Exposição pré-natal à maconha não está associada a resultados cognitivos negativos na adolescência, mostra estudo

Exposição pré-natal à maconha não está associada a resultados cognitivos negativos na adolescência, mostra estudo

A exposição pré-natal à maconha não está associada a resultados cognitivos negativos na adolescência, de acordo com dados longitudinais publicados na revista Alcohol: Clinical & Experimental Research.

Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e da Austrália avaliou o desempenho cognitivo em uma coorte de adolescentes com e sem exposição pré-natal à cannabis e/ou ao álcool. Os adolescentes foram avaliados aos 10 anos de idade (linha de base) e novamente aos 12 e 14 anos.

Os investigadores não identificaram quaisquer associações negativas após ajustarem as covariáveis ​​socioeconômicas. “Surgiram poucas evidências de efeitos negativos da exposição pré-natal a baixos níveis de álcool, cannabis ou à combinação de ambos no desenvolvimento cognitivo dos adolescentes, após considerar os fatores sociodemográficos”, concluíram.

“Este estudo utilizou um grande conjunto de dados longitudinais para examinar os efeitos diferenciais e combinados da exposição pré-natal ao álcool (EPA) e da exposição pré-natal à cannabis (EPC) nas trajetórias das habilidades cognitivas ao longo da adolescência, um período crítico do desenvolvimento cognitivo. (…) Nenhum efeito persistiu após a inclusão de covariáveis. (…) Os resultados sugerem que o consumo leve de álcool e cannabis durante a gestação não está associado a desfechos cognitivos negativos a longo prazo na adolescência e destacam a importância de se considerar o impacto de fatores sociais ao estudar associações com o uso de substâncias durante a gestação”, concluíram os autores do estudo.

Os resultados são consistentes com os de um estudo publicado no ano passado na revista Academic Pediatrics, que relatou que indivíduos expostos à maconha no útero não têm maior probabilidade de sofrer atrasos no desenvolvimento quando crianças pequenas do que aqueles sem exposição pré-natal.

Embora alguns estudos tenham associado a exposição à cannabis no útero com baixo peso ao nascer, estudos longitudinais que acompanham bebês expostos à maconha no útero até a idade adulta geralmente não conseguiram identificar “quaisquer diferenças significativas de longo prazo ou duradouras” em seu neurodesenvolvimento.

Referência de texto: NORML

Equador inicia debate legislativo sobre regulamentação do uso adulto da maconha

Equador inicia debate legislativo sobre regulamentação do uso adulto da maconha

A Assembleia Nacional do Equador aceitou uma iniciativa popular para regulamentar o uso responsável da maconha. Embora isso ainda não implique em legalização imediata, abre um debate fundamental em um país onde a discussão sobre drogas começa a transcender o âmbito punitivo e a adentrar a arena política.

O que aconteceu em Quito tem peso político que vai além da sessão parlamentar, visto que a proposta legislativa foi apresentada como uma iniciativa cidadã e superou o primeiro obstáculo formal, uma vez que a Assembleia a considerou em conformidade com os requisitos técnicos e legais para prosseguir. Isso é importante porque desloca a discussão do âmbito da proibição para o processo legislativo propriamente dito, com prazos definidos e atores institucionais envolvidos. Além disso, reabre um debate que já havia começado no Equador sobre o uso medicinal da maconha, embora em um contexto mais limitado.

A própria Assembleia esclareceu que essa aceitação ainda não implica uma análise substancial, e a comissão de qualificação limitou-se a analisar o formato da apresentação e a viabilidade jurídica do processo. Em seguida, o Conselho Nacional Eleitoral deverá verificar e validar o número de assinaturas exigido pela legislação para que a iniciativa prossiga. Somente após essa análise terá início a fase de debate legislativo propriamente dito.

De acordo com informações disponíveis publicamente sobre o projeto, a iniciativa busca regulamentar o acesso à cannabis para uso adulto sob controle estatal. Os pontos mencionados incluem restrições ao uso por menores de idade, a possibilidade de associações ou clubes para adultos e a criação de uma instituição específica para supervisionar o cultivo, a produção e a venda em domicílio. Também foi relatado que a proposta contempla a venda em espaços regulamentados pelo Estado. No entanto, tudo isso ainda está em fase de discussão e não constitui uma regulamentação vigente.

O Equador já possui regulamentações para o uso medicinal e produtos relacionados ao cânhamo. O que agora vem à tona é um outro nível de debate, relacionado à disposição do país em estender esse marco regulatório ao uso adulto, e em fazê-lo por meio de regulamentações que visem reduzir o tamanho do mercado ilegal e trazer ordem a uma realidade social que a proibição jamais conseguiu erradicar.

O sinal que o Equador está enviando ainda não é uma reforma completa, mas permite a entrada formal da maconha no debate democrático. Em uma região acostumada a discutir drogas através do pânico moral ou da guerra, o fato de a questão estar avançando por meio de uma iniciativa cidadã e um processo legislativo aberto já constitui um movimento político significativo. A questão agora não é mais se haverá ou não debate sobre o assunto, mas até que ponto permitirão que ele chegue.

No Brasil temos a Sugestão n° 25, de 2020 (SUG 25/2020) pela Regulamentação do Uso Adulto e do Autocultivo. A sugestão está em tramitação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa desde o dia 06/10/2020 e propõe a alteração da atual lei das drogas vigente no país (11.343/2006), regulamentando o uso adulto e o autocultivo da maconha. Estipulando uma quantidade permitida de 20 plantas, ou mais, por pessoa. Também propõe reformas de justiça social, garantindo a proteção aos consumidores e cultivadores e medidas de equidade social na indústria legal da maconha. Além de também propor a garantia de prioridade aos que já sofreram alguma forma de repressão, ou foram presos pelo uso ou cultivo da planta, na participação da indústria legal da cannabis. Você pode confirmar seu apoio e votar SIM acessando o link.

Referência de texto: Cáñamo

Suíça: Zurique estende programa piloto de uso adulto da maconha por dois anos

Suíça: Zurique estende programa piloto de uso adulto da maconha por dois anos

O programa suíço de legalização da maconha para uso adulto continuará até outubro de 2028. A prorrogação reforça um dos programas de acesso regulamentado mais acompanhados da Europa e oferece mais tempo para avaliar as mudanças que ocorrem quando o mercado ilegal deixa de ser a única forma de acesso.

O projeto Züri Can faz parte da estrutura federal que a Suíça estabeleceu em 2021 para ensaios científicos com maconha para uso adulto. Desde então, o projeto evoluiu para um programa de distribuição de cannabis, supervisionado pelo governo, permitindo que pesquisadores observem o que acontece quando o acesso deixa de depender do mercado ilegal e passa a ser regulamentado e monitorado. Em Zurique, o estudo também compara diferentes modelos de distribuição para avaliar seus efeitos na saúde física e mental, nos padrões de consumo e na relação dos usuários com o sistema legal.

Em outubro de 2025, a cidade solicitou uma prorrogação do estudo e um adicional de 800.000 francos suíços para sustentá-lo além da duração inicial. A atualização oficial publicada pela Universidade de Zurique confirmou que a Câmara Municipal aprovou o financiamento para essa prorrogação de dois anos e que a prorrogação também recebeu aprovação da Comissão de Ética Cantonal e do Departamento Federal de Saúde Pública.

Essa continuidade também é sustentada pela escala do programa, algo já evidente nos dados iniciais do estudo divulgados meses atrás. Segundo a universidade, atualmente existem 2.456 pessoas cadastradas e autorizadas a comprar maconha regulamentada por meio de um sistema com 21 pontos de acesso. O projeto-piloto compara três canais de distribuição (farmácias, clubes sociais de maconha e um centro municipal especializado em informações sobre drogas) e, até a última atualização oficial, registrou aproximadamente 110.500 vendas e a distribuição de cerca de 940 quilos de erva em embalagens de cinco gramas. É significativo que a Züri Can tenha incorporado clubes sociais sem fins lucrativos como parte formal do modelo, pois é aí que entra em jogo um aspecto importante do debate europeu sobre que tipo de regulamentação pode ser construída sem perpetuar práticas puramente comerciais.

Embora o projeto-piloto de Zurique ainda não equivalha à legalização geral, seu peso político é evidente justamente por seu escopo limitado. Na Suíça, o uso adulto de maconha permanece proibido fora desses projetos-piloto, portanto, o programa piloto serve como campo de testes enquanto o país debate uma nova Lei de Produtos de Cannabis (Cannabisproduktegesetz), um projeto de lei federal que propõe acesso estritamente regulamentado para adultos, tendo a saúde pública e a proteção de menores como prioridades declaradas.

O que está em jogo em Zurique é que a planta pode ir além da proibição abstrata e entrar em um regime de controle público sem necessariamente copiar os modelos comerciais mais agressivos. Se o laboratório suíço continuar a produzir evidências consistentes, o debate europeu terá cada vez menos espaço para fingir que o fornecimento de maconha sempre tende para o mercado ilegal.

Referência de texto: Cáñamo

Mike Tyson anuncia inauguração de seu novo lounge para consumo de maconha

Mike Tyson anuncia inauguração de seu novo lounge para consumo de maconha

Mike Tyson anunciou a inauguração de um novo lounge para consumo de maconha no Brooklyn, marcando uma grande expansão de sua marca Tyson 2.0 para o mercado legal de Nova York (EUA).

O Tyson 2.0 Consumption Lounge tem inauguração prevista para 20 de abril oferecendo o que está sendo descrito como um “santuário de consumo premium”, onde os clientes poderão desfrutar da maconha em um ambiente comunitário. O local será conectado à Q Dispensary, que comercializará os produtos da Tyson 2.0, além de outras opções de cannabis de alta qualidade.

A inauguração tem um significado pessoal para Tyson, que cresceu no Brooklyn. “É como fechar um ciclo, poder trazer um lounge de consumo para o Brooklyn”, disse Tyson. “Este lugar sempre será minha casa, e estou ansioso para estar lá e comemorar com todos no dia 20 de abril”.

O evento de lançamento também servirá como uma grande celebração do 4/20, apresentando um show de comédia com curadoria de Priya Blunts. A programação inclui artistas que já se apresentaram em plataformas como HBO, Netflix e Comedy Central. Os organizadores afirmam que o evento acontecerá em um local que contará com um ringue de boxe para as apresentações, fazendo referência ao legado de Tyson no boxe.

Além das apresentações de comédia, o evento contará com música e com brindes para os primeiros participantes.

A inauguração no Brooklyn representa a expansão contínua da Tyson 2.0 nos mercados da Costa Leste do país norte-americano, com a empresa já mantendo uma forte presença global.

Referência de texto: The Marijuana Herald

CBN e THCV são eficazes na redução do consumo de álcool, superando o CBD, mostra estudo

CBN e THCV são eficazes na redução do consumo de álcool, superando o CBD, mostra estudo

Uma nova pesquisa publicada na revista Alcohol and Alcoholism, conduzida por pesquisadores da Universidade de Vilnius, na Lituânia, descobriu que certos compostos da maconha podem reduzir significativamente o consumo de álcool, sendo que alguns demonstraram maior eficácia do que o canabidiol (CBD).

O estudo examinou três fitocanabinoides — canabinol (CBN), tetraidrocanabivarina (THCV) e CBD — em ratos com consumo voluntário de álcool a longo prazo. Os pesquisadores descobriram que todos os três compostos reduziram a ingestão de álcool, mas o CBN e o THCV produziram os efeitos mais consistentes e pronunciados, incluindo reduções tanto no consumo quanto na preferência por álcool.

O CBN, um agonista parcial do receptor CB1, demonstrou uma redução dose-dependente na ingestão de álcool que persistiu por vários dias após o término do tratamento. O THCV, um antagonista neutro do CB1, também reduziu o consumo de álcool, embora seus efeitos tenham sido um pouco menos robustos e observados principalmente em doses mais elevadas. Ambos os compostos também levaram a um aumento na ingestão de água, sugerindo uma redução específica no consumo de álcool em vez de uma supressão geral da ingestão de líquidos.

Em contrapartida, o CBD teve um impacto mais limitado. Embora tenha reduzido ligeiramente a ingestão geral de álcool, não afetou significativamente a preferência por álcool ou o consumo de água. Os pesquisadores também observaram que o CBD reduziu a atividade locomotora e diminuiu os marcadores associados a estados emocionais positivos nos animais, indicando um perfil de efeitos colaterais diferente em comparação com o CBN e o THCV.

É importante ressaltar que nenhum dos compostos causou sinais de desconforto nos animais, embora tenham sido observados efeitos sedativos leves e pequenas reduções no peso corporal em doses mais elevadas.

Os pesquisadores concluíram que o CBN e o THCV podem apresentar maior potencial como tratamentos para o transtorno por uso de álcool, principalmente devido à sua eficácia e aos perfis de segurança relativamente favoráveis ​​observados neste modelo pré-clínico. Eles observam que serão necessárias mais pesquisas, incluindo ensaios clínicos em humanos, para determinar se esses resultados se aplicam à prática clínica.

Referência de texto: The Marijuana Herald

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