Terpenos da maconha se mostram promissores no controle da dor crônica, de acordo com nova revisão científica

Terpenos da maconha se mostram promissores no controle da dor crônica, de acordo com nova revisão científica

Uma nova revisão científica publicada na revista Pharmaceuticals destaca o potencial terapêutico dos principais terpenos da maconha (como β-cariofileno, mirceno, limoneno, linalol e α-humuleno) no tratamento da dor crônica. Os compostos analisados demonstraram efeitos analgésicos relevantes em estudos com animais e resultados preliminares positivos em humanos.

Pesquisadores italianos reuniram evidências publicadas entre 2010 e 2025 sobre o uso de terpenos da planta no controle da dor. Os dados mostram que essas moléculas atuam por diferentes mecanismos biológicos, muitos deles independentes dos canabinoides clássicos, como THC e CBD. Entre os destaques está o β-cariofileno, que interage com receptores CB2 e tem efeito anti-inflamatório, além de mirceno e linalol, que demonstraram ação em receptores relacionados à dor e à inflamação.

Para o estudo, foram reunindo dados de estudos laboratoriais (in vitro e com animais), ensaios clínicos iniciais e revisões anteriores. Foram analisados os mecanismos de ação, vias farmacológicas envolvidas e os efeitos relatados em pacientes com dores inflamatórias, neuropáticas e viscerais.

Apesar dos resultados promissores, os autores reforçam que a maioria das evidências ainda vem de estudos pré-clínicos e são necessários ensaios clínicos mais robustos para que os terpenos possam ser considerados como alternativas reais no tratamento da dor crônica.

Referência de texto: MDPI

Dose única de psilocibina proporciona alívio rápido dos sintomas de TOC, descobre estudo

Dose única de psilocibina proporciona alívio rápido dos sintomas de TOC, descobre estudo

Uma única dose de psilocibina produziu alívio “estatisticamente significativo” dos sintomas em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), sem “nenhum evento adverso grave”, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores da Universidade de Hertfordshire e do Imperial College, na Inglaterra, exploraram o potencial terapêutico do psicodélico para o TOC, recrutando 19 pessoas com o diagnóstico para ver se a terapia com psilocibina poderia atenuar tendências compulsivas.

Os participantes receberam duas doses com intervalo de quatro semanas — 1 miligrama e 10 miligramas. Ambas pareceram reduzir os sintomas do TOC, mas os pesquisadores descobriram que a dose de 10 miligramas foi especialmente “bem tolerada e potencialmente eficaz em pacientes” com a doença.

“A psilocibina produziu um efeito rápido, de moderado a intenso, nos sintomas compulsivos, que durou até uma semana após a administração”, concluiu o estudo, publicado na revista Comprehensive Psychiatry. “Futuros ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo investigarão um tratamento mais longo com múltiplas doses semanais”.

“10 mg de psilocibina oral foram aceitáveis e bem tolerados por pacientes com TOC”.

Os efeitos da psilocibina diminuíram significativamente duas semanas após sua administração, levando os autores do estudo a concluir que “uma dose de 10 mg de psilocibina pode proporcionar um início rápido de uma melhora relativamente curta na sintomatologia do TOC”.

Eles também notaram o alto volume de inscrições entre possíveis pacientes, “o que significa que há um interesse significativo pela psilocibina na comunidade TOC”.

É claro que o número relativamente pequeno de participantes do estudo representa uma limitação, disseram os pesquisadores, enfatizando a necessidade de fazer estudos de acompanhamento com uma população de pacientes mais ampla e, idealmente, um cronograma mais longo para coletar dados.

“A psilocibina produziu um efeito rápido, moderado a grande, nos sintomas obsessivo-compulsivos, durando até uma semana”.

A ausência de incidentes adversos relatados no estudo é amplamente consistente com uma revisão científica publicada pela American Medical Association (AMA) no ano passado. Essa revisão determinou que o uso de psilocibina em dose única “não está associado ao risco de paranoia”, enquanto outros efeitos adversos, como dores de cabeça, são geralmente “toleráveis e resolvidos em 48 horas”.

Além disso, o resultado de um ensaio clínico publicado pela AMA em dezembro “sugere eficácia e segurança” da psicoterapia assistida por psilocibina para o tratamento do transtorno bipolar II, uma condição de saúde mental frequentemente associada a episódios depressivos debilitantes e difíceis de tratar.

A associação também publicou uma pesquisa em agosto passado que descobriu que pessoas com depressão grave experimentaram “redução sustentada clinicamente significativa” em seus sintomas após apenas uma dose de psilocibina.

Referência de texto: Marijuana Moment

Extratos de maconha mostram-se promissores em adolescentes com síndrome de Tourette, mostra estudo piloto

Extratos de maconha mostram-se promissores em adolescentes com síndrome de Tourette, mostra estudo piloto

A administração de extratos de maconha derivados de plantas (não sintético) contendo porcentagens padronizadas de THC e CBD está associada a melhorias sintomáticas em pacientes adolescentes com síndrome de Tourette (ST), de acordo com dados publicados no periódico BJPsych Open.

Pesquisadores em Sydney, Austrália, avaliaram a eficácia de extratos padronizados de maconha em dez adolescentes (idade média: 14 anos) com ST refratária. Os participantes do estudo consumiram óleo da planta uma vez ao dia, à noite.

“Houve um sinal positivo de eficácia, com uma melhora estatisticamente significativa nos tiques relatados pelos pais e pelos próprios pacientes, na qualidade de vida e em problemas comportamentais/emocionais”, relataram os pesquisadores. “Os eventos adversos mais comumente relatados foram cansaço e sonolência, seguidos de boca seca”.

Os autores do estudo concluíram: “Embora existam evidências emergentes que apoiam o uso de intervenções à base de cannabis no tratamento da síndrome de Tourette em adultos, este estudo contribui de forma única para as evidências sobre os benefícios e a segurança da cannabis em adolescentes com síndrome de Tourette. (…) Um ensaio clínico randomizado e controlado de maior escala é necessário para validar essas descobertas”.

Dados separados envolvendo adultos com ST relatam que o uso sustentado de maconha reduz a frequência dos tiques em até 75%, ao mesmo tempo em que melhora o humor, a ansiedade e o sono dos pacientes.

Referência de texto: NORML

Consumo de maconha não está associado a risco elevado de eventos cardiovasculares adversos em idosos, diz estudo

Consumo de maconha não está associado a risco elevado de eventos cardiovasculares adversos em idosos, diz estudo

Idosos que consomem maconha não têm maior probabilidade de sofrer eventos cardiovasculares adversos, como ataque cardíaco e derrame, em comparação aos não usuários, de acordo com dados longitudinais publicados no periódico Circulation.

Pesquisadores afiliados à Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), avaliaram o uso de cannabis e a saúde cardiovascular em uma coorte de 4.285 veteranos idosos (idade média: 67,5 anos) com histórico de doença arterial coronariana. Aproximadamente 25% dos participantes do estudo (1.015 participantes) relataram uso atual de maconha, enquanto os 3.122 participantes restantes não relataram. Os indivíduos foram acompanhados por uma média de 3,3 anos.

Ao contrário das expectativas dos pesquisadores, o uso atual de maconha não foi independentemente associado a taxas elevadas de ataque cardíaco, derrame, morte cardiovascular ou mortalidade por todas as causas, depois que os pesquisadores ajustaram as covariáveis.

“Até onde sabemos, o estudo atual é o único a examinar a associação do uso de cannabis com desfechos longitudinais de doenças cardiovasculares entre pessoas com DAC [doença arterial coronária] estabelecida”, concluíram os autores do estudo. “Nesta coorte mais velha de veteranos com DAC, o consumo de cannabis não foi associado ao desfecho composto de IAM [infarto agudo do miocárdio], AVC e morte cardiovascular, um achado consistente em múltiplas medidas de exposição à cannabis”.

Embora estudos individuais avaliando o uso de maconha e a saúde cardiovascular tenham produzido resultados inconsistentes, uma revisão de literatura de 67 artigos publicados no The American Journal of Medicine concluiu: “A maconha em si não parece estar independentemente associada a fatores de risco cardiovascular excessivos”. Mais recentemente, uma análise de mais de 720.000 adultos publicada no American Journal of Preventive Medicine (AJPM) Focus concluiu que os atuais consumidores de cannabis não apresentam um risco maior de ataque cardíaco em comparação aos não usuários.

Referência de texto: NORML

Maconha e psicodélicos são considerados os mais eficazes para o alívio dos sintomas por pacientes com transtornos alimentares

Maconha e psicodélicos são considerados os mais eficazes para o alívio dos sintomas por pacientes com transtornos alimentares

Uma pesquisa internacional pioneira com pessoas que vivem com transtornos alimentares descobriu que a maconha e os psicodélicos, como “cogumelos mágicos” ou LSD, foram os mais bem avaliados como aliviadores dos sintomas pelos entrevistados que se automedicaram com medicamentos sem receita.

As drogas com pior classificação foram álcool, tabaco, nicotina e cocaína.

Medicamentos prescritos, como antidepressivos, geralmente não foram bem avaliados para tratar sintomas de transtornos alimentares, mas foram avaliados positivamente quanto aos efeitos na saúde mental geral.

A pesquisa, liderada pela estudante de doutorado Sarah-Catherine Rodan na Iniciativa Lambert para Terapêutica com Canabinoides da Universidade de Sydney (Austrália), foi publicada no JAMA Network Open.

“Nossos resultados fornecem insights importantes sobre as experiências vividas por pessoas com transtornos alimentares e seu uso de drogas, destacando caminhos promissores para futuras pesquisas sobre tratamentos. As descobertas sugerem que mais pesquisas, incluindo grandes ensaios clínicos, devem ser realizadas sobre os efeitos benéficos da cannabis e dos psicodélicos para pessoas com transtornos alimentares”, disse Rodan.

Os pesquisadores da Iniciativa Lambert lançarão em breve um ensaio clínico com psilocibina no tratamento da anorexia nervosa, em colaboração com o Instituto Inside Out da Universidade de Sydney.

Âmbito e resposta da pesquisa

O estudo analisou respostas de mais de 7.600 participantes autoalocados em 83 países, tornando-se a pesquisa mais abrangente já realizada sobre este tópico.

A pesquisa se concentrou em como pessoas com diferentes tipos de transtornos alimentares usam medicamentos prescritos e sem receita, e como elas percebem os efeitos dessas substâncias em sua saúde mental e nos sintomas de transtornos alimentares.

As principais categorias de transtornos alimentares foram bem representadas na pesquisa: anorexia nervosa (40%); bulimia nervosa (19%); transtorno da compulsão alimentar periódica (11%); e transtorno de ingestão alimentar restritiva/evitativa (ARFID) (9%). Cerca de um terço dos entrevistados não tinha diagnóstico formal de transtorno alimentar, mas relatou ter um transtorno alimentar que causava sofrimento.

Condições de saúde mental comórbidas, que são frequentemente encontradas nessas populações, foram relatadas com frequência, incluindo depressão (65%), transtorno de ansiedade generalizada (55%), TDAH (33%), dependência de drogas (15%) e dependência de álcool (9%).

Os entrevistados eram predominantemente mulheres (94%), a maioria proveniente de lugares de língua inglesa, como Austrália (30%), Reino Unido (21,3%) e EUA (18%).

Os resultados revelaram que pacientes com transtornos alimentares apresentam altas taxas de uso de maconha e psicodélicos em relação à população em geral e avaliam seus efeitos positivamente em termos de controle dos sintomas. Notavelmente, a maconha foi bem avaliada por entrevistados com transtornos alimentares restritivos, como anorexia e ARFID, provavelmente porque aumenta o valor recompensador da comida, abordando uma questão central nesses transtornos alimentares.

Em contraste, estimulantes prescritos como a lisdexanfetamina, que têm fortes efeitos supressores do apetite e às vezes são prescritos para transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), foram avaliados positivamente por pessoas com TCA, mas mal avaliados por aqueles com transtornos do tipo restritivo.

Psicodélicos, normalmente tomados apenas uma ou duas vezes por ano pelos entrevistados, foram relatados como tendo benefícios notáveis e duradouros, corroborando pesquisas recentes que demonstram seu potencial terapêutico no tratamento de condições como depressão e ansiedade. Por outro lado, medicamentos comumente prescritos – como antidepressivos – que normalmente são tomados diariamente, foram geralmente classificados como relativamente ineficazes na redução dos sintomas de disfunção erétil, mas foram amplamente reconhecidos por ajudar na saúde mental em geral.

A pesquisa também descobriu que drogas como álcool, nicotina e cocaína, embora amplamente utilizadas, levam a resultados negativos nos sintomas de transtornos alimentares e na saúde mental em geral.

“Essas descobertas destacam um padrão importante: os medicamentos tradicionais muitas vezes não conseguem tratar diretamente os transtornos alimentares, enquanto muitos indivíduos se automedicam com substâncias que consideram benéficas. Isso reforça a necessidade urgente de investigar melhor essas substâncias em ensaios clínicos rigorosamente controlados”, afirmou Rodan.

Próximos passos: ensaios clínicos

Os insights obtidos por este estudo já motivaram novas iniciativas de pesquisa. A Iniciativa Lambert, em colaboração com o Instituto Inside Out da Universidade de Sydney, está se preparando para lançar um ensaio clínico com psilocibina no tratamento da anorexia nervosa. Além disso, um estudo piloto que examina o potencial terapêutico do componente não intoxicante da maconha, o canabidiol (CBD), no tratamento da anorexia grave em jovens, está quase concluído.

“Esta pesquisa sugere que a maconha e os psicodélicos são promissores para melhorar a qualidade de vida de indivíduos que sofrem de transtornos alimentares. Isso é particularmente relevante considerando que as opções farmacológicas atuais para esses pacientes são severamente limitadas e os resultados dos tratamentos atuais, decepcionantes. É claro que ensaios clínicos rigorosos são necessários para confirmar esses benefícios e determinar melhor os perfis de segurança”, disse o professor Iain McGregor, autor sênior do artigo e diretor acadêmico da Iniciativa Lambert.

“Espero que este estudo dê voz às pessoas que vivem com transtornos alimentares, revelando que suas experiências frequentemente estigmatizadas com drogas podem, de fato, ter potencial terapêutico. Somos extremamente gratos aos milhares de entrevistados que dedicaram seu tempo para fornecer respostas tão detalhadas sobre suas experiências. Isso deve estimular novas pesquisas e abrir novos caminhos de tratamento para essas condições desafiadoras”, disse Rodan.

Referência de texto: News Medical Life Sciences

A maconha pode ajudar no tratamento de enxaquecas, diz novo estudo

A maconha pode ajudar no tratamento de enxaquecas, diz novo estudo

Um novo estudo sugere que inalar maconha pode proporcionar alívio rápido e significativo de enxaquecas.

A pesquisa — apresentada na Reunião Anual da American Headache Society (AHS) de 2025 — é a primeira do gênero.

“Este é o primeiro estudo controlado por placebo nesta área”, disse o Dr. Nathaniel M. Schuster, neurologista especializado em dor e cefaleia e professor associado de anestesiologia no Centro de Saúde para Medicina da Dor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), ao portal Medscape Medical News.

“É a primeira evidência real — para mim — convincente dos efeitos antienxaqueca da cannabis em humanos”.

Cientistas forneceram a 92 pacientes — a maioria mulheres, com idade média de 41 anos — um tratamento com uma combinação de 6% de THC e 11% de CBD ou um placebo.

Aproximadamente 67,2% no grupo THC/CBD relataram alívio da dor em 2 horas, em comparação com 46,6% no grupo placebo.

E aproximadamente 34,5% dos pacientes no grupo THC/CBD alcançaram “liberdade de dor” dentro desse período, em comparação com 15,5% no grupo placebo.

Os pacientes também relataram alívio sustentado da dor por até 24 horas e a ausência dos sintomas mais incômodos durou até 48 horas.

O melhor de tudo: não houve efeitos colaterais graves, embora as pessoas no grupo que consumiu apenas THC tenham ficado um pouco mais chapadas.

“Sabe-se que o CBD é um modulador alostérico negativo e não competitivo do receptor CB-1 [receptor canabinoide 1] que diminui os efeitos colaterais do THC”, disse Schuster.

É uma grande vitória para a erva, mas, antes de começar, Schuster observou que os pacientes receberam doses muito controladas.

“Muitos neurologistas, inclusive eu, suspeitam que pode haver dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos com o uso frequente de canabinoides”, disse ele.

“Quando aconselho pacientes agora, digo: ‘Olha, nós só estudávamos administração de forma pouco frequente — quatro vezes ao longo de um ano.’”

Ele encorajou os pacientes a limitar o tratamento a menos de 10 vezes por mês e a “utilizá-lo idealmente para aquelas enxaquecas que não responderiam à terapia padrão”.

A popularidade da maconha disparou desde que 38 estados dos EUA e o Distrito de Columbia a legalizaram para uso medicinal. Desses, 24 estados e o Distrito de Columbia também liberaram o uso adulto para pessoas com 21 anos ou mais.

Pesquisas sugerem que a maconha tem o potencial de aliviar dores crônicas e reduzir espasmos e rigidez musculares associados à esclerose múltipla.

Também foi demonstrado que a cannabis aumenta o apetite em pacientes com HIV/AIDS e câncer, além de combater a náusea relacionada à quimioterapia.

Outros benefícios potenciais incluem aliviar o estresse, aliviar os sintomas de TEPT e ajudar no sono de algumas pessoas.

Referência de texto: New York Post

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