por DaBoa Brasil | out 16, 2024 | Política, Saúde
As visitas ao pronto-socorro (PS) relacionadas à maconha diminuíram entre pacientes com esquizofrenia após a adoção da legalização da maconha para uso adulto no Canadá, de acordo com dados recém-publicados no periódico Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology.
Uma equipe de pesquisadores filiados à Universidade York, em Toronto, avaliou tendências em visitas relacionadas ao pronto-socorro em uma coorte de 121.061 pacientes com esquizofrenia entre 2015 e 2021.
Os pesquisadores identificaram “diminuições em visitas ao PS relacionadas à cannabis (em homens e mulheres), visitas ao PS relacionadas à saúde mental (em homens e mulheres) e visitas ao PS relacionadas à maconha + psicose entre os pacientes com esquizofrenia (apenas em homens)” nos anos imediatamente após a legalização. Isso marcou uma reversão das tendências pré-legalização, que haviam mostrado um “pequeno aumento mês a mês” nas hospitalizações associadas à cannabis.
Os autores do estudo concluíram: “Apesar das maiores taxas de base de utilização de cuidados agudos entre pacientes com esquizofrenia, a legalização da cannabis foi associada a reduções significativas, particularmente durante a fase 1. (…) Nossas descobertas sugerem que medidas regulatórias que acompanham a legalização podem melhorar a qualidade e a segurança dos produtos de cannabis, potencialmente levando a menos resultados adversos à saúde em populações de pacientes vulneráveis. Além disso, nosso estudo indica que a legalização e a regulamentação da maconha, em certos contextos, podem ajudar a reduzir a utilização de cuidados agudos em grupos de pacientes vulneráveis”.
Comentando sobre o estudo, o vice-diretor da organização NORML, Paul Armentano, disse: “Esses resultados ilustram que a regulamentação da cannabis, juntamente com a educação do consumidor, pode fornecer salvaguardas suficientes para proteger — e potencialmente até melhorar — os resultados de saúde mental, particularmente entre populações mais vulneráveis”.
Embora o uso de cannabis, tabaco e outras substâncias seja relativamente comum entre pessoas com esquizofrenia e outras condições psiquiátricas, as incidências de psicose induzida por maconha são raras entre aqueles que não têm um transtorno psiquiátrico preexistente.
Nos Estados Unidos, as leis de legalização da maconha em nível estadual não foram associadas a um aumento estatisticamente significativo em resultados de saúde relacionados à psicose. Especificamente, um artigo de 2022 publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) Network Open não encontrou associação entre a adoção da legalização da maconha e as taxas gerais de diagnósticos relacionados à psicose ou antipsicóticos prescritos.
Mais recentemente, um estudo de consenso compilado pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA determinou que “não há evidências suficientes de uma associação entre a política de cannabis e mudanças na saúde mental e comportamental”.
Referência de texto: NORML
por DaBoa Brasil | out 15, 2024 | Economia, Política
Nas farmácias do Uruguai agora é possível comprar quatro variedades de maconha, três das quais (Alpha, Beta e Gamma) têm um teor mais baixo de THC (até 9% e 12%, respectivamente). Mas agora estará disponível uma nova genética e será a mais potente entres elas. Trata-se da Epsilon, um híbrido com predominância sativa que tem até 20% de THC.
“Após vários anos de análise e trabalho, no dia 15 de outubro estará disponível nas farmácias participantes da rede de distribuição de cannabis uma nova variedade, que se soma às três variedades já comercializadas”, informou esta semana o Instituto de Regulação e Controle da Cannabis por meio de um comunicado em que anunciou o início das vendas do Epsilon. Cinco gramas custarão 570 pesos uruguaios (R$ 77). Entre outros detalhes do novo produto, as flores são analisadas em laboratórios para atestar a ausência de organismos microbiológicos e patogênicos, além de metais pesados e vestígios de agrotóxicos.
Embora o IRCCA espere um grande apelo para a compra da nova variedade nas farmácias, a organização anunciou que estes primeiros lotes de flores com maior teor de THC serão limitados durante as primeiras semanas. “Será totalmente incorporado ao mercado gradualmente”, disse o órgão regulador uruguaio.
Além de comprar maconha em farmácias, no Uruguai você pode acessar derivados de plantas por meio de clubes ou pelo autocultivo, onde não há limite para a porcentagem de THC na maconha. O objetivo desta política nascida há mais de uma década é afastar o mercado da maconha do crime organizado, oferecendo diferentes vias de acesso regulamentadas. O IRCCA estima que, desde a implementação da legalização abrangente, até o momento mais de 51% dos usuários do país consomem maconha regulamentada pelo Estado.
Referência de texto: Inforbae / Cáñamo
por DaBoa Brasil | out 14, 2024 | Política
Um comitê político que se opõe a uma iniciativa de votação para legalização da maconha na Flórida, nos EUA, recebeu uma contribuição de meio milhão de dólares de uma organização que Elon Musk usou para apoiar discretamente o governador Ron DeSantis antes de ele desistir da corrida presidencial de 2024 no país. Ao mesmo tempo – e frustrando os proibicionistas – a campanha pró-legalização ultrapassou oficialmente US$ 100 milhões em contribuições totais.
As notícias sobre financiamento de campanha surgem no momento em que uma nova pesquisa mostra o apoio majoritário à medida sobre a maconha no estado, mas não o suficiente para atender ao requisito de 60% para aprovar a emenda constitucional.
Faithful & Strong Policies, Inc., um grupo administrado pelo advogado Scott Wagner, da Flórida, fez a contribuição de US$ 500.000 para a Keep Florida Clean, Inc. no início deste mês, mostram os registros da campanha. A Keep Florida Clean, que é liderada pelo chefe de gabinete de DeSantis, James Uthmeier, está comprometida em derrotar a Emenda 3, a medida de legalização da maconha, na votação.
Embora a doação seja insignificante em comparação aos mais de US$ 100 milhões que a campanha pró-legalização da Safe & Smart Florida recebeu neste ciclo eleitoral — principalmente da empresa de maconha Trulieve —, ela ainda assim acrescenta combustível ao esforço da oposição em um momento crítico, especialmente porque a última pesquisa da NBC 6 Florida levanta questões sobre as perspectivas de aprovação da iniciativa.
A relação de Musk com essa mais nova contribuição do comitê Faithful & Strong Policies não está clara. Mas o The Wall Street Journal relatou recentemente que o biolionário, dono da Tesla e da Space X, deu anteriormente US$ 10 milhões à organização, cerca de metade dos quais foram para o apoio a candidatura de DeSantis para a nomeação presidencial republicana.
O portal Marijuana Moment entrou em contato com Wager, da Faithful & Strong Policies, e também com Musk, para esclarecimentos, mas os representantes não responderam até o momento da publicação.
Várias pesquisas recentes indicaram que a Emenda 3 tem apoio suficiente dos eleitores de ambos os lados para ser aprovada, mas a pesquisa da NBC 6, divulgada no domingo, descobriu que 58% dos eleitores registrados são a favor da reforma — dois pontos percentuais a menos do que é necessário para ser promulgada pela lei estadual.
A maioria dos democratas (72%) e independentes (54%) disseram que apoiam a mudança de política. Uma pluralidade de republicanos (49%) disse o mesmo. A pesquisa mostra ainda o apoio majoritário em todas as regiões do estado pesquisadas, bem como entre os eleitores com menos e mais de 50 anos.
A pesquisa envolveu entrevistas com 625 pessoas entre 1 e 4 de outubro, com uma margem de erro de +/- 4 pontos percentuais.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | out 13, 2024 | Esporte, Política, Saúde
Moradores de lugares onde a maconha é legal têm maior probabilidade de praticar atividades físicas em comparação com aqueles que vivem em jurisdições onde a planta continua proibida, de acordo com dados publicados no Journal of Cannabis Research.
Pesquisadores afiliados à Universidade Brigham Young, nos EUA, avaliaram a relação entre o uso de cannabis e a atividade física entre adultos com 18 anos ou mais em vários estados e territórios durante os anos de 2016 a 2022.
“O uso atual de cannabis está significativamente associado a uma prevalência maior de atividade física. A prevalência de atividade física é significativamente maior em estados e territórios dos EUA onde a maconha é legalizada para fins adultos e medicinais (vs. não legal)”, eles determinaram.
Os autores do estudo concluíram: “Os resultados deste estudo indicam que o uso medicinal da maconha legal promove maior atividade física em pessoas com condições médicas crônicas e o uso adulto da cannabis legal promove (ainda mais) maior atividade física em pessoas sem condições médicas crônicas”.
As descobertas são consistentes com as de outros estudos que concluem que adultos, incluindo idosos, que relatam consumir maconha são mais propensos a se envolver em atividade física do que aqueles que se abstêm dela. Estudos de caso-controle também relataram que aqueles com histórico de uso de maconha são menos propensos do que os abstêmios a serem obesos ou a sofrer de diabetes tipo 2.
“Essas conclusões contradizem estereótipos de longa data alegando que os usuários de maconha são preguiçosos ou apáticos. É lamentável que muitas dessas falsas alegações tenham historicamente guiado mensagens de saúde pública sobre a cannabis e também tenham sido usadas para estigmatizar e discriminar aqueles que a consomem de forma responsável”, disse Paul Armentano, vice-diretor da NORML, comentando sobre as descobertas.
Referência de texto: NORML
por DaBoa Brasil | out 9, 2024 | Política
De acordo com um novo estudo que foi parcialmente financiado por uma agência do governo dos EUA, os adultos do país norte-americano geralmente não obtêm informações sobre a maconha de fontes governamentais ou médicas.
A pesquisa nacionalmente representativa de 1.161 adultos descobriu que as agências governamentais eram a fonte menos popular de informações relacionadas à cannabis (4,7% nos resultados ponderados por probabilidade). E embora os provedores de assistência médica e de saúde também estivessem entre as fontes menos comuns, com 9,3%, eles estavam mais altos na lista do que os budtenders – funcionários de dispensários (8,6%).
As fontes mais populares de informações sobre maconha, por sua vez, foram amigos e familiares (35,6%) e sites (33,7%).
O estudo, que recebeu apoio do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas e foi publicado este mês no Journal of Cannabis Research, conclui que a maioria das pessoas “obtém informações de saúde sobre maconha de amigos e familiares ou online, com muito poucas consultando seus provedores de saúde ou agências governamentais”.
Notavelmente, as pessoas que relataram usar cannabis por motivos médicos eram significativamente mais propensas do que outras a citar profissionais de saúde como fonte de informações relacionadas à maconha em comparação com outros entrevistados (16,4% versus 5,2%, respectivamente).
Dada a tendência de mudanças das políticas da maconha nos EUA — e o que o artigo descreve como potenciais “efeitos amplos nos resultados de saúde pública relacionados à cannabis” se a maconha for movida da Lista I para a Lista III da Lei de Substâncias Controladas — o artigo pede mais atenção para garantir que os profissionais de saúde sejam melhor educados sobre questões relacionadas à cannabis e que as mensagens do governo sejam tratadas com cuidado.
“À medida que a acessibilidade e a legalidade da maconha aumentam”, diz, “há uma forte necessidade de melhor educação clínica, estratégias de divulgação pública e melhor comunicação entre pacientes e clínicos sobre a cannabis”.
O vice-diretor da NORML, Paul Armentano, disse sobre as descobertas da nova pesquisa que o uso de maconha “não é um fenômeno novo e não vai desaparecer” e que fontes como provedores de saúde e agências governamentais têm a responsabilidade de buscar e fornecer informações precisas.
“Historicamente, fontes afiliadas ao governo têm embelezado ou mentido descaradamente sobre a maconha e seus efeitos”, ele disse. “Não é de se admirar que o público não as considere fontes confiáveis de informações relacionadas à maconha”.
Os prestadores de serviços de saúde, acrescentou Armentano, “têm a responsabilidade de se manterem atualizados com as ciências e tendências relacionadas à cannabis para que possam se envolver com seus pacientes, assim como se manteriam informados e forneceriam conselhos sobre qualquer outro comportamento que potencialmente impacta a saúde e o bem-estar de seus pacientes”.
Na verdade, os autores do novo artigo escreveram que suas descobertas mostram que “educação médica insuficiente pode exacerbar a desinformação sobre a cannabis”.
“Pesquisas e estudos qualitativos demonstram que muitos médicos e estudantes de medicina desejam treinamento mais relevante (especialmente durante a faculdade de medicina)”, observa, citando relatórios anteriores, “mas apenas 9% das faculdades de medicina em 2016 ofereciam currículos específicos” para a maconha.
Das 1.161 pessoas entrevistadas pela equipe de pesquisa — composta por autores do Centro de Psicodélicos da Universidade de Michigan e suas escolas de medicina e saúde pública, bem como do Legacy Research Institute em Portland, Oregon — 27% no geral disseram que usaram maconha no ano passado.
Os resultados mostraram que as pessoas que relataram uso no ano anterior eram mais propensas a relatar a obtenção de informações de “todas as fontes de informação, exceto agências governamentais e artigos populares da mídia”.
Enquanto isso, um estudo separado sobre a comunidade do Reddit como fonte de informações sobre maconha descobriu que os jovens que buscam informações veem isso como uma “saída viável”, apesar de muitas vezes não ter fatos verificáveis.
A carência pode revelar uma oportunidade, disseram os autores do estudo, observando que intervenções — incluindo, potencialmente, no próprio Reddit — que “fornecem informações compreensíveis e precisas em formatos acessíveis podem aumentar a capacidade dos jovens de acessar e praticar a redução de danos”.
Enquanto isso, o Instituto Nacional do Câncer (NCI) publicou recentemente uma ampla série de relatórios científicos sobre maconha e câncer como parte de um esforço para entender melhor as “questões centrais” sobre o relacionamento dos pacientes com a maconha — incluindo origem, custo, padrões comportamentais, comunicações entre paciente e provedor e motivos para o uso.
Um estudo separado financiado pelo governo estadunidense publicado pela American Medical Association descobriu recentemente que a maioria dos pacientes com dor e dos médicos dizem que as companhias de seguro devem cobrir os custos do uso medicinal da maconha. Isso inclui quase dois terços (64%) dos pacientes com dor e pouco mais da metade (51%) dos médicos.
Outro estudo recente publicado no Journal of the American Medical Association descobriu que a maioria dos consumidores de maconha usa a planta para tratar problemas de saúde, pelo menos algumas vezes, mas muito poucos se consideram usuários medicinais de maconha.
“Menos da metade dos pacientes que usaram cannabis relataram usá-la por razões médicas, embora a maioria dos pacientes tenha relatado o uso de maconha para controlar um sintoma relacionado à saúde”, escreveram os autores do estudo. “Dadas essas descobertas discrepantes, pode ser mais útil para os clínicos perguntar aos pacientes para quais sintomas eles estão usando maconha em vez de confiar na autoidentificação do paciente como um usuário adulto ou medicinal de cannabis”.
“Isso está alinhado com outro estudo que descobriu que esse tipo de uso de cannabis é clinicamente subreconhecido”, eles acrescentaram, “e sem uma triagem específica para o uso medicinal de cannabis, os médicos podem não perguntar e os pacientes muitas vezes não revelam seu uso”.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | out 2, 2024 | Política, Redução de Danos, Saúde
A adoção de leis que legalizam a maconha para uso adulto e medicinal está associada ao declínio nas prescrições de benzodiazepínicos (medicamentos que atuam no sistema nervoso central e são conhecidos por suas propriedades ansiolíticas, hipnóticas, anticonvulsivantes, relaxantes musculares e amnésicas), de acordo com dados publicados no periódico JAMA Network Open.
Pesquisadores afiliados ao Instituto de Tecnologia da Geórgia e à Universidade da Geórgia, nos EUA, avaliaram a relação entre as leis de legalização e a distribuição de medicamentos psicotrópicos usados para tratar transtornos de saúde mental.
“Tanto as políticas de cannabis para uso medicinal quanto para uso adulto foram consistentemente associadas a reduções na dispensação de benzodiazepínicos”, determinaram os pesquisadores. Especificamente, a implementação de leis de maconha para uso medicinal foi associada a uma redução de 12,4% na taxa de preenchimento de prescrições por 10.000 pacientes, enquanto a legalização do uso adulto foi associada a uma redução de 15,2%.
Outros estudos que avaliaram o uso de medicamentos prescritos por pacientes após o início do uso de maconha relataram reduções semelhantes no uso de benzodiazepínicos.
Os pesquisadores também reconheceram leves aumentos nas prescrições de antidepressivos e medicamentos antipsicóticos – uma descoberta que é inconsistente com estudos anteriores. Especificamente, um artigo de 2022 publicado no mesmo periódico não encontrou associação entre a adoção da legalização da maconha e as taxas gerais de diagnósticos relacionados à psicose ou antipsicóticos prescritos.
Os autores do estudo concluíram: “Descobrimos que as leis e dispensários de maconha estavam associados a reduções significativas na dispensação de benzodiazepínicos em uma população com seguro comercial. (…) Esses resultados têm implicações importantes para os resultados de saúde. (…) O uso de benzodiazepínicos pode levar a efeitos adversos prejudiciais, incluindo depressão respiratória, que pode ser fatal. (…) Portanto, se os pacientes estão, de fato, reduzindo seu uso de benzodiazepínicos para controlar seus sintomas de ansiedade com cannabis, isso pode representar uma opção de tratamento mais segura no geral”.
Eles reconheceram ainda, “Por outro lado, a associação positiva encontrada entre as leis sobre maconha e a distribuição de antidepressivos e antipsicóticos é motivo de preocupação, embora talvez não seja surpreendente dada a literatura instável em torno do uso de cannabis e depressão ou psicose. (…) No geral, nossos resultados sugerem que pesquisas adicionais são necessárias para avaliar se as mudanças na distribuição de medicamentos para transtornos de saúde mental estão associadas a diferenças nos resultados de assistência médica”.
Referência de texto: NORML
Comentários