por DaBoa Brasil | abr 8, 2026 | Saúde
Um novo estudo pré-clínico publicado na revista Biomedicine & Pharmacotherapy por pesquisadores da Universidade de Coimbra, da Universidade de Barcelona e do Instituto de Saúde Carlos III, na Espanha, concluiu que o composto da maconha canabigerol (CBG) pode oferecer efeitos semelhantes aos de antidepressivos, além de melhorar a função cognitiva, superando diversos outros canabinoides testados.
A depressão continua sendo uma das condições de saúde mental mais disseminadas globalmente, com os medicamentos existentes falhando em aproximadamente 30% a 40% dos pacientes. Os pesquisadores observaram no estudo que essa lacuna ressalta “a necessidade urgente de novos agentes com efeitos pleiotrópicos”, o que motivou uma avaliação de cinco canabinoides: canabicromeno (CBC), canabidiol (CBD), canabidivarina (CBDV), canabigerol (CBG) e canabinol (CBN).
A pesquisa começou com testes laboratoriais em células da microglia para avaliar a toxicidade e as propriedades anti-inflamatórias. O CBD e o CBDV demonstraram os efeitos anti-inflamatórios mais fortes, reduzindo significativamente os marcadores associados à inflamação. No entanto, quando o estudo passou para modelos animais, os resultados divergiram drasticamente.
Utilizando tanto ratos saudáveis quanto ratos expostos a um modelo de estresse crônico projetado para simular a depressão, pesquisadores descobriram que “apenas o canabigerol produziu efeitos antidepressivos consistentes no teste de natação forçada, em comparação com a cetamina”, entre os indivíduos saudáveis. Nos ratos submetidos ao estresse, doses repetidas de CBG levaram a melhorias notáveis no desempenho cognitivo.
Em contrapartida, o CBD demonstrou benefício terapêutico limitado nesse contexto, não conseguindo melhorar significativamente os comportamentos depressivos ou os déficits cognitivos, apesar de um perfil de segurança favorável. O CBDV, embora eficaz na redução da inflamação em testes iniciais, apresentou resultados negativos em estágios posteriores, incluindo efeitos semelhantes à ansiedade e comprometimento das funções cognitiva e hepática.
Uma das descobertas mais notáveis envolveu a estrutura cerebral. O estudo relata que os benefícios cognitivos do CBG estavam “associados ao aumento da densidade de espinhas dendríticas no hipocampo”, sugerindo que ele pode promover a neuroplasticidade, um fator chave tanto na regulação do humor quanto na saúde cognitiva.
Resumindo suas descobertas, os pesquisadores afirmam que “uma única administração de canabigerol atenua o comportamento semelhante à depressão em animais saudáveis, enquanto administrações múltiplas melhoraram a função cognitiva em camundongos que apresentavam fenótipos semelhantes à depressão”. Eles acrescentam que o CBG combina “baixa toxicidade, efeito semelhante ao de antidepressivos e melhora da função cognitiva, provavelmente por meio da modulação da plasticidade estrutural”.
Embora os resultados se limitem a modelos pré-clínicos, os autores afirmam que as descobertas posicionam o CBG como um forte candidato para futuras pesquisas em tratamentos para depressão e distúrbios cognitivos. Eles defendem a realização de mais estudos para melhor compreender seus mecanismos, avaliar a segurança a longo prazo e explorar seu potencial em outras condições, incluindo a doença de Alzheimer.
Se confirmadas em testes com humanos, essas descobertas podem representar um avanço significativo no desenvolvimento de novos tratamentos à base de canabinoides para transtornos mentais que continuam difíceis de tratar com as terapias existentes.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | abr 6, 2026 | Saúde
Um estudo publicado na revista científica Medical Cannabis and Cannabinoids descobriu que a terapia com canabinoides pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida em homens com câncer de próstata, além de apresentar potenciais sinais de impacto na atividade da doença.
Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Tshwane (África do Sul), da Universidade de Tecnologia de Durban (África do Sul) e da Universidade de Alberta (Canadá) acompanharam 90 homens com câncer de próstata confirmado durante um período de seis meses. Os participantes foram divididos em três grupos: aqueles que receberam apenas quimioterapia, aqueles que usaram apenas canabinoides e aqueles que receberam uma combinação de ambos.
O estudo mediu os níveis de antígeno prostático específico (PSA), a atividade tumoral por meio de exames PET/CT e os resultados relatados pelos pacientes, incluindo dor e qualidade de vida, no início do estudo, aos três meses e aos seis meses.
Os resultados mostraram que ambos os grupos que utilizaram canabinoides apresentaram uma queda mais rápida nos níveis de PSA em comparação com o grupo que recebeu apenas quimioterapia, embora os níveis finais de PSA tenham sido semelhantes em todos os grupos. Os exames de imagem indicaram que aqueles que receberam quimioterapia e canabinoides apresentaram maior probabilidade de redução ou remissão do tumor.
Em termos de resultados relatados pelos pacientes, os indivíduos que usaram canabinoides — isoladamente ou em combinação — relataram maiores reduções na dor e melhorias no bem-estar emocional. Também foram observados ganhos em medidas de funcionamento diário, incluindo autocuidado e atividades habituais.
Os autores do estudo concluíram que a terapia com canabinoides esteve associada a melhorias significativas no controle dos sintomas e em alguns indicadores de resposta tumoral, sem evidências de danos. Eles observam que, embora os resultados sejam promissores, são necessários mais ensaios clínicos randomizados e controlados para melhor compreender o papel que os canabinoides podem desempenhar como tratamento complementar no câncer de próstata.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | abr 5, 2026 | Saúde
Uma nova pesquisa publicada na revista Scientific African relata que as sementes de cannabis podem ser uma fonte promissora de ingredientes para cuidados com a pele, com forte atividade antioxidante e efeitos inibidores de enzimas.
O estudo focou em extratos ricos em compostos fenólicos derivados de sementes de cannabis, particularmente uma fração de acetato de etila que demonstrou atividade biológica significativamente maior do que outras frações testadas. Os pesquisadores descobriram que esse extrato apresentou fortes efeitos antioxidantes em múltiplos ensaios, sugerindo que ele pode ajudar a combater o estresse oxidativo — um fator chave no envelhecimento e na inflamação da pele.
Além da atividade antioxidante, o extrato demonstrou capacidade de inibir diversas enzimas diretamente ligadas à degradação e descoloração da pele. Entre elas, a elastase e a colagenase, que contribuem para a degradação da elastina e do colágeno, bem como a lipoxigenase, que desempenha um papel na inflamação, e a tirosinase, uma enzima fundamental na produção de melanina.
A inibição da elastase pelo extrato foi particularmente notável, superando o controle positivo do estudo, além de demonstrar atividade significativa contra as outras enzimas. Embora nem sempre tão potentes quanto os controles de grau farmacêutico, os resultados indicam que os compostos das sementes de cannabis podem oferecer uma alternativa vegetal mais segura para tratar múltiplos problemas de pele simultaneamente.
A análise química revelou que o extrato é rico em compostos fenólicos, incluindo amidas de ácido hidroxicinâmico e lignanas, como as canabisinas A e B. Acredita-se que esses compostos sejam responsáveis pelos efeitos antioxidantes e inibidores de enzimas observados, com pesquisas anteriores sugerindo que desempenham um papel na redução da inflamação e na proteção da estrutura da pele.
Os resultados também destacam o valor potencial dos subprodutos das sementes de cannabis, particularmente o material residual após a extração do óleo, que muitas vezes é subutilizado apesar de ser rico em compostos bioativos.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | abr 2, 2026 | Saúde
Pacientes autorizados a usar maconha licenciados pelo estado da Pensilvânia (EUA) relatam melhorias sustentadas na qualidade do sono, de acordo com dados longitudinais publicados no Journal of Cannabis Research.
Pesquisadores do Philadelphia College of Osteopathic Medicine avaliaram as mudanças na qualidade do sono autorrelatada ao longo de um ano em 137 pacientes. Os participantes do estudo haviam se inscrito recentemente no programa estadual de acesso à maconha para uso medicinal. A qualidade do sono dos pacientes foi medida no início do estudo e aos 3, 6, 9 e 12 meses por meio do questionário Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI).
Em consonância com pesquisas anteriores, os resultados “indicaram melhorias significativas nos escores globais de qualidade do sono após o início do uso de cannabis, com as mudanças mais substanciais (ou seja, uma redução de 30,1%) observadas entre o início do estudo e a avaliação de três meses. (…) As melhorias observadas nos escores globais de qualidade do sono foram consistentes em todos os sete subdomínios do PSQI, incluindo latência, duração e distúrbios do sono. (…) Essas melhorias foram mantidas durante o restante do período do estudo, sem diferenças significativas entre os intervalos de acompanhamento”.
“Essas descobertas contribuem para o crescente corpo de literatura que apoia os potenciais benefícios medicinais da maconha para a qualidade do sono, particularmente entre indivíduos com doenças crônicas”, concluíram os autores do estudo.
Os consumidores frequentemente reconhecem o uso de cannabis para aliviar distúrbios do sono, incluindo insônia, e a promulgação de leis de legalização da maconha para uso adulto está associada à redução das vendas de medicamentos para dormir vendidos sem receita médica.
Referência de texto: NORML
por DaBoa Brasil | abr 1, 2026 | Saúde
Uma nova pesquisa publicada na revista Free Radical Biology and Medicine descobriu que o canabigerol (CBG) pode ter fortes efeitos anticancerígenos contra células de câncer pancreático. Os pesquisadores afirmaram que o composto retardou o crescimento celular e desencadeou múltiplas formas de morte celular programada.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Kangwon e do Instituto Coreano de Farmacopuntura (Coreia do Norte), que examinaram como o CBG afeta as células do câncer pancreático humano. Embora o CBG já tenha atraído atenção por seu potencial anti-inflamatório, antibiótico e anticancerígeno, os pesquisadores afirmaram que seus efeitos sobre o câncer pancreático não haviam sido estabelecidos antes desta análise.
De acordo com o estudo, o CBG produziu um “potente efeito antiproliferativo” em células de câncer pancreático, causando a parada do ciclo celular na fase G1, impedindo efetivamente a multiplicação das células. O composto também promoveu a morte celular programada por meio da apoptose, um processo que o corpo utiliza para eliminar células danificadas ou perigosas.
Os pesquisadores descobriram que o CBG aumentou as proteínas associadas à apoptose, incluindo caspase-3 clivada, caspase-9 e PARP1, além de elevar a proporção geral de células apoptóticas. Ademais, a análise transcriptômica mostrou que o CBG alterou redes gênicas ligadas não apenas à apoptose, mas também à ferroptose, outro tipo de morte celular associada a danos oxidativos dependentes de ferro.
O estudo afirma que o CBG também ativou um importante sistema de resposta ao estresse dentro das células, conhecido como resposta a proteínas mal dobradas. Em particular, ele desencadeou o eixo IRE1α-XBP1, que os pesquisadores identificaram como parte central de como o composto exerce seus efeitos. Quando essa via foi bloqueada usando um inibidor de pequenas moléculas, o impacto citotóxico do CBG foi substancialmente reduzido.
Os pesquisadores também descobriram que o CBG alterou a expressão de genes e proteínas relacionados à ferroptose, incluindo DDIT3, NFE2L2, HMOX1, CHOP, NRF2 e HO-1. Eles afirmam que as descobertas revelam um mecanismo até então desconhecido pelo qual o CBG pode atacar células de câncer pancreático, induzindo tanto apoptose quanto ferroptose por meio da sinalização ligada ao estresse do retículo endoplasmático.
Os pesquisadores concluem que essas descobertas corroboram o potencial do CBG como agente terapêutico para o tratamento de vulnerabilidades relacionadas ao estresse do retículo endoplasmático no câncer pancreático.
Referência de texto: The Marijuana Herald
por DaBoa Brasil | mar 31, 2026 | Saúde
Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition descobriu que um óleo de maconha de amplo espectro pode ajudar a reverter marcadores importantes da doença hepática gordurosa.
A pesquisa examinou a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), uma condição relacionada ao acúmulo de gordura no fígado, estresse oxidativo e fibrose precoce. Utilizando ratos Wistar alimentados com uma dieta rica em sacarose, os pesquisadores testaram se doses orais diárias de um óleo de maconha contendo THC e CBD na proporção de 1:2 poderiam atenuar a progressão da doença.
Após três semanas, os ratos alimentados com uma dieta rica em sacarose desenvolveram sinais claros de disfunção hepática, incluindo acúmulo de gordura, aumento nos índices de atividade da esteatose hepática não alcoólica (EHNA), metabolismo lipídico alterado e estresse oxidativo elevado. Eles também apresentaram indicadores precoces de fibrose e hiperativação do sistema endocanabinoide, que desempenha um papel na regulação metabólica.
No entanto, aqueles tratados com óleo de maconha apresentaram melhorias notáveis em diversas áreas. O tratamento reduziu o acúmulo de gordura no fígado e os índices de gravidade da doença, melhorou a forma como o fígado processa as gorduras e aumentou a oxidação mitocondrial de ácidos graxos. Também reduziu significativamente o estresse oxidativo e a peroxidação lipídica, ao mesmo tempo que aumentou as vias protetoras ligadas ao NrF2 e suprimiu a sinalização inflamatória associada ao NF-κB.
Além disso, os pesquisadores descobriram que o óleo de cannabis ajudou a normalizar a atividade do receptor CB1 no fígado e restaurou os níveis circulantes de endocanabinoides, sugerindo um efeito regulador mais amplo no sistema endocanabinoide do corpo.
Os resultados são particularmente significativos dada a falta de pesquisas específicas para mulheres nessa área. De acordo com o estudo, a maioria das pesquisas anteriores sobre canabinoides e distúrbios metabólicos se baseou em modelos masculinos, deixando as potenciais diferenças entre os sexos pouco exploradas.
Embora os resultados se limitem a um modelo animal, o estudo fornece evidências de que o óleo de maconha de espectro completo pode influenciar múltiplas vias envolvidas na doença hepática gordurosa, incluindo inflamação, estresse oxidativo e disfunção metabólica. Os pesquisadores afirmam que essas descobertas apoiam novas investigações sobre terapias à base de canabinoides para a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), particularmente em populações femininas.
Referência de texto: The Marijuana Herald
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