por DaBoa Brasil | abr 24, 2026 | Política
O Departamento de Justiça anunciou essa semana uma reclassificação parcial que reconhece o avanço já conquistado com o uso medicinal da maconha e reabre o debate sobre uma reforma federal mais ampla. Não é o fim da proibição (no país responsável pela proibição, diga-se de passagem), mas é mais um sinal de que a antiga estrutura legal está começando a ruir.
A nova medida não equivale à legalização federal, e é importante entender que o que o governo fez foi reconhecer, por meio de uma abordagem parcial e gradual, que uma parcela do mercado de uso medicinal já existente, é regulamentada pelos estados e não se enquadra na ficção jurídica de uma substância sem uso medicinal reconhecido. O anúncio ocorre mais de quatro meses após a reativação da reclassificação federal da maconha, iniciada em dezembro de 2015, quando o governo instruiu o Departamento de Justiça a acelerar a mudança no status da planta e expandir as pesquisas sobre maconha.
Essa mudança na regulamentação da cannabis tem duas fases: primeiro, os produtos de cannabis aprovados pela FDA e os produtos sujeitos a licenciamento médico estadual que atendam aos critérios estabelecidos pelo Departamento de Justiça serão transferidos para a Lista III. A segunda fase permanece em aberto, com uma nova audiência administrativa marcada para 29 de junho de 2026, para avaliar a reclassificação geral da maconha da Lista I para a Lista III. Para isso, o governo cancelou o procedimento anterior, iniciado após a publicação da proposta em 2024, e o substituiu por um processo que, segundo o próprio Departamento de Justiça, busca prazos mais definidos e uma resolução mais célere. Neste ponto, compreender o que a transferência para a Lista III implica torna-se crucial novamente, pois é aqui que reside grande parte do verdadeiro alcance da reforma.
O aspecto mais revelador é que o Departamento de Justiça baseia sua decisão nas obrigações dos Estados Unidos sob a Convenção Única sobre Entorpecentes e propõe um modelo de “federalismo cooperativo” que incorpora os sistemas estaduais de licenciamento médico à estrutura federal de registro. Nesse contexto, é importante entender que Washington não está desmantelando a proibição, mas sim reconhecendo que a regulamentação medicinal estadual amadureceu o suficiente para ser absorvida, ao menos em parte, pelo aparato federal.
Este esclarecimento é importante devido ao impacto da Seção 280E no mercado de maconha dos EUA, visto que a reclassificação parcial pode alterar o tratamento tributário dos operadores que se enquadram no regime medicinal reconhecido. Isso ocorre porque a Seção 280E do código tributário federal nega deduções para atividades relacionadas a substâncias das Listas I e II. No entanto, o próprio plano do Departamento de Justiça deixa claro que o alívio não se estende automaticamente a todo o setor. A maconha não coberta por produtos aprovados pelo FDA ou por licenças médicas estaduais qualificadas permanece, por enquanto, na Lista I, e o mercado de uso adulto permanece excluído dessa correção.
No entanto, esse progresso não pode ser subestimado, visto que, após anos em que dezenas de estados regulamentaram a cannabis medicinal enquanto a lei federal continuava a tratá-la como uma substância sem uso terapêutico aceito, a Casa Branca e o Departamento de Justiça estão tentando uma solução administrativa para um conflito que não pode mais ser ignorado.
A decisão marca, sem dúvida, uma mudança significativa, deslocando o foco do debate do antigo dogma da proibição total para uma aceitação federal, porém ainda limitada, das realidades médicas e regulatórias estabelecidas pelos estados. Contudo, revela também uma limitação: enquanto a reforma se concentrar no uso medicinal da maconha e excluir o uso adulto, a política federal continuará a gerir uma profunda contradição em vez de a resolver.
Referência de texto: Cáñamo
por DaBoa Brasil | abr 23, 2026 | Esporte, Saúde
Um estudo publicado essa semana pela revista Gene Reports descobriu que o extrato de maconha usado em conjunto com exercícios aeróbicos foi associado a mudanças favoráveis na atividade genética ligada à inflamação e à sinalização metabólica em ratos com fígado gorduroso.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Islâmica Azad, no Irã, investigou se a combinação de exercícios físicos com um extrato da planta de maconha poderia ajudar a combater algumas das alterações moleculares associadas à doença hepática gordurosa. Os pesquisadores utilizaram 40 ratos Wistar machos, dividindo-os em cinco grupos: um grupo controle saudável e grupos com fígado gorduroso que receberam o suplemento de maconha, exercícios aeróbicos ou ambos.
Para induzir esteatose hepática, os ratos receberam uma dieta rica em gordura. Os grupos submetidos a exercícios realizaram treinamento em esteira cinco dias por semana durante seis semanas, enquanto os grupos suplementados receberam um extrato hidroalcoólico diário da cannabis na dose de 100 miligramas por quilograma durante o mesmo período.
De acordo com o estudo, ratos com fígado gorduroso apresentaram menor expressão dos genes AKT e PI3K no sangue em comparação com animais saudáveis. Esses genes estão envolvidos em importantes processos de sinalização celular relacionados ao metabolismo e à sobrevivência. O grupo que recebeu suplementação com maconha e exercícios aeróbicos apresentou maior expressão desses genes do que o grupo com fígado gorduroso não tratado.
Os pesquisadores também descobriram que a esteatose hepática estava associada ao aumento da expressão de IL-6 e MCP-1 no tecido cardíaco, dois marcadores inflamatórios frequentemente ligados ao estresse e danos teciduais. O grupo que recebeu tanto o extrato de maconha quanto o exercício apresentou menor expressão desses genes inflamatórios em comparação com os ratos com esteatose hepática que não receberam nenhuma intervenção.
Os resultados corroboram um crescente corpo de pesquisas que sugerem que os compostos da maconha podem influenciar a inflamação e a função metabólica, principalmente quando combinados com intervenções de estilo de vida saudáveis, como exercícios físicos. No entanto, o estudo foi realizado em ratos, não em humanos, e os pesquisadores afirmam que mais pesquisas são necessárias antes de se chegar a conclusões definitivas sobre como esses resultados podem ser aplicados a seres humanos.
Eles observam que estudos futuros devem medir a atividade proteica e incluir avaliações funcionais do coração para determinar se as alterações na expressão gênica observadas aqui levam a benefícios fisiológicos significativos.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | abr 21, 2026 | Curiosidades, História
Um fóssil descoberto na Alemanha pode ser a planta relacionada à cannabis mais antiga já identificada, potencialmente retrocedendo a linha do tempo do gênero em cerca de 30 milhões de anos.
A folha fossilizada, datada entre 56 e 48 milhões de anos atrás, foi encontrada na região da Saxônia-Anhalt, na Alemanha, e agora está sendo destacada como uma possível parente antiga da maconha moderna. Isso a tornaria muito mais antiga do que as estimativas anteriores, que sugeriam que o gênero Cannabis surgiu a cerca de 28 milhões de anos atrás.
Segundo os pesquisadores, o fóssil estava na coleção de um museu há cerca de 150 anos, desde sua primeira descrição em 1883. Somente recentemente foi reexaminado em detalhes, o que despertou um interesse renovado devido à sua grande semelhança com as folhas de maconha atuais. Os pesquisadores afirmam que o formato da folha e o padrão de suas nervuras são surpreendentemente similares aos das plantas de maconha modernas.
Ainda assim, acredita-se que o fóssil não seja da mesma espécie que a Cannabis sativa ou a Cannabis indica modernas. Em vez disso, parece representar um parente extinto de um período muito anterior na história evolutiva da planta. Os pesquisadores observam que as variedades de maconha atuais foram fortemente moldadas pelo cultivo humano e pelo melhoramento seletivo, provavelmente ao longo de milhares de anos.
A descoberta é notável não apenas por sua idade, mas também pelo local onde foi encontrada. Durante anos, acreditou-se que a cannabis tivesse se originado na região do Planalto Tibetano, na Ásia. Este fóssil sugere que o gênero pode ter uma história muito mais antiga e abrangente do que se pensava anteriormente, e que sua origem pode não estar ligada apenas a regiões de alta altitude na Ásia.
Os pesquisadores afirmam que não conseguem determinar se a planta antiga continha THC porque o fóssil não preserva as minúsculas estruturas onde os canabinoides são produzidos.
Ainda assim, o fóssil oferece um dos indícios mais fortes até agora de que a história da maconha pode remontar a tempos muito mais antigos do que se acreditava, além de abrir caminho para novas questões sobre onde a planta surgiu pela primeira vez.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | abr 20, 2026 | Política
A sugestão legislativa (SUG) Nº 25 de 2020 pela Regulamentação do Uso Adulto e Autocultivo de maconha no Brasil foi rejeitada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) em reunião na última quarta-feira (15). Os senadores acompanharam o voto de Eduardo Girão (NOVO-CE), que – em um discurso cheio de desinformação – chamou atenção para os efeitos nocivos da substância e para a “inviabilidade prática” da fiscalização do produto.
A SUG 25/2020 vem da ideia legislativa apresentada ao portal e-Cidadania por Diego Brandon (idealizador do portal DaBoa Brasil), que, ainda em 2020, recebeu mais de 20 mil apoios em um mês. A consulta pública, ainda em aberto até o fechamento desta matéria, contabiliza 19.593 votos SIM contra 2.199 votos NÃO. Votos esses que foram totalmente ignorados pelos senadores.
Além de regulamentar o uso adulto da maconha, a ideia estipula uma quantidade permitida de até 20 plantas por pessoa, com o objetivo de tornar possível o acesso sem depender do comércio ilegal. A sugestão também propõe reformas de justiça social, garantindo a proteção aos consumidores e cultivadores e medidas de equidade social na indústria legal da maconha. Além de também propor a garantia de prioridade aos que já sofreram alguma forma de repressão, ou foram presos pelo uso ou cultivo da planta, na participação da indústria legal.
Desde o início, a SUG passou pelas mãos de Alessandro Vieira (MDB), Mara Gabrilli (PSD), Fabiano Contarato (PT), Paulo Paim (PT) e Cleitinho (Republicanos), que rejeitaram a relatoria. Eduardo Girão aceitou a relatória, votou pela rejeição e arquivamento.
Em seu relatório, conforme noticiou a Agência Senado, Girão discordou dos argumentos, mencionando “impactos negativos para a saúde pública, a segurança e a capacidade de fiscalização do Estado”. Ele citou a permissão para uso medicinal de produtos à base de cannabis, que é submetida a rigoroso controle.
“Mesmo no âmbito medicinal, o Estado brasileiro opera sob uma lógica de cautela e controle intensivo. Não há, em nenhuma hipótese, autorização para autocultivo irrestrito, tampouco para uso recreativo. Ao contrário, a evolução regulatória evidencia que quanto maior o conhecimento técnico sobre a matéria, maior tem sido a necessidade de controle e supervisão estatal”.
Na discussão do projeto, o senador avaliou que a proposta ecoa o sentimento de uma parcela pequena da sociedade, pois, conforme argumentou, “a maior parte da população é contra a liberação das drogas”. Ele criticou o STF pela decisão de liberar o porte de pequenas quantidades de maconha. Girão disse: “Eles não param o ativismo. Sei lá a quais interesses servem, mas aqui no Senado a gente vai fazer o nosso papel, e nós estamos aqui rejeitando uma proposta de regulamentação (…). É o Congresso resistindo, mesmo com a nossa democracia em frangalhos”.
E a presidente da CDH, Damares Alves, do partido Republicanos-DF, – (sim, a sobrinha do pastor e ex-deputado que teve seu avião apreendido com 290 kg de flor de maconha em 2023) – saudou os “dados, números e evidências” apresentados por Girão para embasar seu voto.
NOTA DO AUTOR DA SUGESTÃO:
Após 6 anos, vemos mais uma vez que os ditos “representantes” do povo não respeitam as demandas do povo. A SUG 25/2020 é uma iniciativa popular e veio como uma resposta direta aos modelos de regulamentação que só atendem ao lobby das grandes indústrias e associações. Se alguns podem lucrar com a planta, todos devemos ter o direito ao cultivo para uso próprio. As falas dos senadores que criticaram a sugestão são carregadas de desinformação, ignorância e preconceito. Dão a desculpa de que estão preocupados com a saúde pública, mas ignoram o fato de tantas coisas realmente nocivas serem legalizadas. Usam o termo “liberação das drogas” para deturpar o real sentido de uma “regulamentação do uso adulto”.
Girão, sim, nós NÃO VAMOS PARAR O ATIVISMO. Pois nossa luta é legítima e a forma mais eficaz de combate ao tráfico é o autocultivo. Sabemos que existem mega traficantes, inclusive ocupando cadeiras no Senado, que não querem perder seus lucros do mercado ilegal. Sabemos também o quão grande é o lobby da indústria farmacêutica e que fazem de tudo para monopolizar a planta. Mas, sim, nós NÃO VAMOS PARAR O ATIVISMO.
Aos senadores que rejeitaram esse avanço, vocês podem tentar proibir a planta, mas a planta é parte da natureza, existe antes dos seres humanos e continuará existindo depois que formos todos embora. Um dia, as futuras gerações lembrarão o quão ridículo foram aqueles que tentaram impedir uma planta de nascer.
por DaBoa Brasil | abr 18, 2026 | Saúde
Uma nova pesquisa publicada na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases descobriu que o uso de maconha está associado a uma redução modesta no risco de vários distúrbios metabólicos, sendo que essa relação varia significativamente dependendo do índice de massa corporal (IMC).
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina do Hospital Feminino da Universidade de Zhejiang e do Primeiro Hospital Popular de Taizhou, na China, utilizando dados de 91.002 participantes do Biobanco do Reino Unido que não apresentavam doenças metabólicas no início do estudo.
Após ajustes para diversos fatores, o uso de maconha foi associado a um risco 6% menor de desenvolver doenças metabólicas em geral. Os dados também mostraram uma redução de 7% no risco de hipertensão e de 18% no risco de diabetes tipo 2 entre os usuários. A descoberta mais expressiva foi entre os usuários frequentes, que apresentaram um risco 43% menor de obesidade em comparação com os não usuários.
No entanto, a relação não foi consistente em todos os grupos. Os pesquisadores descobriram que o IMC desempenhou um papel significativo na determinação dos resultados. Entre os indivíduos com IMC abaixo de 25, o uso de maconha foi mais fortemente associado à redução do risco em diversas condições. Em contrapartida, entre aqueles com IMC acima de 30, o uso moderado de maconha foi associado a um aumento de 26% no risco de doenças metabólicas e a um aumento de 40% no risco de hipertensão.
O estudo não encontrou nenhuma associação significativa entre o uso de maconha e os riscos de hiperlipidemia ou doença hepática gordurosa não alcoólica.
Os pesquisadores afirmam que as descobertas destacam uma relação complexa entre o uso de maconha e a saúde metabólica, com benefícios potenciais parecendo mais pronunciados em indivíduos com menor peso corporal. Eles alertam que os resultados são baseados em dados observacionais, o que significa que não se pode estabelecer causalidade.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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