O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, está pedindo aos legisladores que legalizem a maconha no país, argumentando que a proibição “só traz violência” dos cartéis no mercado ilícito. E ele também está pressionando outras nações a legalizarem as folhas de coca para “outros propósitos que não a cocaína”.
No domingo, Petro alertou em uma publicação nas redes sociais sobre a “multinacionalização das máfias da cocaína”, alegando que há mais cartéis hoje do que antes do famoso traficante Pablo Escobar ser capturado e preso.
“O fortalecimento das organizações mafiosas mostra o fracasso da proibição e a ausência de medidas alternativas à simples proibição”, disse o presidente.
“Meu governo manterá total cooperação com todos os governos na questão do confisco de cocaína”, ele acrescentou. “E ele focou e focará sua ação em grandes carregamentos e em chefes de alto escalão da cocaína e lavagem de dinheiro em todo o mundo”.
Petro então disse que está pedindo ao Congresso colombiano para “legalizar a maconha e remover a violência desse cultivo”.
“A proibição da maconha na Colômbia só traz violência”, disse ele.
Além disso, ele apelou aos “governos do mundo para que acabem com a proibição do uso de folhas de coca para outros fins que não a cocaína nas Nações Unidas”, afirmando que, “se as folhas de coca forem usadas em fertilizantes, alimentos e outros usos, a política de substituição de cultivos ilícitos melhora”.
A posição do presidente sobre questões de política de drogas é bem conhecida, já que Petro há muito tempo sustenta que as regulamentações representam uma alternativa mais eficaz e potencialmente benéfica economicamente à proibição.
No mês passado, ele também disse que a cocaína “não é pior que o uísque”, ao mesmo tempo em que argumentava que os cartéis poderiam ser “facilmente desmantelados” se a droga fosse legalizada e “vendida como vinho”.
Petro também já havia pedido uma reforma da maconha no país e disse no final de 2023 que os legisladores que votaram para arquivar um projeto de lei de legalização naquele ano só ajudaram a perpetuar o tráfico ilegal de drogas e a violência associada ao comércio não regulamentado.
Os legisladores quase promulgaram uma versão anterior da medida de legalização no início daquele ano, mas ela também estagnou na fase final da última sessão do Senado, fazendo com que os apoiadores tivessem que reiniciar o longo processo legislativo.
Em audiência pública no painel do Senado em 2022, o ministro da Justiça, Néstor Osuna, disse que a Colômbia foi vítima de “uma guerra fracassada que foi planejada há 50 anos e, devido ao proibicionismo absurdo, nos trouxe muito sangue, conflito armado, máfias e crime”.
Após uma visita aos EUA em 2023, o presidente colombiano lembrou-se de sentir o cheiro de maconha flutuando pelas ruas da cidade de Nova York, comentando sobre a “enorme hipocrisia” das vendas legais de maconha que estão ocorrendo atualmente no país que deu início à guerra global às drogas décadas atrás.
Petro também assumiu um papel de liderança na Conferência Latino-Americana e do Caribe sobre Drogas em 2023, observando que a Colômbia e o México “são as maiores vítimas desta política”, comparando a guerra às drogas a “um genocídio”.
Em 2022, Petro fez um discurso em uma reunião das Nações Unidas, pedindo aos países-membros que mudassem fundamentalmente suas abordagens à política de drogas e se desfizessem da proibição.
Ele também falou sobre as perspectivas de legalizar a maconha na Colômbia como um meio de reduzir a influência do mercado ilícito. E sinalizou que a mudança de política deve ser seguida pela libertação de pessoas que estão atualmente na prisão por causa da planta.
La caída de Namoussir Mounir, enlace entre carteles colombianos y mexicanos con carteles de los balcanes, quien residía en Cartagena, muestra el grado de multinacionalización de las mafias de la cocaína.
Hoy existen carteles mucho más poderosos que en le época de Pablo Escobar.… pic.twitter.com/VwZUxdsZBR
— Gustavo Petro (@petrogustavo) March 2, 2025
Referência de texto: Marijuana Moment
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