Ex-presidiário  prepara-se para erguer “império da maconha”

Ex-presidiário prepara-se para erguer “império da maconha”

Apinhada na frente de uma discreta loja de Toronto, a multidão se aglomera em torno da porta. Em alguns minutos, todos voltam-se para um senhor de 58 anos, com visual de executivo aposentado, que desponta na entrada.

Sua aparição é acompanhada de flashes e pedidos de autógrafos. Logo em seguida, uma emissora de TV inicia uma transmissão do local. A cena interrompe o cotidiano pacato da área, e se repete toda vez que empresário Marc Emery vai ao local. Isso porque Emery é o maior ativista pró-legalização da maconha do Canadá e a loja é, na verdade, um de seus pontos de venda da planta.

Conhecido no país como “Príncipe da Maconha”, Emery ganhou notoriedade ao longo de três décadas de luta pela legalização da erva. Por conta de seu ativismo, esteve preso várias vezes ─ 34, diz ─ em vários pontos da América do Norte e está proibido de entrar nos Estados Unidos.

Agora, ele quer apagar o passado conturbado e surfar no relaxamento das leis canadenses. A legalização da produção, comércio e consumo é uma promessa do atual premiê, Justin Trudeau, prevista para ocorrer em menos de um ano.

Com duas lojas já abertas em Vancouver, onde vive, e outras duas em Toronto, Emery prepara-se para criar uma rede de comércio espalhada por todo o país. Também iniciou uma série de viagens internacionais, numa cruzada pela regulamentação em países da Europa e da América do Sul.

“Vamos abrir uma loja a cada dois meses a partir de agora, para que todos possam comprar maconha legalmente. O Canadá passa por mudanças intensas, e deve influenciar outros países a fazerem o mesmo”, diz à BBC Brasil.

Os dias de megafone em punho e protestos barulhentos, no entanto, prosseguem. “Só vou descansar quando os Estados Unidos legalizarem a maconha”, avisa. “Eles são o país com maior influência global, cruciais para acabar com a guerra à erva”.
Emery iniciou sua luta pela descriminalização da cannabis nos anos 80. Vendia livros e revistas sobre os supostos benefícios do consumo. Naquele tempo, qualquer publicação relacionada à maconha era censurada no Canadá. Em seguida, criou um periódico sobre o assunto, a revista Cultura Cannabis.

Aos poucos foi ficando famoso. Ele diz ter “dividido baseados com personalidades de todo o tipo, incluindo o atual premiê canadense, Justin Trudeau”.

O auge da popularidade veio nos anos 90 e 2000, quando passou a comercializar também sementes da planta através dos correios.

A distribuição do insumo não se restringiu ao Canadá, e alcançou todos os Estados americanos. Ele diz ter conseguido lucro de cerca de U$ 5 milhões com a empreitada.

Mas o comércio era ilegal nos EUA, e Marc foi indiciado, em 2005, por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Foi processado e acusado de crimes que poderiam acarretar em até 40 anos de cadeia. Após longa batalha judicial, conseguiu um acordo que reduziu sua pena para quatro anos.

“Perdi todo o dinheiro em advogados e campanhas para mudar a legislação”, conta. “E a acusação de tráfico é absurda. Sempre paguei imposto por tudo que vendi. Jamais soneguei ou atuei de forma criminosa. Só em taxas foram US$ 600 mil recolhidos pelo governo do Canadá”, diz à BBC Brasil.

Quando foi extraditado e preso nos Estados Unidos, em 2009, protestos contra seu encarceramento se espalharam por mais de 100 cidades do planeta, incluindo Londres, Paris e Nova York. “Usei meu período na cadeia para prestar assessoria jurídica a outros detentos. E mantive um blog contando minha rotina”, conta.

Livre da prisão há dois anos, Marc Emery vive dias mais tranquilos. Apesar de ainda não ser legal no Canadá, o consumo de maconha já não sofre a repressão de outrora. O comércio é permitido para fins médicos e os dispensários, como são chamados os estabelecimentos que disponibilizam a erva, proliferam nas vias mais movimentadas das grandes cidades.

Algumas lojas, incluindo as dele, aproveitam o relaxamento nas leis e já vendem o produto a qualquer maior de idade. De vez em quando, a negociação ainda é interrompida por batidas policiais e interdições. Mas os dispensários voltam a funcionar em poucas horas. E, quando uma loja é fechada, Emery faz questão de ir pessoalmente ao local para reabri-la.

“Há um temor de que o comércio, ao ser regularizado, seja feito apenas por grandes corporações. Isso excluiria o pequeno e médio comerciante, que sempre lutou para que a maconha saísse da clandestinidade. Não vamos permitir que isso aconteça”, afirma.

Após a regulamentação da produção, venda e consumo da maconha no Uruguai, implementada pelo ex-presidente José Mujica, Emery acredita a América do Sul também vai sofrer mudanças profundas na forma como trata a questão. Mas faz uma ressalva.

“O debate está muito atrasado na América Latina. E mesmo em países da Europa, como a Itália. No Brasil, a repressão resulta numa maconha muito ruim, trazida de forma clandestina do Paraguai. Também aumenta a corrupção e alimenta a violência do tráfico. Por seu tamanho e influência, é importante que o país leve a questão a sério e mude sua legislação extremamente retrógrada. O país é fundamental para atacar o crime organizado e a violência que assolam todo o continente sul-americano”, diz.

Fonte: BBC

Google é a próxima grande empresa para entrar na indústria da maconha?

Google é a próxima grande empresa para entrar na indústria da maconha?

Pode ser, já que a empresa com sede em San Francisco está  estudando a possibilidade de trabalhar com empresas de maconha.

Um executivo da LivWell com sede no Colorado, uma das maiores cadeias de varejo de maconha no país, falou recentemente em um evento do congressista Jared Polis sobre o interesse do Google no setor.

John Lord, CEO da LivWell disse que o Google tinha entrado em contato recentemente com ele para ver como ele poderia ajudar a servir a indústria.

De acordo com Lord, o Google veio após a Microsoft se associar a uma empresa para fornecer sistemas que seguem todo o processo a partir de sementes até a venda da erva.

Lord fez as declarações em um evento organizado pela empresa de produtos de maconha Dixie para apoiar o congressista Polis.

Um porta-voz da LivWell confirmou contato com o Google.

“Posso confirmar que o Google estendeu a mão e perguntou se estaríamos interessados em falar com eles sobre as necessidades da indústria e como o Google poderia trabalhar com a gente para resolver isso”, disse Matthew Givner, porta-voz da LivWell, em um e-mail.

Não está claro se o gigante da tecnologia Google tem estado em contato com outras empresas relacionadas à maconha especificamente a LivWell além do tipo de participação que poderia ter sobre a indústria.

Se o Google fosse se envolver na indústria da maconha iria se juntar a um pequeno, mas crescente número de grandes empresas como a Microsoft e Arrow Electronics. Ambos recentemente revelaram que estão trabalhando com empresas relacionadas com a maconha.

Uma empresa do tamanho e da visibilidade do Google que olhe para a indústria da maconha daria um grande impulso para as empresas do setor, de acordo com um analista da indústria.

E no caso da LivWell, a empresa realmente vende maconha recreativa e medicinal ao contrário das outras duas grandes empresas relacionados à maconha que foram associados com a Microsoft e Arrow. Estas duas empresas auxiliares não “tocam” a planta da maconha, mas oferecem serviços e produtos relacionados com a erva.

“Toda vez que uma corporação gigante envolve ou toca uma empresa, é fenomenal”, disse o consultor da indústria com sede na Califórnia Avis Bulbulyan. “Quanto mais empresas e maiores forem às empresas, melhor para a indústria”.

A LivWell, que tem sua sede na área metropolitana de Denver, é uma das maiores no Colorado, operando com 14 lojas em todo o estado. Ela também possui duas áreas de cultivo. A empresa foi fundada em 2009.

A publicidade do Google pode ser um dos serviços mais úteis para as empresas de maconha.

Bulbulyan disse que se o Google estiver falando sério sobre entrar neste mercado, certamente encorajaria outras empresas a fazer o mesmo. “Isto irá abrir as portas para que outras empresas se envolvam”, acrescentou.

Com isso poderia até reduzir a “cannafobia” entre as grandes empresas como Facebook e Instagram, disse Bulbulyan. Ambos têm fechado as portas quando são relacionadas com a erva.

Microsoft foi a primeira grande empresa a divulgar publicamente sua participação na indústria da maconha.

Menos de uma semana depois, MyDx, um fabricante de San Diego de analisadores químicos portáteis que permitem aos consumidores verificar o poder das variedades de maconha, a Arrow Electronics anunciou que ajudaria na fabricação de sua linha de analisadores.

Enquanto Microsoft e Arrow estão fazendo parcerias com empresas específicas, Bulbulyan não assegurou por que o Google iria se envolver com uma empresa particular, e especulou que seu contato com a LivWell seria mais pelo desejo de ajudar a indústria.

Governo uruguaio disposto a vender maconha fora de farmácias

Governo uruguaio disposto a vender maconha fora de farmácias

O governo uruguaio está disposto a buscar pontos de venda de maconha para uso recreativo alternativos às farmácias para cumprir com a lei que em 2013 regulou a produção e a venda desta droga.

Apenas 50 farmácias, das cercas de mil que existem no país, aderiram ao plano do governo do presidente Tabaré Vázquez, que deu continuidade à política sobre drogas levantada por seu antecessor José Mujica (2010-2015).

“Para nós, embora a manifestação de vontades tenha sido um pouco lenta, é um número suficientemente interessante para fazer um plano piloto”, declarou o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas (JND) do Uruguai, Milton Romani, em declarações ao jornal local El País publicadas neste domingo.

Romani acrescentou que está sendo colhida a primeira safra de cannabis para uso recreativo, que chegará nos próximos meses às farmácias, o melhor local, segundo ele, para vender a droga, “porque o governo não quer promover o consumo, mas regulá-lo”.

No entanto, o funcionário reconheceu que é possível ampliar os pontos de venda para garantir que alcançará todos os usuários.

“Os que especulavam que este governo não aplicaria a lei devem tirar isso da cabeça porque vamos vender nas farmácias ou onde quer que seja. Se as farmácias forem uma dor de cabeça, venderemos por outros canais”, disse Romani.

Os usuários poderão comprar até 10 gramas por semana nas farmácias habilitadas, mediante um registro prévio nas agências de correio do Uruguai, para o qual se exige que a pessoa seja maior de idade e cidadã uruguaia, ou estrangeiros com um mínimo de dois anos de residência no país.

Fonte: Istoé

Empresa quer fazer primeiro remédio brasileiro à base de maconha

Empresa quer fazer primeiro remédio brasileiro à base de maconha

Uma start-up do ramo farmacêutico decidiu produzir o primeiro medicamento brasileiro à base de maconha. A ideia é fazer um extrato fitoterápico que trate casos de epilepsia nos quais outros remédios não funcionam.

A start-up Entourage Phytolab busca desenvolver um medicamento fitoterápico à base de maconha desde que foi fundada, em 2015. A previsão dela é que a droga seja lançada em 2018.

A vantagem de um medicamento brasileiro, desenvolvido e testado no país, seria a segurança e a garantia de fornecimento para quem necessita da droga que não precisaria mais depender, como ocorre hoje, de autorizações para importá-la.

Os principais componentes do extrato da erva são o tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O primeiro é psicotrópico; o segundo, não.

Tanto o THC quanto o CBD têm propriedades farmacológicas que os fazem ser de interesse medicinal. O problema é o grande potencial de abuso, principalmente do THC isso dificulta o licenciamento de medicamentos baseados no composto.

A iniciativa da Entourage, no entanto, está direcionada para a produção de um extrato que seja rico em CBD e com pouquíssimo THC. Para isso, serão utilizadas flores de uma variedade de cannabis fornecida pela Bedrocan, multinacional especializada em produção para uso medicinal.

Cultivo de maconha

Os demais componentes da erva não serão eliminados, de acordo com Caio Santos Abreu, diretor-executivo da start-up. O motivo é que a pequena fração de outras moléculas pode ajudar no efeito do CBD, reduzindo os efeitos colaterais e balizando os efeitos farmacológicos desejados.

Esse efeito de várias moléculas ajudando a ação de outra é conhecido como “efeito entourage” e têm ganhado entusiastas no meio acadêmico, particularmente entre os que estudam o sistema de receptores canabinóides, presentes em vários tecidos do corpo humano.

Isso transformaria, em tese, a desvantagem de ter um remédio “sujo”, não puro, em uma vantagem já que seria praticamente impossível repor artificialmente as inúmeras moléculas presentes no extrato da cannabis.

Não se sabe exatamente qual é o mecanismo de ação do CBD para tratar a epilepsia, mas isso não inviabiliza o estudo de uma nova possibilidade de tratamento, diz Fabrício Pamplona, diretor-científico da Entourage.

“Sabe-se que há um controle especialmente eficaz quando há excesso de excitabilidade neuronal característico de uma crise epiléptica”, afirma o farmacêutico.

Depois da padronização da obtenção do extrato candidato a medicamento, haverá testes em ratos para garantir a segurança do processo.

É aí que entra em cena a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deve supervisionar e chancelar todas as etapas de testes clínicos em pessoas e animais.

Por se tratar de tecnologia desenvolvida no Brasil, em uma questão de saúde importante para a qual não há tratamento (epilepsias refratárias, como a síndrome de Dravet), Abreu espera que o projeto transite com celeridade.

Da parte científica, não são esperadas dificuldades para se cumprir as etapas necessárias, dados que diversos estudos anteriores apontam na mesma direção para a qual a start-up está mirando.

Um medicamento à base de CBD da farmacêutica GW chamado Epidiolex obteve bons resultados em estudos 54% de redução no número de crises. Em breve pode haver o registro nos EUA.

 

Fonte: Folha.uol

Cidade dos EUA usará impostos da maconha contra desigualdade

Cidade dos EUA usará impostos da maconha contra desigualdade

A cidade de Aurora, no Colorado, vai utilizar a legalização da maconha como ferramenta para diminuir a desigualdade social da região, direcionando parte dos impostos arrecadados para organizações que ajudam a inclusão social de moradores de rua.

De acordo com o High Times, o conselho da cidade decidiu destinar US$ 220.000 (mais ou menos R$ 770.600) do total arrecadado com a legalização da maconha para a Colfax Community Network, organização sem fins lucrativos que conecta pessoas que vivem em motéis e moradias provisórias a serviços comunitários.

A ONG utiliza o repasse do dinheiro arrecadado com a venda legalizada da maconha para promover programas de assistência à população sem moradia.

Ficou determinado o repasse de US$ 3 milhões, o equivalente a R$ 10.508.700, para financiar serviços de assistência aos desabrigados. Metade desta quantia será depositada ainda neste ano e os outros US$ 1,5 milhão serão repassados entre 2017 e 2018.

A cidade de Aurora espera arrecadar US$ 4,5 milhões em vendas de maconha nos próximos dois anos.

O Colorado foi o primeiro estado dos EUA a legalizar a produção e comércio da maconha para fins recreativos. Só no ano fiscal encerrado em junho de 2015, foram declaradas mais de US$ 70 milhões de receitas geradas, quase o dobro dos US$ 40 milhões previstos.

Microsoft é a primeira grande empresa a investir em Maconha

Microsoft é a primeira grande empresa a investir em Maconha

Cada vez mais estados têm legalizado a maconha nos Estados Unidos e é natural que importantes corporações se interessem por esse mercado que movimenta bilhões. Mesmo muitas pessoas vendo com desconfiança esse tipo de investimento, alguns empresários apostam forte em mais este nicho.

É o caso da Microsoft. Esta semana saiu no New York Times que ela fechou negócio com a startup Kind, que bolou um aplicativo que rastreia mudas e sementes legais para a venda com fins medicinais e de recreação. Ele age em parceria com o governo e consumidor, facilitando o controle e assegurando que estes empreendimentos permaneçam agindo de acordo com as leis federais.

O software destina-se a ajudar os vinte e cinco estados americanos, entre eles o maior deles, a Califórnia. De olho nesse promissor mercado muitos investidores começam a ver de outra forma o plantio canábico. Até agora, apenas pequenos bancos e incentivadores depositavam algum dinheiro neste negócio. Com a entrada da Microsoft a tendência é que este cenário mude.

“Nós acreditamos que haverá um crescimento significativo”, disse Kimberly Nelson, diretor executivo de soluções governamentais estaduais e locais da Microsoft. “Haverá mais transações, e nós acreditamos que terão modos ainda mais sofisticados e novas plataformas vindo por aí.”

Fonte: Exame.com

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