ideia legislativa apresentada ao portal e-Cidadania por Diego Brandon (idealizador do portal DaBoa Brasil), que, ainda em 2020, recebeu mais de 20 mil apoios em um mês. A consulta pública, ainda em aberto até o fechamento desta matéria, contabiliza 19.593 votos SIM contra 2.199 votos NÃO. Votos esses que foram totalmente ignorados pelos senadores.

Além de regulamentar o uso adulto da maconha, a ideia estipula uma quantidade permitida de até 20 plantas por pessoa, com o objetivo de tornar possível o acesso sem depender do comércio ilegal. A sugestão também propõe reformas de justiça social, garantindo a proteção aos consumidores e cultivadores e medidas de equidade social na indústria legal da maconha. Além de também propor a garantia de prioridade aos que já sofreram alguma forma de repressão, ou foram presos pelo uso ou cultivo da planta, na participação da indústria legal.

Desde o início, a SUG passou pelas mãos de Alessandro Vieira (MDB), Mara Gabrilli (PSD), Fabiano Contarato (PT), Paulo Paim (PT) e Cleitinho (Republicanos), que rejeitaram a relatoria. Eduardo Girão aceitou a relatória, votou pela rejeição e arquivamento.

Em seu relatório, conforme noticiou a Agência Senado, Girão discordou dos argumentos, mencionando “impactos negativos para a saúde pública, a segurança e a capacidade de fiscalização do Estado”. Ele citou a permissão para uso medicinal de produtos à base de cannabis, que é submetida a rigoroso controle.

“Mesmo no âmbito medicinal, o Estado brasileiro opera sob uma lógica de cautela e controle intensivo. Não há, em nenhuma hipótese, autorização para autocultivo irrestrito, tampouco para uso recreativo. Ao contrário, a evolução regulatória evidencia que quanto maior o conhecimento técnico sobre a matéria, maior tem sido a necessidade de controle e supervisão estatal”.

Na discussão do projeto, o senador avaliou que a proposta ecoa o sentimento de uma parcela pequena da sociedade, pois, conforme argumentou, “a maior parte da população é contra a liberação das drogas”. Ele criticou o STF pela decisão de liberar o porte de pequenas quantidades de maconha. Girão disse: “Eles não param o ativismo. Sei lá a quais interesses servem, mas aqui no Senado a gente vai fazer o nosso papel, e nós estamos aqui rejeitando uma proposta de regulamentação (…). É o Congresso resistindo, mesmo com a nossa democracia em frangalhos”.

E a presidente da CDH, Damares Alves, do partido Republicanos-DF, – (sim, a sobrinha do pastor e ex-deputado que teve seu avião apreendido com 290 kg de flor de maconha em 2023) – saudou os “dados, números e evidências” apresentados por Girão para embasar seu voto.

NOTA DO AUTOR DA SUGESTÃO:

Após 6 anos, vemos mais uma vez que os ditos “representantes” do povo não respeitam as demandas do povo. A SUG 25/2020 é uma iniciativa popular e veio como uma resposta direta aos modelos de regulamentação que só atendem ao lobby das grandes indústrias e associações. Se alguns podem lucrar com a planta, todos devemos ter o direito ao cultivo para uso próprio.  As falas dos senadores que criticaram a sugestão são carregadas de desinformação, ignorância e preconceito. Dão a desculpa de que estão preocupados com a saúde pública, mas ignoram o fato de tantas coisas realmente nocivas serem legalizadas. Usam o termo “liberação das drogas” para deturpar o real sentido de uma “regulamentação do uso adulto”.

Girão, sim, nós NÃO VAMOS PARAR O ATIVISMO. Pois nossa luta é legítima e a forma mais eficaz de combate ao tráfico é o autocultivo. Sabemos que existem mega traficantes, inclusive ocupando cadeiras no Senado, que não querem perder seus lucros do mercado ilegal. Sabemos também o quão grande é o lobby da indústria farmacêutica e que fazem de tudo para monopolizar a planta. Mas, sim, nós NÃO VAMOS PARAR O ATIVISMO.

Aos senadores que rejeitaram esse avanço, vocês podem tentar proibir a planta, mas a planta é parte da natureza, existe antes dos seres humanos e continuará existindo depois que formos todos embora. Um dia, as futuras gerações lembrarão o quão ridículo foram aqueles que tentaram impedir uma planta de nascer.

 

Uso de maconha associado a menor risco de diversas doenças metabólicas, mostra estudo

Uso de maconha associado a menor risco de diversas doenças metabólicas, mostra estudo

Uma nova pesquisa publicada na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases descobriu que o uso de maconha está associado a uma redução modesta no risco de vários distúrbios metabólicos, sendo que essa relação varia significativamente dependendo do índice de massa corporal (IMC).

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina do Hospital Feminino da Universidade de Zhejiang e do Primeiro Hospital Popular de Taizhou, na China, utilizando dados de 91.002 participantes do Biobanco do Reino Unido que não apresentavam doenças metabólicas no início do estudo.

Após ajustes para diversos fatores, o uso de maconha foi associado a um risco 6% menor de desenvolver doenças metabólicas em geral. Os dados também mostraram uma redução de 7% no risco de hipertensão e de 18% no risco de diabetes tipo 2 entre os usuários. A descoberta mais expressiva foi entre os usuários frequentes, que apresentaram um risco 43% menor de obesidade em comparação com os não usuários.

No entanto, a relação não foi consistente em todos os grupos. Os pesquisadores descobriram que o IMC desempenhou um papel significativo na determinação dos resultados. Entre os indivíduos com IMC abaixo de 25, o uso de maconha foi mais fortemente associado à redução do risco em diversas condições. Em contrapartida, entre aqueles com IMC acima de 30, o uso moderado de maconha foi associado a um aumento de 26% no risco de doenças metabólicas e a um aumento de 40% no risco de hipertensão.

O estudo não encontrou nenhuma associação significativa entre o uso de maconha e os riscos de hiperlipidemia ou doença hepática gordurosa não alcoólica.

Os pesquisadores afirmam que as descobertas destacam uma relação complexa entre o uso de maconha e a saúde metabólica, com benefícios potenciais parecendo mais pronunciados em indivíduos com menor peso corporal. Eles alertam que os resultados são baseados em dados observacionais, o que significa que não se pode estabelecer causalidade.

Referência de texto: The Marijuana Herald

A maconha ajuda pessoas a pararem de usar opioides, remédios para dormir e outros medicamentos controlados, mostra estudo

A maconha ajuda pessoas a pararem de usar opioides, remédios para dormir e outros medicamentos controlados, mostra estudo

De acordo com um novo estudo com mais de 3.500 pacientes, o uso de maconha parece ajudar as pessoas a reduzirem o uso de outros medicamentos, incluindo opioides, indutores do sono e antidepressivos. Elas também apresentam muito menos efeitos colaterais negativos após a troca de medicamentos prescritos pela planta.

Os resultados da pesquisa mostram que, em todas as categorias de medicamentos, os pacientes conseguiram reduzir o uso de outros medicamentos prescritos em uma média de 84,5% após iniciarem o consumo de cannabis.

Mais da metade dos pacientes (58,9%) interrompeu completamente o uso de outros medicamentos prescritos.

O estudo, conduzido e publicado pela empresa Bloomwell, envolveu uma pesquisa online com 3.528 pacientes na Alemanha no mês passado.

“Com o uso da cannabis, os pacientes conseguiram reduzir o uso de outros medicamentos prescritos em uma média de 84,5% em todas as categorias”.

O estudo revelou que 93,4% dos pacientes que tomavam remédios para dormir com receita médica conseguiram reduzir o consumo em pelo menos metade após começarem a usar cannabis, e 75,5% conseguiram parar completamente de tomar os medicamentos.

No caso do metilfenidato, um medicamento para TDAH vendido sob o nome de Ritalina, 77,3% dos pacientes que utilizavam maconha conseguiram interromper completamente o uso.

61% dos pacientes que anteriormente dependiam de opioides conseguiram interromper completamente o uso com a ajuda da maconha.

A interrupção do uso dos medicamentos prescritos também levou a uma grande redução nos efeitos colaterais associados à medicação, com 60,7% dos participantes relatando que não estavam mais sentindo nenhum efeito colateral.

“Esses relatos de pacientes comprovam que, em muitos casos, além do tratamento dos sintomas em si, um dos principais motivos para um teste terapêutico individual com cannabis é a ausência ou redução dos efeitos colaterais associados à medicação”, concluiu o estudo.

“60,7% dos pacientes relatam não apresentar mais efeitos colaterais associados a medicamentos devido ao uso de cannabis”.

No entanto, foram relatados efeitos colaterais positivos, com 67,8% afirmando que a cannabis os ajudou a se concentrar melhor, 61,9% dizendo que os ajudou a cultivar mais contatos sociais e 53,9% relatando menos dias de afastamento do trabalho por doença.

Referência de texto: Marijuana Moment

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